Protesto "Essa obra é um horror" reúne cerca de cem pessoas contra construção da Marginal Direita
Manifestação reuniu moradores e ambientalistas; obra foi suspensa pela Justiça Federal após ação do Ministério Público Federal
Cerca de cem pessoas realizaram um ato contra a construção da Marginal Direita do Rio Sorocaba na tarde deste sábado (31). Os manifestantes se reuniram na rua Saliba Mota e marcharam em direção à alameda Itapira. O grupo ocupou uma das faixas da avenida Dom Aguirre durante o ato. Os participantes exibiram faixas e cartazes, além de gritar palavras de ordem contra a obra.
A engenheira ambiental Bárbara Costa, integrante do Movimento Justiça Climática de Sorocaba, explicou o objetivo da mobilização. “A marcha é justamente para que as pessoas entendam o porquê de essa obra estar sendo feita, quais são os impactos dela e que isso pode piorar a situação das enchentes na nossa cidade”, afirmou.
Os manifestantes se revezaram nos microfones para criticar o empreendimento. Também lembraram outras intervenções ambientais realizadas na cidade, como as obras na Marginal do Córrego Itanguá. Houve ainda protestos contra o que os participantes classificaram como “truculência” da Guarda Civil Municipal (GCM) em manifestações anteriores.
Entre as preocupações apresentadas estão a retirada de árvores, os efeitos sobre a fauna e a flora e possíveis alterações ambientais nas margens do Rio Sorocaba. O grupo também questiona o cumprimento das condicionantes estabelecidas no licenciamento ambiental.
Bárbara também criticou a falta de comunicação sobre o início das intervenções. “Pessoas que moram em prédios próximos acordaram assustadas, no sábado de manhã, com o barulho das máquinas, sem saber o que estava acontecendo”, relatou.
Uma equipe de imprensa do próprio Ministério Público Federal esteve presente no ato para acompanhar o protesto.
Relembre o caso
A obra de prolongamento da alameda Batatais, conhecida como Marginal Direita do Rio Sorocaba, prevê a construção de uma via de 1,8 quilômetro de extensão. O projeto envolve intervenções em 5,71 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) e a supressão de 803 árvores, sendo 721 nativas.
As licenças ambientais foram emitidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em junho de 2025. No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) questionou o licenciamento, principalmente pela ausência de consulta prévia à comunidade quilombola José Joaquim de Camargo e pela utilização de um Estudo Ambiental Simplificado (EAS), em vez de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
Em 16 de outubro, a Justiça Federal determinou a suspensão das licenças e a paralisação imediata das obras, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A decisão também proibiu a retirada de vegetação, a terraplanagem, a movimentação de solo e a pavimentação. Foram permitidas apenas atividades necessárias à segurança ambiental e à manutenção do plantio compensatório.