Em meio à oscilação, Sorocaba gera vagas de emprego
Embora favorável, com a criação de 214 vagas, número representa desaceleração em relação a agosto
Sorocaba manteve saldo positivo na geração de empregos formais em setembro. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram 214 novas vagas, reflexo de 11.799 admissões ante 11.585 demissões. Embora favorável, o resultado é inferior ao de agosto, quando a cidade teve saldo de 1.333 vagas.
A oscilação no mercado de trabalho fica ainda mais evidente na comparação com os números de junho e julho, meses em que a cidade apresentou saldos negativos, de -233 e -901, respectivamente. Segundo o economista Paulo Ricardo, esses altos e baixos estão relacionados ao cenário que o município, bem como todo o Brasil, está vivendo em 2026.
"Nós estamos em um ano atípico, com eleições, Copa do Mundo. Esses fatores contribuem para a oscilação no mercado de trabalho", destaca o especialista. "Com certeza o fator eleitoral, diante de um cenário de juros muito altos, com a Selic próxima aos 13,75% ao ano, cria uma ansiedade no mercado financeiro."
Diante dessa realidade, Paulo cita o impasse de muitos empresários: investir na empresa, em maquinário e na contratação de mais mão de obra, ou em renda fixa.
"Por exemplo, se o empresário tem R$ 1 milhão e opta pela renda fixa, ele diminui o risco, tendo, entre muitas aspas, a certeza de ganho. É muito diferente de, de repente, arriscar ampliar o seu negócio, contratar e ter o risco de levar um processo trabalhista ou até mesmo ter problemas tributários", exemplifica.
Além disso, o economista ressalta questões macroeconômicas, como a imposição de tarifas, guerras e o aumento do combustível e do dólar, bom para quem exporta, ruim para quem importa. Todos esses fatores também influenciam a decisão dos empregadores.
O que esperar dos próximos meses?
Ao olhar para o futuro, Paulo Ricardo acredita que os próximos meses serão fundamentais para a economia, uma vez que muitos empresários aguardam um posicionamento político para decidir os próximos passos.
"Nós vamos acompanhar as decisões do governo, quem vai ser o novo ministro da Fazenda, se a tendência de alta vai continuar ou se teremos uma tendência de baixa de juros da Selic", aponta o economista. "Portanto, depende muito mais de uma questão política e econômica do que propriamente da vontade do empregador."
Setores em destaque
Em setembro, a indústria liderou entre os setores com mais contratações, com saldo positivo de 152 vagas. O resultado vai ao encontro da vocação industrial de Sorocaba, também conhecida como "Manchester Paulista".
"Trazendo para a realidade da cidade, existem indústrias que possuem benefício fiscal. Portanto, elas têm metas de contratação, de geração de emprego, que devem ser cumpridas para obter isenções", explica o economista. "E nós também estamos em uma região industrializada e que sempre teve histórico de contratar bastante, até mais do que os índices nacionais."
Os setores de serviços e comércio também tiveram resultados positivos, com 131 e 98 vagas, respectivamente. A tendência para os próximos meses, com a aproximação da Black Friday e das festas de fim de ano, é que esses números cresçam.
A construção civil foi o único segmento com mais demissões do que admissões, com saldo negativo de 175 vagas. Segundo Paulo Ricardo, apesar do resultado, o setor cresceu 6% na cidade.
"Sorocaba é um polo que está com mais de 100 imóveis em construção, com prédios com mais de sete andares. Acredito que, neste caso, o maior problema seja realmente a contratação de mão de obra", afirma o especialista. "Porque é visível que o setor está em expansão, é só sair pela cidade e ver quantos prédios estão em construção." (Beatriz Falcão)