DDM Online quebra barreiras físicas e facilita atendimento de mulheres vítimas de violência
Serviço registra boletins de ocorrência por violência doméstica, ameaças, agressões psicológicas e solicita medidas protetivas
O medo do agressor, de julgamento, a vergonha, a dependência financeira e até mesmo a distância da Delegacia deixam de ser um impedimento com o atendimento virtual. O Estado de São Paulo passa a contar com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Online, onde é possível registrar Boletins de Ocorrência (BO) e solicitar medidas protetivas.
A ferramenta passa a estar na palma das mãos da mulher, como explica a Delegada Titular das DDMS Online do Estado de São Paulo, Jamila Jorge Ferrari em entrevista à rádio Cruzeiro FM 92,3.
Na DDM Online é possível registrar casos de violência física, psicológica, patrimonial, moral ou vicária - praticada contra filhos, familiares, dependentes ou pessoas próximas à vítima. Mulheres em situação de risco que precisam de medida protetiva, ou seja, o afastamento do agressor e proibição de contato, também podem solicitar o documento de forma online.
“Nós temos em São Paulo uma equipe de policiais que analisa esse boletim de ocorrência, verificam qual crime aconteceu e então, encaminham esse pedido de medida protetiva para o Poder Judiciário, para que seja deferido o mais rápido possível. A mulher também recebe uma cópia desse boletim de ocorrência por e-mail e a partir de então, com a decisão judicial, ela passa a ter a medida protetiva sem precisar sair de casa, tudo de forma online”, explica a delegada.
O único tipo de violência que não pode ser registrada por meio da DDM Online é a violência sexual, estupro e estupro de vulnerável. “Nos casos de estupro de vulnerável e estupro, nós entendemos que a proteção da mulher, principalmente na questão médica, é mais importante, então nós não registramos esses boletins de ocorrência”, explica a delegada.
A delegada reforça, "a culpa da violência nunca é da mulher, a Polícia Civil do Estado de São Paulo está de portas abertas para acolher essas mulheres e ajudá-las a romper o ciclo da violência".
DDM Online
Para acessar a DDM Online é necessário um smartphone ou notebook, computador, tablet, qualquer aparelho com acesso a internet. O dispositivo não necessariamente precisa pertencer à vítima.
O boletim pode ser registrado no site https://delegaciadigital.policia-civil.sp.gov.br/pagina-inicial ou por meio do aplicativo Delegacia Digital, disponível para Android ou iOS. A ferramenta funciona em todo o Estado de São Paulo para crimes que tenham ocorrido dentro do estado. Após realizar o cadastro é possível utilizar a plataforma.
Após o registro do Boletim de Ocorrência, a Polícia entra em contato da maneira que a vítima autorizar, seja por telefone ou chamada de vídeo. Em alguns casos é necessário orientar a vítima sobre algum tipo de perícia necessária, ou coletar mais detalhes sobre o ocorrido. Depois de registrar as informações, o BO é validado e são tomadas as devidas providências para investigação e deferimento de medida protetiva, se necessário.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher da cidade em que a vítima está, se não houver, a investigação é realizada pela Delegacia de Polícia.
Aumento de casos
A delegada afirma ainda que quando há aumento no registro de casos é preciso avaliar se os casos de fato estão aumentando ou se as mulheres estão conseguindo denunciar. “A gente precisa analisar os dados de uma forma mais ampla. Quando a gente fala do aumento do registro de boletins de ocorrência, de lesão corporal, de ameaça, de xingamentos, de calúnia, injúria, difamação, até que ponto isso não significa que essas mulheres estão com mais coragem, mais acesso para denunciar. Nós sabemos que a violência doméstica e familiar, ela é uma violência subnotificada, ela acontece dentro de casa, muitas vezes essa mulher, como a gente já disse anteriormente, não consegue registrar o boletim de ocorrência por medo, por vergonha, por dependência financeira”, afirma.
O que a delegada alerta e afirma ser também uma preocupação do Governo do Estado de São Paulo, é que não haja aumento no número de feminicídios. “Aumento de denúncia significa aumento de medida protetiva, de proteção às mulheres. Aumento de feminicídio, de fato, tem que ligar um alerta e fazer com que a gente consiga criar mais políticas públicas, levar essa mulher até a delegacia antes que algo mais grave aconteça e assim a gente diminui o número de mulheres que venham a ser assassinadas no Estado”.
Em 2025, foram registrados quatro casos de feminicídio em Sorocaba, dois em Tatuí, e em Itapeva, Itu, Mairinque, Piedade, Pilar do Sul e Votorantim registraram um caso, totalizando 12 casos. Já em 2026, até o momento, foram registrados sete casos em Sorocaba, dois em Salto, três em Votorantim, dois em Botucatu, um em Iperó e dois em Itu, totalizando 17 casos. Os dados são do portal da SP Vidas da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP).