Ex-bancário produz azeite premiado em Bom Sucesso de Itararé
Após quase duas décadas de experimentação, Nelson Jorge reúne cerca de 11 mil oliveiras e conquista reconhecimento internacional com o Azeite Orgânico
Depois de décadas no setor bancário, Nelson Jorge decidiu retomar as raízes rurais e investir em uma atividade pouco explorada no Sudoeste Paulista. Quase 20 anos após plantar as primeiras oliveiras na Fazenda São Benedito, em Bom Sucesso de Itararé, o empresário conquistou reconhecimento internacional com o Azeite Bene Orgânico.
Na safra de 2026, o produto recebeu seis distinções em cinco concursos internacionais, com medalhas de ouro na Turquia e em Israel, prata na Itália e premiações no Brasil e na Argentina. A fazenda possui certificação orgânica do Instituto Biodinâmico (IBD) desde 2018.
A história começou após a aposentadoria de Nelson do Banco do Brasil, em 2001. Depois de abrir uma empresa de logística para atender instituições financeiras, ele adquiriu uma propriedade rural, motivado pelas lembranças da infância em um sítio de cafeicultores.
Inicialmente, cultivou soja, trigo e hortaliças. A ideia de plantar oliveiras surgiu da observação das características do terreno, com altitude e boa drenagem, além da familiaridade com o azeite, presente na tradição de sua família, descendente de espanhóis e italianos.
O primeiro teste foi feito com cerca de 250 mudas. Com a adaptação das árvores, o projeto cresceu e chegou às atuais 11 mil oliveiras, ainda em diferentes estágios de desenvolvimento.
O pioneirismo, porém, exigiu aprendizado. Sem referências técnicas suficientes na região, Nelson precisou aperfeiçoar o plantio, o manejo e a estrutura de extração. Hoje, reconhece que teria buscado mais conhecimento antes de iniciar a atividade.
"Você tem que pensar 20 anos na frente mesmo, que foi o que eu não fiz", afirma.
A escolha pelo cultivo orgânico também marcou a trajetória. Após questionar o uso de insumos químicos na produção agrícola, o empresário interrompeu as atividades por dois anos e meio para recuperar o solo e preparar a propriedade para um novo modelo de produção.
Na safra mais recente, cerca de 2 mil oliveiras produziram aproximadamente 4 mil litros de azeite. Elaborado com as variedades arbequina, arbosana e koroneiki, o produto apresenta acidez declarada de 0,06%. A qualidade depende também dos cuidados na colheita, da rapidez na extração e do armazenamento adequado.
As premiações surpreenderam o produtor, que atribui os resultados ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos e ao empenho da equipe da fazenda.
"Eu tenho uma equipe maravilhosa na fazenda. São empenhados, são trabalhadores, são pessoas que projetam tudo o que pode acontecer", diz.
Com o reconhecimento internacional, Nelson pretende ampliar o olival e a estrutura de extração, além de conquistar novos consumidores para o azeite nacional. A participação na Feira do Empreendedor 2026, promovida pelo Sebrae-SP, fez parte da estratégia de apresentar o produto ao mercado paulista.
"Nosso objetivo é fazer com que o maior número possível de brasileiros experimente o azeite produzido no Brasil", afirma.