Construtora é autuada por más condições de trabalho
MTE, PF e Crea fiscalizam obra de conjunto residencial em Votorantim
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) fiscalizou ontem (28) de manhã e autuou a construtora responsável por um conjunto residencial no bairro Votocel, em Votorantim. A ação ocorreu depois que o órgão recebeu denúncias de que os trabalhadores estariam há um mês sem receber salário. Participaram também policiais federais, pois recursos públicos federais estão financiando a obra, e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP).
Em um alojamento em frente à obra, foram encontrados nove empregados. Além da falta de pagamento, todos estavam sem registro e vivendo em situação precária, com colchões espalhados pelo chão e sem assistência básica, como gás e café da manhã.
“Estamos há um mês sem gás e sem café. Estamos sobrevivendo do pouco dinheiro que temos e de alguns trocados que recebemos”, relatou Janailson Rodrigues, de 32 anos. “Para fazer café, estamos usando latinhas vazias de cerveja cortada e álcool.”
Todos os funcionários são do Nordeste, sendo oito do Piauí e um de Alagoas. Eles foram contratados por uma empresa terceirizada de gessos, com a promessa de um trabalho registrado. “Foram só promessas falsas e, hoje (ontem) estamos há um mês sem receber e sem dinheiro para mandar para nossas famílias, que por muitas vezes passam necessidades”, disse o operário.
Segundo Jailson, eles estão na obra há dois meses, no entanto, trabalharam apenas duas semanas: “O trabalho foi interrompido, na primeira vez, por falta de gesso e depois nos proibiram de continuar o serviço. Estamos há um mês parados.”
O chefe regional do Setor de Inspeção do Trabalho (Seint), Ubiratan Vieira, afirmou que, tanto a construtora quanto a empresa de instalação de gesso serão autuadas pelas condições degradantes de trabalho e pela ausência de registro. Para normalizar a situação dos trabalhadores, uma reunião será feita hoje (29) na sede do Ministério do Trabalho de Sorocaba com todos os envolvidos.
“Essa situação não é um caso isolado, ao contrário, é recorrente na cidade”, disse Ubiratan Vieira. Segundo ele, as denúncias por falta de qualidade de trabalho cresceram no período de um ano.
O gerente regional do Crea-SP, Rafael Janeiro, que acompanhou a fiscalização, informou que foi solicitado à construtora que apresente os responsáveis técnicos. Responsáveis pela empresa Gesso & Cores acompanharam as fiscalizações, no entanto, não quiseram se manifestar. A construtora Tigo não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. (Beatriz Falcão - programa de estágio)