Reação do mercado de trabalho eleva contratações em Sorocaba

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O PAT voltou a encaminhar candidatos a empregos na cidade. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (9/9/2020)

A reabertura gradual de estabelecimentos que estavam fechados para impedir a disseminação do novo coronavírus começa a dar os primeiros sinais de recuperação da economia em Sorocaba. Acompanhando o consumo, que tem apresentado melhoras, um dos primeiros reflexos é a retomada do mercado de trabalho.

De acordo com o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), somente nos nove primeiros dias de setembro foram feitos 461 encaminhamentos de vaga, 43% a mais do que todo o mês de junho, quando foram realizados 322 encaminhamentos. Em julho, o número de encaminhamentos de vagas foi de 170 e em agosto 706.

Desde que a cidade avançou para a fase Laranja do Plano São Paulo, que liberou a retomada do funcionamento de lojas de rua, escritórios e shoppings, no dia 18 de julho, o PAT de Sorocaba foi responsável pela abertura de 303 novas vagas de emprego. Um aumento de 44,88% na captação de vagas de emprego, se comparado com os três meses anteriores. Os setores com mais ofertas são os de serviços e comércio. Entre as vagas se destacam auxiliar de limpeza; auxiliar de cozinha; atendente de lanchonete.

Presidente da Associação dos Profissionais de Recursos Humanos de Sorocaba (APRH), Cristina Pontes afirma que a sua categoria começou a perceber sinais mais vigorosos de retomada do mercado de trabalho nos últimos 15 dias. “É verídica essa percepção. A gente tem visto uma melhora significativa na questão de oferta e preenchimento de vagas”, comenta.

Ponderando que essa percepção de retomada da economia dinâmica só poderá ser confirmada por meio de pesquisas, como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, Cristina assinala que trata-se de uma mudança na direção da curva de postos de trabalho que vinha registrando fechamento de vagas desde o início da pandemia, no final de março. “Ainda é cedo dizermos que a ‘chavinha’ virou, porque depende muitas variáveis, e de como a economia vai se movimentar daqui pra frente, mas é uma boa notícia depois de tantos meses em estado crítico”, assinala.

Esperança renovada

A publicitária Karina de Cassia. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

A história da publicitária Karina de Cassia Xavier Lemes, de 24 anos, é uma espécie de síntese do movimento feito pelo mercado de trabalho diante da desaceleração da economia imposta pela crise decorrente do novo coronavírus.

A jovem havia sido admitida no início de março para reforçar a equipe de atendimento de uma agência de publicidade de Sorocaba, mas na semana seguinte, quando os funcionários migraram para o sistema home office, ela foi comunicada de seu desligamento, já que alguns clientes sinalizavam rever o contrato como forma de reduzir custos.

Desempregada, passou boa parte da quarentena em casa, a fim de proteger os pais e avós e, em parceria com a irmã, começou a fazer pães caseiros para vender. “Tinha perdido as esperanças (na recolocação no mercado formal). Imaginei que ficaria um bom tempo desempregada”.

Há um mês, no entanto, com a retomada gradativa dos contratos da agência de publicidade, ela foi recontratada pela empresa. Ela relata que após essa experiência, passou a valorizar ainda mais o trabalho, “afinal não é só entrar em uma empresa, tem que lutar para se manter e ser melhor a cada dia”, diz.

Coerência nas redes sociais

Profissional da área de recursos humanos com 20 anos de experiência, Cristina Pontes assinala que não existe receita que garanta a recolocação de todos os candidatos ao mercado de trabalho, mas destaca que o atual momento tem sido favorável para que os profissionais consigam se atualizar em suas áreas, estudar mais e desenvolver novas habilidades. “Estar desempregado, a procura de emprego é difícil para todo mundo, mas a diferença está em como as pessoas se comportam neste período”, comenta.

Cristina assinala que a pandemia radicalizou o uso das novas tecnologias no ambiente de trabalho -- que agora pode ser em qualquer lugar -- , e os profissionais precisam estar atentos e antenados a essas ferramentas. “E mais importante do que dominar as ferramentas, é preciso ter coerência nas redes sociais. Não dá mais para ser uma pessoa dentro do trabalho e outra fora”, complementa, citando que a conduta dos candidatos e profissionais nas redes sociais tem sido cada vez mais analisada por recrutadores e empregadores.