Sorocaba e Região

Reator em Aramar ampliará serviços com medicina nuclear

Previsão é que complexo, sediado em Iperó, inicie operação em 2024, com investimentos de R$ 500 milhões
Reator ampliará serviços com medicina nuclear
José Augusto Perrota, coordenador do RMB, fez apresentação do projeto ontem. Crédito da foto: Emidio Marques

A construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), anexo a Aramar, em Iperó, deve aumentar a produção de radioisótopos e ampliar a capacidade de atendimento da medicina nuclear no país. O tema foi discutido nesta segunda-feira (5) em um workshop realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba. O complexo atualmente está com as plantas finalizadas e deve começar a operar em 2024. No total, o RMB deve receber US$ 500 milhões em investimentos.

 

Segundo José Augusto Perrotta, coordenador do projeto do RMB pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), atualmente o Brasil gasta mais de US$ 15 milhões na importação de radioisótopos. “Por ano, são realizados quase 2 milhões de procedimentos de medicina nuclear, e o Sistema Único de Saúde (SUS) corresponde a 25% da demanda nacional”, disse. Com o RMB, defende Perrotta, o país vai suprir os gastos com importações e terá a capacidade de duplicar a quantidade de radiofármacos ofertados à sociedade.

No ano passado o Ministério da Saúde anunciou um aporte de R$ 750 milhões ao projeto e o valor deve ser empregado até 2022. “Esse valor é uma parte do total necessário de investimento, que estamos buscando com o governo federal através de um consórcio com vários ministérios”, disse Afonso Rodrigues Aquino, químico e pesquisador da CNEM que também esteve no evento realizado ontem.

Reator ampliará serviços com medicina nuclear
Afonso Aquino, pesquisador do CNEM. Crédito da foto: Emidio Marques

O diretor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP, professor-doutor Luiz Ferraz de Sampaio Neto, abriu o workshop e explicou que os radioisótopos são utilizados em muitos procedimentos médicos, principalmente em diagnósticos com imagem e tratamentos de radioterapia para diversos tipos de câncer.

RMB

O RMB é um reator nuclear de pesquisa e produção de radioisótopos elementos ativos dos radiofármacos, usados no diagnóstico e tratamento de câncer e outras doenças. Com a construção do equipamento, o país terá autonomia na produção de radioisótopos e poderá ampliar a capacidade nacional em pesquisa de técnicas nucleares, além de gerar recursos econômicos para o governo federal. “O investimento pode parecer muito alto, mas o bem gerado pelo reator pagará rapidamente o custo. O país deixará de depender de outros países para viabilizar diagnósticos e tratamentos”, afirma Perrotta.

Reator ampliará serviços com medicina nuclear
Luiz Ferraz, diretor da PUC Sorocaba. Crédito da foto: Emidio Marques

Ele destaca que as aplicações do RMB também serão estendidas à agricultura, indústria e meio ambiente. Além disso, o reator servirá para testar e qualificar materiais e combustíveis nucleares. “O complexo em que o RMB será instalado terá, além do reator nuclear de pesquisa, um conjunto de laboratórios. Essa infraestrutura será a base para um grande centro nacional de pesquisa de aplicações de radiação para benefício da sociedade”, disse o especialista.

Evento

Durante o workshop, o físico em medicina Renato Dimenstein participou de discussões relacionada a medicina nuclear e também sobre as possibilidades geradas pelo RMB. Jair Mengatti, também do CNEN, falou sobre os radiofármacos. Já Carlos Alberto Buchpiguel, professor do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da USP e do serviço de PET-SCAN do Incor, falou sobre os avanços possíveis através da medicina nuclear.

No período da tarde os professores Luiz Antônio Pires, Mônica Bernardo e Fernando Antônio Almeida coordenaram um debate com outros três especialistas. Foram eles: Cláudio Tinoco Mesquita, Rosângela Corrêa Villar e Helena Regina Comodo Segreto. (Larissa Pessoa)

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