Sorocaba e Região

Número de usuários do transporte coletivo de Sorocaba cai pela metade

Levantamento feito pelo Cruzeiro do Sul baseia-se em dados públicos da Urbes que responsabilizam a pandemia
Número de usuários do transporte coletivo de Sorocaba cai pela metade
Paralisações dos condutores em 2020 também influenciaram na queda de demanda do transporte coletivo. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (22/6/2020)

O número de usuários transportados em Sorocaba, pelas empresas de ônibus com concessão fiscalizada pelo município, caiu pela metade em 2020, se comparado com 2019.

Além disso, como reflexo da pandemia do novo coronavírus, o número é o menor dos últimos 21 anos. As informações fazem parte de um levantamento realizado pelo Cruzeiro do Sul com base em dados públicos da Urbes, a empresa municipal que gerencia o trânsito e o transporte de Sorocaba.

Comparativo da queda de usuários

De acordo com esses dados, a média mensal de passageiros transportados em 2020 pelo sistema de transporte coletivo da cidade foi de 1.811.143,17.

É 52,2% menor do que a média de 2019, quando 3.781.028,58 foram transportados pelas duas empresas que operam o sistema, o Consórcio Sorocaba e a Sorocaba Transportes Urbanos (STU).

Ao longo do ano foram transportados 21.733.718 passageiros em 2020. Enquanto que em 2019, esse número foi de 45.372.343. Ou seja, foram 23,6 milhões de usuários a menos.

A quilometragem rodada também apresentou redução no ano passado, mas em menor proporção. A média mensal foi de 1.638.197,92. No anterior, havia sido de 2.458.108,58. A redução foi de 33,4%.

Urbes fala em pandemia

No site da Urbes, há uma nota afirmando que a partir de março de 2020 houve uma queda de demanda devido à pandemia do novo coronavírus e também devido a paralisações dos condutores do transporte coletivo.

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Entretanto, quando se observa os números, é possível afirmar que a queda já ocorria nos primeiros meses de 2020. Em janeiro, por exemplo, houve redução de 154 mil usuários com relação ao mesmo período do ano anterior. Em fevereiro, caiu ainda mais com relação ao mesmo mês de 2019. Foram 286 mil passageiros a menos.

No mês seguinte, já com o primeiro caso registrada na cidade do novo coronavírus, houve redução de 1,3 milhão de usuários.

Greve também seria uma causa

A nota lembra que em julho de 2017 houve uma queda na demanda devido à greve dos condutores do transporte coletivo. Foi a greve no transporte coletivo mais longa da história da cidade.

Na evolução dos dados, em abril houve a situação mais drástica, com redução de 87% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O número foi de 4 milhões para apenas 533 mil. Os números foram aumentando de forma gradativa ao longo dos meses, até fechar dezembro com 2 milhões de passageiros transportados. Ainda assim, 38% a menor que em dezembro de 2020.

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Últimas décadas

Porém, quando se observa o histórico da evolução da quilometragem e do número de passageiros transportados nas últimas duas décadas, os dados apontam que em 2020 esses índices foram os menores ao menos desde 1999. Eles podem ser ainda menores em função de números anteriores a 1999 não estarem disponíveis par consulta.

O pico no número de passageiros transportados ocorreu em 2014, quando a média mensal beirou os 5 milhões. Durante todo o ano, o total de usuários bateu 59.980.428.

O que diz a Urbes

Questionada sobre a situação, a Urbes afirmou que a pandemia foi o único fator que influenciou nas reduções de 2020. “Em razão da necessidade de isolamento social, fechamento de postos de trabalhos e suspensão das aulas, o que teve relação direta com os deslocamentos diários dos usuários do transporte coletivo”, diz a empresa pública.

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A instituição também comentou sobre esforços para trazer o usuário de volta ao sistema. “A Urbes tem promovido investimentos em melhorias da frota e na qualidade contínua dos serviços oferecidos, priorizando a circulação dos ônibus em corredores exclusivos, como foi feito com a implantação do sistema BRT”, comenta.

“E, ainda, ações de reforço em segurança sanitária, como a limpeza dos veículos por radiação ultravioleta e a utilização de tecido especial antiviral. Outra medida nesse sentido é a realização de monitoramento diário da demanda de passageiros, o que tem permitido o aumento gradual da frota de forma assertiva e a ampliação do número de viagens, sobretudo nos horários de picos, para evitar aglomerações”, informa.

Recuperação

Embora longe de chegar ao patamar dos últimos 21 anos, a quantidade de passageiros transportados em janeiro deste ano foi de 2.106.767, maior que o número registrado em dezembro, de 2.061.237. (Marcel Scinocca)

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