Sorocaba e Região

O drama de quem depende de ajuda para conseguir alimento e moradia

Sorocabanos lutam para ter uma vida melhor
O drama de quem depende de ajuda para conseguir alimento e moradia
Arnaldo vive de bicos de jardineiro para sustentar a família. Crédito da foto: Emidio Marques

O desemprego e o abandono paterno fazem com que a única renda de Sílvia Santos dos Anjos, 27 anos, seja R$ 269 por mês, que é o benefício do Bolsa Família. Esse dinheiro é o que mantém ela e os dois filhos, um menino de seis anos e uma menina de dois.

Sílvia conta que foi demitida quando estava no sexto mês de gestação da filha mais nova e por conta da irregularidade trabalhista, não conseguiu receber seguro desemprego e nem mesmo a licença maternidade. “Eu uso o benefício para comprar o material escolar do meu filho, remédio quando precisa , leite e fralda. Alimentação e roupa, infelizmente, é contando com a ajuda dos outros”, conta. As crianças também não recebem a pensão paterna.

 

Atualmente ela mora “de favor” na casa de uma tia no Jardim Ipiranga e conta que vem batalhando para conseguir colocar a filha na creche e assim começar a fazer bicos. “Não é por falta de tentar. Eu mando currículo todo dia, aceito o que aparecer, mas a situação está muito difícil”, conta a jovem, que no último emprego trabalhou como operadora de caixa em um supermercado, que já fechou as portas, e não pagou a rescisão corretamente.

Na última semana, o filho de 17 anos de Fabiana Aparecida Iassunichi Ferreira, 41, fazia uma entrevista de emprego enquanto ela concedia a entrevista ao Cruzeiro do Sul e toda a expectativa estava sobre o adolescente. “Meu marido está desempregado desde que a empresa dele faliu e não pagou nada. Isso já tem mais de um ano. Eu não consigo arrumar nada e em casa são sete pessoas”, lamentou. Fabiana também tem outros dois filhos já casados, que não vivem com ela e também crianças de 13, 10, 8 e 4 anos, além do adolescente de 17, que moram na casa que ela recebeu de herança dos pais no Jardim Ipiranga. “Se eu tivesse que pagar aluguel com certeza estaríamos passando fome”.

Somente o benefício do Bolsa Família faz parte do orçamento na casa de Fabiana e ela conta que quando o gás de cozinha acaba, por exemplo, é a certeza de um mês difícil. “Só na compra do gás já vai quase metade do que eu recebo e aí a gente fica com gás, mas sem mistura”, relata.

Ela conta que as doações que recebe de cestas básicas é o que garante a comida na mesa, mas muitas vezes sabe que os filhos sentem vontade de comer coisas comuns para a maioria das crianças, como chocolate, salgadinho, frutas ou bolacha recheada. O acompanhamento dos filhos na escola e nas UBSs, conta Fabiana, é sagrado. “A gente se vira para tentar dar o melhor para eles, mas têm dias que parece que não vai dar certo”.

Mesmo com muitas dificuldades em casa, Arnaldo Dias, 64, ainda tem tempo e disposição para ajudar no Cras Vitória Régia. Ele é um dos assistidos e também beneficiário do Bolsa Família. O homem tem um problema grave na perna, mas ainda não conseguiu se aposentar e para garantir o alimento da família, faz bicos de jardineiro. “Quando eu estou livre dou uma mão lá no Cras, cuido da horta, faço oficina com a criançada. Cada um tem que fazer a sua parte.” Na casa que Arnaldo divide com a companheira residem mais três pessoas.

Ele brinca que a família muitas vezes o chama de “mão de vaca”, pois é muito econômico. “Eu faço até 50 centavos renderem porque sei o valor, sei que com esse dinheiro posso comprar alguma coisinha diferente para o meu neto”. Com o dinheiro do benefício, Arnaldo também compra fraldas e mantimentos, mas conta que se não souber “segurar o dinheiro, a fome chega sem dó”.

Há quatro meses Joelma Antônia das Neves está coordenando o Cras Vitória Régia e conta que a comunidade é muito unida e há muitas pessoas que mesmo na dificuldade, fazem questão de contribuir. “São muito unidos e um se importa com o outro.” Ela conta que o Cras disponibiliza vale-transporte caso algum dos auxiliados precise resolver pendências no Centro da cidade e também faz o acompanhamento de casa em casa. (Larissa Pessoa)

Comentários