Sorocaba e Região

Pacientes de Sorocaba lamentam saída dos médicos cubanos das UBSs

Há preocupação com a continuidade de tratamentos após a saída do país do Mais Médicos
A família de Simone (mais alta, ao centro) era atendida pelos profissionais de Cuba. Foto: Erick Pinheiro

Uns saíram com abraços e palavras de agradecimento e outros assim de repente, sem direito a despedidas. O último dia dos 18 médicos cubanos que atuavam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Sorocaba, na quarta-feira, gerou queixas dos pacientes. Eles gostariam de continuar o tratamento com seus já conhecidos médicos. A parceira firmada há cinco anos entre Brasil e Cuba para o programa Mais Médicos foi rompida este mês.

A dona de casa Suzi Miranda, 43 anos, conta que tratava de pressão alta com o médico Yonel Cruz na UBS do bairro Vitória Régia. “Nossa, ele é muito bonzinho, atencioso. Melhor que certos médicos que a gente passa. Ele explicava tudo, perguntava se a gente tinha alguma dúvida…”, lembra. Já a sua filha, Arelly Vitória Miranda Morato, 11, passava com a doutora Vitória [não foi informado o sobrenome]. “Também muito boa médica. Quem não fica triste? Se dependesse de nós, né?”, lamenta Suzi.

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No bairro Ana Paula Eleutério (Habiteto), teve até choro na despedida dos médicos Ramón Burgos e Marisol, que são casados e atuavam naquela unidade. A saída também não tinha sido anunciada antes. Foi tudo muito rápido.

A dona de casa Simone da Silva, 46, diz que gostava muito dele e da esposa. A família toda fazia tratamento com o casal de médicos. Simone estava ontem acompanhada do marido José Carlos Ribeiro Pedreiro, 49, a filha Kemily Vitória Alves Ribeiro, 11, e os sobrinhos Cassiele Cristina Pereira Silva, 24, Pablo Henrique, 6, e Adrian, 4. Eles ficaram chateados com a saída dos cubanos.

Quem estava mais nervosa ontem era a dona de casa Jaciara Maria da Silva, de 48. Ela contou que é diabética e até então estava tudo controlado. “Para mim esse negócio já começou mal, deixassem o Ramón e a Marisol aqui”, reclamou.

O problema é que ela tem consultas agendadas para os dias 27 e 30 de novembro e com a saída dos médicos cubanos, a informação que obteve é que não faltariam médicos, mas isso vai acontecer até 7 de dezembro. “Minha consulta é antes, dia 27. Disseram que terei de vir para remarcar, mas será que vai ter médico para o meu caso?”, questiona.

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Seu maior medo é ficar sem atendimento, como no passado. “Antigamente não tinha médico aqui, mas com eles sempre teve. Bolsonaro mal chegou e já está dando nisso”, disse, referindo-se a declarações feitas pelo futuro presidente do Brasil e que teriam sido o motivo do desligamento de Cuba do programa. “Eu estava tomando meu remédio certinho e agora? Estou nervosa porque preciso de médico. Isso pegou a gente de surpresa, entendeu?”

A nora de Jaciara, Maria Araújo Silva, 35, observa que os médicos cubanos estavam sempre atendendo e compara com os profissionais da cidade. “Dentista, por exemplo, o certo era ter todos os dias. Hoje (ontem) não tem nenhum aqui e são só 7 vagas por dia. Tem de chegar cedinho para conseguir.”

Voltando a falar sobre a questão dos médicos cubanos, Jaciara acredita que deveriam ter feito um sistema de transição, em que um médico conversasse com o outro que iria assumir, para passar os casos. “Fizeram eles saírem assim, de um dia para o outro, como se estivessem fazendo algo errado. Pode colocar aí: o posto Ana Paula Eleutério está em luto.”

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