Região de Sorocaba registra menor número de homicídios para setembro desde 2018
Roubos em geral e de veículos também atingiram os menores números da série histórica no acumulado de janeiro a setembro; secretário estadual destaca integração das forças policiais
A região de Sorocaba registrou sete homicídios dolosos em setembro, contra 20 ocorrências no mesmo mês de 2025, uma redução de 65%. O resultado é o menor para setembro desde 2018 e o segundo mais baixo da série histórica, iniciada em 2001. Os dados abrangem os municípios atendidos pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 7 (Deinter 7), que inclui Sorocaba e Itapetininga.
Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã desta terça-feira (3), o secretário estadual da Segurança Pública, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu o desempenho ao trabalho integrado das forças policiais e às ferramentas de monitoramento. “Foram números impressionantes. Eu acho que, das cidades, foi uma das que mais despencou os indicadores. Fico muito feliz com isso, porque demonstra o trabalho que está sendo feito pelas polícias locais, Polícia Civil, Polícia Militar, Técnico-Científica, Guarda Metropolitana, todo mundo aí que está ajudando”, declara.
Além dos homicídios, outros indicadores também apresentaram queda em setembro. Os roubos em geral diminuíram 19,8%, de 166 para 133 registros, enquanto os furtos recuaram 41,6%, de 2.167 para 1.265. Nos crimes envolvendo veículos, os roubos passaram de 49 para 19 ocorrências, redução de 61,2%, e os furtos caíram 9%, de 265 para 241.
Ao comentar os resultados, o secretário menciona a atuação de programas de monitoramento e a comunicação entre as corporações. “A gente não quer que aconteça nada, mas a luta está sendo feita. Isso se deve aos nossos programas, à Muralha, à conversa, ao diálogo que a gente tem entre as polícias”.
Menores índices
No acumulado de janeiro a setembro, os roubos em geral somaram 1.350 ocorrências, contra 1.672 no mesmo período de 2025, queda de 19,2% e menor resultado da série histórica. Os roubos de veículos também atingiram o menor patamar para o período, com 282 casos, ante 475 no ano passado, redução de 40,6%.
Os furtos em geral diminuíram 11%, de 19.275 para 17.145 registros. Já os furtos de veículos passaram de 2.427 para 2.204, queda de 9,1%. Os homicídios dolosos recuaram 10,4% no acumulado do ano, de 144 para 129 casos, menor número para o período desde 2021. Os latrocínios também apresentaram redução: foram dois registros entre janeiro e setembro, contra dez no mesmo intervalo do ano passado, queda de 80%.
Operações integradas
Na entrevista, Nico Gonçalves aponta o compartilhamento de informações entre as forças de segurança como uma das principais estratégias de enfrentamento à criminalidade. Ele cita o escritório de integração instalado em Campinas, que reúne Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal. Segundo o secretário, desde 2023 foram realizadas mais de 280 operações em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e mais de 270 com a Polícia Federal.
“O diálogo e as conversas são constantes. A gente tem uma informação e consegue passar para a outra, que tem outra, e conseguimos montar as operações”, explicou. Para ele, a frequência dessas ações demonstra a importância da cooperação entre as instituições. “Se você dividir por dias, a cada dois dias tem uma operação da Polícia Civil junto com o Gaeco, junto com a Polícia Federal. É aí a nossa grande força no combate à criminalidade”, acrescentou.
O secretário também menciona uma operação realizada na Bolívia cerca de três semanas antes da entrevista. De acordo com ele, dez policiais paulistas participaram da ação, que resultou na prisão de dois homens apontados como lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e responsáveis pelo abastecimento de drogas em São Paulo. A operação foi articulada com o governo boliviano, a Polícia Federal e o Gaeco.
Denúncias
Nico Gonçalves ressaltou ainda que a colaboração dos moradores é importante para direcionar o policiamento e auxiliar na identificação de atividades criminosas. A população pode comunicar informações pelos telefones 181, do Disque-Denúncia, e 190, da Polícia Militar.
“A informação é muito importante para que a população nos ajude a determinar o policiamento em determinado local”, diz. O secretário explica que as denúncias são mantidas sob sigilo e podem contribuir para a organização de operações policiais.