Sorocaba e Região

Prédios do Sabe Tudo, em Sorocaba, estão sem uso há mais de dois anos

Prefeitura ainda não sabe o que fazer com as 32 unidades, que estão abandonadas nos bairros
Em abril deste ano os prédios voltaram a ser de responsabilidade da Secretaria de Educação. Crédito da foto: Fábio Rogério

Os 32 prédios do Sabe Tudo estão há mais de dois anos sem funcionar e, como uma batata quente, a responsabilidade pelo uso das unidades já foi transferida de uma secretaria para a outra pelo atual governo e seguem abandonados. As atividades no Sabe Tudo foram encerradas em dezembro de 2015 (há mais de dois anos e meio), ainda durante a gestão de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), após fim do convênio com o Projeto Pérola, responsável por oferecer cursos de informática.

Projeto oferecia cursos de informática nas unidades. Crédito da foto: Luiz Setti / Arquivo JCS (08/10/2009)

Em maio de 2017 o prefeito José Crespo (DEM) anunciou que as unidades passariam a ser geridas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedeter) para realização de cursos profissionalizantes, criando o Programa Sabe Tudo Tech. Em abril deste ano os prédios voltaram a ser de responsabilidade da Secretaria de Educação, mas continuam sem nenhum uso.

Sem destinação

A Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom), questionada sobre os projetos para os 32 prédios, informou que “devido a questão de orçamento da Prefeitura, a atual administração ficou impossibilitada em dar prosseguimento ao projeto Sabe Tudo Tech”. Conforme a nota, ainda no mês de agosto será apresentada “uma solução em relação a isso”.

Golob: prioridade de uso dos prédios não é da Educação. Crédito da foto: Secom Sorocaba / Arquivo

O secretário de Educação Mário Bastos, em entrevista na quinta-feira passada, informou que a Sedu não tem mais responsabilidade em relação aos prédios. Posteriormente seu assessor, o servidor Eduardo Golob, informou que um decreto assinado por Crespo no dia 4 de abril de 2018, devolveu à Sedu a responsabilidade pelas unidades, porém mantendo o Programa Sabe Tudo Tech. “A Sedu pode usar os prédios, mas a prioridade é da Sedeter.”

Golob conta que como a pasta de Educação tem orçamento maior, ficou encarregada de zelar pelos prédios e custear o que for necessário.

Prédios em más condições

A maioria das unidades do Sabe Tudo está com a fachada pichada, como é o caso do prédio anexo à Escola Municipal Professor Luiz Almeida Marins, no bairro Júlio de Mesquita Filho. Lisabete de Fátima Santos, 46 anos, é mãe de um aluno da 3ª série e conta que o Sabe Tudo está abandonado. “Fecharam tudo e as coisas estão lá dentro apodrecendo, o prédio se deteriorando e os alunos é que perdem a oportunidade de usar essa infraestrutura”, reclama. Trancada, a unidade tem pichações e sujeira em volta, assim como no prédio anexo à escola Zilah Dias Scherepel, no Jardim Santo André.

Em pior condição está o Sabe Tudo do Parque das Laranjeiras, que fica ao lado da Escola Estadual Professor Antônio Cordeiro. Além das pichações, a unidade está aberta, com vidros quebrados, mato alto e muito lixo. Uma moradora das proximidades, que pediu para não ser identificada, contou que é comum a entrada de pessoas no local e segundo ela, muitas são usuárias de droga.

“A gente fica até com medo, porque são pessoas viciadas, algumas perigosas, que acabam fazendo desse lugar um ponto de tráfico”.

Sem uso, prédios estão pichados e se deterioram com o tempo. Crédito da foto: Fábio Rogério

Atendimento odontológico

Golob afirma que utiliza alguns prédios do Sabe Tudo para atendimento odontológico de alunos por meio de um consultório itinerante. “Quando a secretaria quer usar, entra em contato com a Sedeter para saber se tem alguma previsão de uso. Caso não tenha, nós usamos.”

O servidor diz que não há números de atendidos pelo programa, mas explica que a Secretaria de Saúde (SES), com esse módulo itinerante, percorre as unidades escolares.

Sabe Tudo Tech

O decreto que devolve os prédios do Sabe Tudo para a Sedu determina que o Sabe Tudo Tech tem como objetivo “promover e fomentar, em favor da população mais carente do município, inicialização à qualificação profissional de qualidade por meio de palestras, cursos e workshops sobre temas ligados ao desenvolvimento pessoal, empreendedorismo, cidadania, cultura, inovação e tecnologia”. Além dessa atribuição, os espaços ficarão “à disposição dos conselhos, associações de moradores e outras organizações devidamente cadastradas (…) com o objetivo de utilização para reuniões e ou atividades de promoção social”.

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