Etapa de circuito escolar de boxe reúne 160 crianças e adolescentes no Colégio Poli
Evento integra calendário da Federação de Desporto Escolar e busca incentivar a prática da modalidade entre atletas de 8 a 18 anos
A participação de crianças e adolescentes no boxe foi o destaque da sétima etapa do circuito da Federação de Desporto Escolar (Fedesp), realizada em Sorocaba, no ginásio do Colégio Poli. O evento reuniu cerca de 160 jovens e integra um calendário de dez etapas promovidas ao longo do ano, com atividades destinadas às categorias de base, dos 8 aos 18 anos.
De acordo com João Victor Alcântara, coordenador da Fedesp, a proposta é ampliar o acesso ao esporte e incentivar a participação de crianças e adolescentes em diferentes modalidades. Além do boxe, a entidade organiza competições de karatê e judô, entre outras práticas esportivas.
A participação no circuito é dividida por categorias de idade. No boxe, segundo João Victor, não há divisão por faixas, como ocorre em modalidades como o karatê. A proposta é trabalhar com as categorias de base, respeitando as respectivas idades dos participantes.
Ao longo do dia, os atletas se espalharam pelo ginásio, divididos em atividades de aquecimento, concentração e até torcida por seus amigos. As lutas ocorreram de forma concomitante em dois ringues.
Para Fernando "Bolacha" Menoncello, presidente da Federação Estadual de Boxe de São Paulo (Feboxesp), a aproximação entre o esporte e o ambiente escolar é fundamental para a formação de novos atletas. Ele explica que a parceria com a Fedesp permite ampliar o alcance da modalidade entre crianças e adolescentes.
Bolacha destaca também a importância do contato dos jovens com atletas de maior experiência. Para ele, a presença de referências do esporte ajuda a mostrar aos iniciantes os caminhos possíveis dentro do boxe. "O esporte é uma ferramenta de transformação", afirma.
A experiência no ringue
Aos 17 anos, Mariana Santana acumula cerca de dois anos de treinamento no boxe. Aluna do técnico Juliano Ramos, da Lisoboxe, ela conta que conheceu a modalidade por meio de um panfleto que anunciava aulas nas proximidades da escola onde estudava.
A curiosidade inicial acabou se transformando em interesse pelo esporte. A competição em Sorocaba, porém, marca sua primeira experiência em uma luta.
Para o técnico Juliano Ramos, eventos como esse são importantes para o desenvolvimento dos atletas, principalmente daqueles que ainda estão nas categorias de base. Segundo ele, a oportunidade de lutar permite colocar em prática o que é aprendido nos treinamentos e adquirir experiência no ringue.
O treinador destaca ainda as características de Mariana, que considera uma atleta corajosa, inteligente e com boa capacidade de aproveitar seus atributos físicos, como a envergadura e a força.
Na avaliação dele, a realização de mais competições seria positiva para a evolução dos jovens boxeadores. "O ideal seria que pudesse ter três vezes por mês. Seria um sonho", afirma.
Formação de novos atletas
A treinadora Graziele Jesus, que representou o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio em 2021, também destaca a importância da formação esportiva desde a infância. Segundo ela, os projetos sociais desenvolvidos em diferentes cidades podem fortalecer a modalidade e preparar os jovens para, futuramente, integrar seleções e disputar competições nacionais.
A proposta é que os atletas cheguem à idade adulta com uma trajetória de treinamento e experiência competitiva, ampliando as possibilidades de renovação do boxe brasileiro.
O boxe dentro das escolas
Para o boxeador olímpico Abner Teixeira, medalhista de bronze em Tóquio, a aproximação entre a modalidade e o ambiente escolar representa uma mudança importante para o desenvolvimento do esporte no País.
Ele compara a iniciativa à estrutura encontrada em potências do boxe olímpico, como Rússia, Uzbequistão e Cazaquistão, onde crianças começam a praticar a modalidade ainda por volta dos nove anos. Abner lembra que começou a treinar aos 13 anos, em um projeto social, mas não tinha a perspectiva de disputar uma luta naquele momento. Para ele, oferecer essa oportunidade aos jovens ainda nas categorias de base pode mudar a relação deles com o esporte.
"Quando você treina sabendo que vai lutar, é outra coisa do que só treinar ali", avalia.
O atleta acredita que a experiência no ringue dá aos participantes um estímulo diferente e contribui para a evolução técnica e emocional. Na avaliação dele, o circuito tem potencial para fortalecer as categorias de base nos próximos anos.