Sorocaba e Região

Quadrilha acusada de estelionato atuava há dois anos, diz Polícia

Oito pessoas foram presas e foram apreendidos documentos falsos, cartões e carimbos de empresas
Material apreendido durante a operação foi levado à sede da Dise, em Sorocaba. Crédito da foto: Emídio Marques (16/7/2019)

*Atualizada às 12h

Oito integrantes de uma quadrilha acusada de estelionato foram presos em Sorocaba na manhã desta terça-feira (16). Segundo a Polícia Civil, eles falsificavam documentos para aplicar golpes em instituições financeiras, empresas de TV a cabo e internet e há a suspeita de fraudes até em aposentadorias. Além de estelionato, o grupo vai responder por organização criminosa e falsificação de documentos.

As prisões ocorreram durante uma operação deflagrada pela Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) após seis meses de investigação. Foram cumpridos nesta manhã dez mandados de busca e apreensão e oito de prisão temporária, em dez endereços diferentes, sendo oito deles em Sorocaba e um em Votorantim. O oitavo integrante da quadrilha estava foragido pela manhã, mas foi localizado no início da tarde.

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Durante o cumprimento dos mandados, os policiais identificaram dois locais usados como escritório pela quadrilha. Um deles era uma retífica de fachada e funcionava na Vila Formosa. Nos fundos desse galpão foram localizados equipamentos para a falsificação de documentos e cartões. No Santa Rosália, foi identificado um escritório de contabilidade usado pelo grupo.

Os outros oito endereços onde foram cumpridos mandados eram residências dos acusados. Em uma casa em Votorantim, residiam dois dos envolvidos, mas eles não estavam no local e foram encontrados em uma chácara em Sorocaba e também foram presos.

Em todos os locais foram apreendidos materiais usados no crime, incluindo documentos falsos, cheques, formulários para a falsificação de RGs, carimbos de empresas e até uma máquina para fabricação de cartões, além de notebooks e celulares.

Entre os presos está um homem de 49 anos acusado de ser o chefe da quadrilha. Ele foi detido em sua residência no Jardim Betânia e já tinha uma condenação por estelionato, segundo a Dise. Entre os documentos falsos apreendidos, havia pelo menos 12 RGs com a foto desse acusado, todos com nomes diferentes.

Um outro homem detido trabalhava em uma seguradora dentro de um banco de Sorocaba. Ele é acusado de obter ilegalmente informações sobre clientes desse banco que eram usadas para a falsificação dos documentos. A polícia apura a participação de funcionários de instituições financeiras no crime.

Outros dois presos tinham passagens policiais, incluindo um deles por tráfico de drogas, cuja participação na falsificação de documentos apontou para a existência da quadrilha. Dentre os presos sete são homens, com idades entre 30 e 49 anos, e uma mulher de 42 anos.

Os presos seriam ouvidos na sede da Dise à tarde e depois encaminhados para a Cadeia Pública de São Roque. A operação teve apoio da Polícia Militar de Votorantim e da Guarda Civil Municipal de Sorocaba.

Como funcionava o golpe

Segundo o delegado Rodrigo Ayres, a quadrilha tinha sede em Sorocaba e atuava em todo o Estado de São Paulo há pelo menos dois anos. Ela era dividida em duas partes, sendo que um grupo trabalhava com as falsificações e outro fazia o trabalho “de campo”, oferecendo os serviços e recrutando mais integrantes. Os golpes começavam com a obtenção de informações pessoais sobre vítimas em instituições financeiras.

Com esses dados, segundo o delegado, os acusados falsificavam documentos para a abertura de contas em bancos e obtenção de empréstimos. Eles também ofereciam para terceiros contratos para serviços de internet e TV a cabo, com nomes falsos, cujos serviços não eram pagos. Os serviços eram prestados por cerca de seis meses até que as empresas descobriam a fraude e então o contrato era feito novamente, com outro documento falso.

Ayres conta que a investigação também apurou possíveis fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social, já que o grupo oferecia serviços para auxílio em aposentadorias. “Por exemplo, se faltava um período de trabalho para que a pessoa se aposentasse, eles usavam documentos falsos para registrar de forma retroativa como empregado e completar esse tempo”, cita. A Dise apura se esse golpe chegou a ser aplicado.

A polícia ainda não tem a estimativa da quantia em dinheiro movimentada pela quadrilha e nem o número de vítimas.

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