Sorocaba e Região

Prefeitura exige desocupação das instalações do Aeroclube de Sorocaba

Ofício cita que a concessão foi suspensa por constatar irregularidades no funcionamento do local
Seplan determina que os hangares sejam desativados até o dia 29 deste mês. Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Planejamentos e Projetos de Sorocaba (Seplan), através de ofício assinado pela titular da pasta Mirian de Oliveira Galvão Zacareli, solicitou que a diretoria do Aeroclube de Sorocaba, desocupe as instalações até o dia 29 deste mês. Segundo o documento, a Concessão de Direito Real de Uso foi suspensa por conta de irregularidades constatadas no local, como locação de hangares e abertura de restaurante.

Em julho deste ano o Cruzeiro do Sul apresentou denúncias sobre a concessão do espaço para terceiros e a Prefeitura de Sorocaba, após um mês de apuração, informou que não havia constatado irregularidades. Já no ofício, datado de 21 de novembro, afirma que a diretoria do Aeroclube desrespeitou os termos de concessão de uso. Através da Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom), a Prefeitura de Sorocaba foi questionada sobre o que mudou entre agosto e novembro em relação às irregularidades, mas não enviou respostas até o fechamento desta edição.

A Seplan, no documento despachado em novembro, pede para que a diretoria do Aeroclube desocupe os quatro hangares, alojamento, pátio do estacionamento e todas as demais áreas previstas na concessão de uso. Segundo a Prefeitura, o contrato de concessão de uso proíbe que a administração conceda “o imóvel, ou seu uso, no todo ou em parte, a terceiros”.
Conforme o documento, desde o início deste mês, uma equipe da Seplan foi designada para realizar uma fiscalização no Aeroclube e também inventariar todos os bens existentes no local. O ofício também orienta que todas as aeronaves em uso ou inoperantes e todos os equipamentos, sejam armazenados em um hangar, assim como todos os bens e instalações sejam preservados.

Entrada, na avenida Santos Dumont, onde funcionaria também um restaurante. Foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS

Nova diretoria

No dia 24 de novembro foi eleita a nova diretoria do Aeroclube. Com chapa única, Milton Andreoli foi o eleito e desde o dia 1º deste mês está à frente dos trabalhos. O diretor anterior, Marcos Antonio Ramos, foi procurado para comentar a situação, mas disse que não responde mais pelo Aeroclube. Já Andreoli informou que tem conhecimento do ofício e está trabalhando para se reunir com a Prefeitura de Sorocaba “para resolver a pendência sobre a desocupação”. “O coronel Ramos já passou tudo que estava sob sua responsabilidade e decidiu se afastar completamente das atividades do Aeroclube. Agora trabalharei para que tudo volte a funcionar normalmente”, afirma.

No ofício encaminhado pela Seplan consta que a administração municipal aguardaria a posse da nova diretoria para realizar o inventário e trataria com o novo responsável uma maneira de executar o que chama de “Programa de Recuperação do Aeroclube de Sorocaba”, que deve ser iniciado a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

Diretor eleito diz que tentará evitar o fechamento do local

O diretor eleito do Aeroclube de Sorocaba, Milton Andreoli, informou que ainda este mês pretende planejar a gestão 2019/2020 do Aeroclube, em reunião com representantes da Prefeitura. Segundo ele, o processo de inventário aponta para o fechamento do local e é justamente isso que ele tentará evitar. Andreoli afirma que irá propor uma parceria com a Prefeitura para possibilitar a concessão dos hangares e restaurante para terceiros, pois o Aeroclube, afirma, precisa que esses espaços sejam locados para financiar a manutenção da instituição.

A crise financeira no Aeroclube de Sorocaba, segundo Andreoli, é grave e atualmente até a água está cortada no local por falta de pagamento. “Eu assumi o Aeroclube quebrado, mas não responsabilizo as diretorias anteriores e sim a diminuição de sócios e a crise financeira que afetou o País todo. O aeromodelismo é muito caro”, afirma. Os hangares, quatro ao todo, já estão ocupados por empresas e há também um restaurante no local, que está alugado. Andreoli afirma que o aluguel desses espaços é determinante para que o Aeroclube continue em funcionamento.

Ele conta que mesmo quando era somente sócio do local, sabia que atrasos no pagamento do aluguel eram comuns, tanto por parte do locador do restaurante quanto dos hangares. “Eu estou aberto a novas propostas e pretendo apresentar mensalmente as receitas e os gastos do Aeroclube, mas sempre nos valemos da terceirização do espaço para mantê-lo, já que somente a escola não gera lucro que possa arcar com as contas e o pagamento dos funcionários”, disse.
Andreoli atribui à falta de transparência e desinteresse da sociedade a decisão da Prefeitura de suspender a concessão de uso, mas afirma que os relatórios mensais devem fazer com que a idoneidade da nova direção não seja colocada em cheque. Atualmente o Aeroclube conta com aproximadamente 30 sócios e quatro funcionários.

O foco dos trabalhos de Andreoli, além de regularizar a situação com a Prefeitura e manter o Aeroclube aberto, é retomar os cursos práticos de piloto, suspensos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde setembro deste ano.

O diretor afirma que já está em tratativas para conseguir um avião que possa fazer voos noturnos e assim voltar a oferecer os cursos. “Hoje temos duas aeronaves para voos diurnos, mas com a chegada do novo modelo os cursos serão retomados em breve”, disse. Andreoli também pretende, a partir do ano que vem, promover eventos do Aeroclube abertos à comunidade.

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