Covid-19 Sorocaba e Região

Profissionais de saúde mudam rotina para enfrentar a pandemia

Há a necessidade de redobrar a proteção dos profissionais de saúde para evitar um colapso no sistema

Na linha de frente no combate ao novo coronavírus, profissionais da saúde contam que, nas últimas semanas, a rotina dentro e fora dos hospitais de Sorocaba passou por mudanças drásticas. Eles lembram da importância do isolamento social como arma para controlar a disseminação da doença e as precauções diárias para lidar de pacientes infectados ou em suspeita.

Uma enfermeira de 32 anos, que trabalha em dois hospitais da cidade — um particular e um que atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — contou que os casos suspeitos crescem a cada dia e pacientes que chegam às unidades com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já passam imediatamente a serem tratados como caso suspeito.

No hospital público, ela atua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a quantidade de pacientes que precisam de ventilação mecânica assusta. “Nenhum local está 100% preparado para lidar com a pandemia, falta estrutura e infelizmente falta bom senso das pessoas, que ainda não entenderam a gravidade do momento”, relata a profissional.

Ela explica que o local em que ficam os pacientes com confirmação ou suspeita da Covid-19 é completamente isolado e a equipe toma medidas diferenciadas. “O uso dos EPIs, os equipamentos de segurança, sempre foi feito, mas agora há ainda mais rigor”, contou a enfermeira, que afirma que os preços dos EPIs, como as máscaras dispararam. “Não está em falta, mas estamos usando com parcimônia, para não desperdiçar.” 

Risco desnecessário

Já a auxiliar de enfermagem de um hospital particular de Sorocaba contou que, na triagem para os atendimentos de urgência e emergência, muitas pessoas estão se colocando em risco. “Essa situação causa muito medo em todo mundo e percebemos que algumas pessoas procuram atendimento com sintomas leves de gripe, o que não é recomendado”, afirmou.

Ela lembra que os hospitais também reforçaram os termos de confidencialidade com os colaboradores e, por isso, não pode detalhar a situação dos pacientes com suspeita e confirmação de coronavírus. “O que eu vi nos últimos dias é que existe um grupo de risco, mas todos estão vulneráveis, já que temos pacientes bem novas internados”, frisou a mulher de 28 anos, que narra insegurança por residir com a avó. “Ainda nesta semana já providenciei uma mudança temporária para me afastar de casa. Ficarei na casa de uma amiga que mora sozinha”, contou.

Cuidados extras

Fisioterapeuta nas UTIs neonatal e pediátrica de um hospital público de Sorocaba, uma profissional de 27 anos conta que sua rotina mudou também em casa. “Só saio para trabalhar e ao retornar não entro com a roupa do hospital em casa. Tiro no quintal, coloco para lavar e vou direto para o banho. Também esterilizo tudo que vem comigo do hospital”, narra.

Na unidade de saúde, além das visitas que foram suspensas, ela conta que medidas como lavagem de roupa diária e distribuição ilimitada de álcool em gel também passaram a vigorar. “Até a circulação dos profissionais ficou restrita. Transitamos somente no espaço que é essencial.”

Desde que a pandemia começou a dar seus primeiros sinais na cidade ela conta que o hospital passou a fornecer uma roupa diferenciada aos trabalhadores. “O privativo é somente para profissionais do setor fechado, mas todos passaram a usar.”

Atenção redobrada

Para o médico epidemiologista André Ricardo Ribas Freitas, há a necessidade de redobrar a proteção dos profissionais de saúde para evitar um colapso no sistema, observado em alguns países, com o alto índice de contaminação de médicos e enfermeiros pelo Covid-19. “É fundamental a utilização correta dos EPIs para o atendimento de pacientes em geral, pois o coronavírus tem transmissão assintomática. Reduzir a circulação de pessoas nas unidades de saúde também contribui para as medidas preventivas”, explica. (Larissa Pessoa)

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