Uma história de amor por Sorocaba e pelo Cruzeiro
Assinante há 56 anos, Maria José realiza o sonho de morar na cidade que admirava desde a infância
Pelas janelas do trem, admirava Sorocaba e sonhava em, um dia, morar na cidade. A aposentada Maria José Antunes Rocha Rodrigues da Costa, hoje com 82 anos, já alimentava o desejo de deixar Laranjal Paulista, no interior do Estado, para viver no município que tanto a encantava.
"Eu gosto de Sorocaba desde pequena. Quando eu tinha cinco anos, viajava muito para São Paulo. Meu pai me levava, via uma série de coisas. E, quando o trem passava por Sorocaba, eu dizia: 'Ah, acho que um dia ainda venho morar nessa cidade', de tanto que eu gosto. E, quando passava na volta, eu adorava as luzinhas. À noite, Sorocaba é muito bonita. Então, eu amava Sorocaba", lembra.
O sonho começou a se concretizar quando Maria José ingressou no curso de pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba (Fafi), atual Universidade de Sorocaba (Uniso). Durante a graduação, foi convidada pela colega de turma Emília a morar com a família dela. Foi nessa época que teve os primeiros contatos com o Cruzeiro do Sul, que era assinado pela família da amiga e fazia parte dos hábitos de leitura da casa.
Ainda na faculdade, Maria José participou de uma atividade que guarda na memória. "Era 1961 ou 62. Nós fomos ao Cruzeiro, parece que um jornalista deu um workshop, uma oficina de leitura de jornal e escrita. E a gente se engraçou com a história, escreveu a reportagem, que fazia parte do trabalho, escreveu, saiu publicado naquela época", recorda.
Mudanças
Maria José se formou em 1965. Depois, se casou e foi morar com o marido em São Paulo. O casal seguiu para Jupiá, no Mato Grosso, durante a Ditadura Militar, e teve filhas gêmeas. Mais tarde, se mudou para Ilha Solteira. Como uma das meninas sofria de alergias, os dois decidiram prestar concurso para deixar a região.
Na hora de escolher onde estabelecer a família, Sorocaba voltou aos planos de Maria José. Desta vez, porém, a mudança seria definitiva. "'Vamos para São Paulo, porque a gente já morou em São Paulo, é tão legal, tem tanta coisa boa lá em São Paulo, a gente pode dar uma educação boa para os filhos'. Ele falou: 'Ah, não, São Paulo não. Vamos escolher outra cidade'. Aí eu falei assim: 'E que tal Sorocaba?'. Ele falou: 'Ah, Sorocaba é ótimo, porque fica perto de São Paulo, e Sorocaba é uma cidade grande'", conta.
A família criou raízes no município. Além das gêmeas Tânia Rocha Rodrigues da Costa Meulenberg, engenheira agrônoma, e Susana Rocha Rodrigues da Costa, médica, ambas com 57 anos, Maria e o marido tiveram Daniela Rocha Rodrigues da Costa, 55 anos, jornalista.
Em Sorocaba, Maria José também pôde concluir sua trajetória acadêmica e voltar a lecionar na instituição em que havia estudado. Acompanhou a transformação da faculdade em universidade e trabalhou na Uniso por 31 anos e meio.
Assinantes há 56 anos
Maria José e o marido, Nilton Rodrigues da Costa, 83 anos, são assinantes do Cruzeiro do Sul há 56 anos. Desde que se mudaram definitivamente para Sorocaba, em 1970, acompanham o crescimento e as mudanças da cidade pelas páginas do jornal.
Com carinho, Maria José conta que sua mãe, Elvira Casonato da Rocha, hoje com 109 anos, também utilizava o periódico para acompanhar a programação cultural do município e levar as netas aos eventos. "Ela participava dos teatros no Sesi com as minhas filhas", afirma.
Além da agenda cultural, Maria José gosta de acompanhar os acontecimentos locais. "Eu gosto de saber da cidade, de entender melhor. E eu gosto do papel mesmo, do jornal impresso, embora também assine a Folha virtual e veja no computador, eu gosto mais do jornal impresso", ressalta.
Ela destaca o interesse pelas fotografias, pelo trabalho dos fotógrafos, pelas crônicas e pelas páginas de opinião, como editoriais e artigos. O exemplar mais recente do Cruzeiro estava sobre a mesa de centro da sala. Na casa que acolheu a família ao longo de décadas, o jornal continua presente no cotidiano de Maria José e Nilton, um vínculo que atravessou gerações e acompanhou a história da cidade que ela sonhava em chamar de lar.