Sorocaba e Região

Organização social assume a gestão do Conjunto Hospitalar

A entidade irá administrar os dois hospitais do complexo: o Regional e o Leonor Mendes de Barros
Organização social assume a gestão do Conjunto Hospitalar
Ato chama a atenção para os problemas no CHS, e gestor pede voto de confiança aos funcionários. Crédito da foto: Emidio Marques

O Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), Organização Social de Saúde (OSS) que venceu o chamamento público promovido pelo governo estadual, assumiu oficialmente nesta quinta-feira (1º) a gestão do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). A entidade irá administrar os dois hospitais do complexo: o Regional e o Leonor Mendes de Barros.

Diante do início do trabalho de gestão no CHS, Paulo Quintaes, superintendente do Seconci, disse que tem noção do desafio, mas prometeu que será “um ganho para todos, tanto funcionários quanto pacientes”. Ao ser questionado sobre a questão da falta de insumos no conjunto, algo noticiado com certa frequência, garantiu que o problema ficará no passado. “Não vai existir esse problema dentro da unidade, ao menos em situações que dependam de nós. O modelo de compras das organizações sociais facilita, é mais ágil. Mas é claro que, se for algo relacionado ao comércio, não temos como interferir”, cita.

No que diz respeito à contratação de novos funcionários, o superintendente do Seconci afirmou que deve ter início em janeiro de 2019. Algumas necessidades, segundo ele, já vinham sendo identificadas durante o período de transição. “Algumas lacunas são cobertas por plantões extras, que serão mantidos em novembro e dezembro, conforme firmamos com a secretaria estadual. Mas, a partir de janeiro, haverá a contratação de funcionários justamente para não ter mais plantões extras. O número de contratações ainda não sabemos. Apesar dos dois meses de transição, é a partir de hoje (quinta-feira – 1º) que vamos estar no dia a dia da unidade”, comenta.

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Além de absorver os funcionários que já eram de terceirizadas, como os da UTI adulto, portaria e limpeza, a organização social trouxe prontamente uma equipe de anestesia, informa Quintaes. “Percebemos essa necessidade, o que é um problema muito comum no Estado e que causa retardamento de cirurgias.” Em relação a investimentos na infraestrutura do CHS, o superintendente alegou que há inegavelmente a dependência de recursos do governo estadual. “Estamos fazendo um levantamento das necessidades prioritárias para, em 2019, buscar uma renovação do hospital. Algumas medidas vamos conseguir imediatamente, como a pintura da área do Regional e também do Leonor.”

Ato no CHS

Nesta quinta-feira (1º), o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP) promoveu um ato no CHS, junto a alguns funcionários, para o que chamaram de “Mobilização em defesa do CHS”. A entidade fez algumas críticas ao Seconci-SP. Entre outros pontos, o Sindsaúde alegou que a OSS, desde o processo de transição, não teria estabelecido diálogo com os trabalhadores para explicar os planos da nova gestão, que teria alterado o horário de trabalho de alguns profissionais “sem critérios” e que teria inclusive pedido uma ampliação da meta de atendimentos no CHS: atualmente, conforme o sindicato, são cerca de 900 mensalmente e o objetivo do Seconci, segundo o Sindsaúde, seria de aumentar para 1.500. “Isso tudo sabendo que o CHS tem um déficit atual de mil funcionários. E, de acordo com as primeiras conversas, o Seconci só pretende contratar a partir de janeiro”, afirma o diretor regional do Sindsaúde-SP, André Antonio Fonseca Diniz.

Ao Cruzeiro do Sul, o superintendente do Seconci-SP, Paulo Quintaes, negou a falta de diálogo. “Durante os dois meses de transição, setembro e outubro, tivemos reuniões com o sindicato, nas quais foram pontuadas todas as manifestações dos funcionários e que pudemos colocar as questões que envolvem a migração do trabalho de administração direta para organização social. Todos os questionamentos foram respondidos e muito bem esclarecidos. Quanto a reuniões diretas com os funcionários, a própria diretoria e o RH do CHS realizou várias em grupo ou particulares, passando para os funcionários o que aconteceria depois do período de transição”, declara.

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Sobre a alteração de horários, Quintaes garantiu que em reuniões com o sindicato foi pactuado que, na medida do possível, os funcionários continuariam nas mesmas funções e horários. “Acontece que, na transição, nos deparamos com algumas situações. No serviço social, por exemplo, percebemos a necessidade de alteração para atender à demanda e à legislação, mas sempre dialogando. A mudança será sempre em prol da assistência.” Quanto à meta de atendimentos, o superintendente disse não entender a alegação do Sindsaúde. De acordo com ele, na proposta de trabalho, a própria Secretaria Estadual da Saúde detalha os números desejados mensalmente: 1.100 internações, cerca de 3 mil atendimentos de urgência e emergência, aproximadamente 700 cirurgias, 15 mil atendimentos ambulatoriais, 1.800 exames de imagem, 1.700 sessões de quimioterapia e 2.500 sessões de hemodiálise.

Outra reclamação do sindicato tem relação com a falta de um local apropriado de descanso para os funcionários, principalmente depois das refeições. “Os profissionais almoçam e não têm um lugar para ficar, descansar”, critica. Quintaes reconheceu a situação e falou que “vamos partir em busca desse local em um curto espaço de tempo”.

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Ainda durante o ato, o diretor regional do Sindsaúde fez questão de elogiar o trabalho dos profissionais do CHS. À reportagem, o superintendente do Seconci pediu um voto de confiança aos funcionários. “Quero colocar para todos eles que o objetivo aqui é somar, trazer agilidade, qualidade no atendimento e melhorias contínuas.”

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