Mamografia anual a partir dos 40 anos é recomendada para mulheres, diz médica

Chefe do Grupo de Câncer de Mama do Icesp, Laura Testa destaca que o exame pode identificar a doença em estágios iniciais e reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos

Por João Frizo

Quanto mais cedo o diagnóstico, menor a necessidade de tratamentos mais agressivos

Uma em cada oito mulheres receberá o diagnóstico de câncer de mama ao longo da vida, segundo a estimativa apresentada pela médica Laura Testa, chefe do Grupo de Câncer de Mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, na manhã de ontem (28), ela reforça a importância da mamografia anual a partir dos 40 anos, inclusive para quem não apresenta sintomas ou não tem histórico familiar da doença.

A especialista explica que a identificação do tumor em estágios iniciais aumenta as chances de cura e pode evitar tratamentos mais agressivos. Por isso, a realização do exame não deve depender do aparecimento de alterações nas mamas. A orientação, segundo ela, é que as mulheres mantenham o acompanhamento preventivo mesmo quando se sentem bem.

Durante a conversa, no contexto do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a doença, Testa também aborda os fatores de risco, as iniciativas do governo estadual para ampliar o acesso à mamografia e a importância do apoio familiar após a confirmação do diagnóstico.

Acesso ao exame

No Estado de São Paulo, o programa Mulheres de Peito disponibiliza cinco carretas que percorrem os municípios durante todo o ano para oferecer mamografias. De acordo com a médica, a iniciativa contribui para ampliar o acesso ao rastreamento e identificar tumores antes do surgimento de sinais clínicos.

Ela destaca que o trabalho tem reflexo no perfil dos diagnósticos realizados no estado. Segundo sua avaliação, São Paulo apresenta uma proporção maior de casos identificados nos estágios clínicos 1 e 2, considerados iniciais, do que nos estágios 3 e 4, mais avançados.

O atendimento pelas unidades móveis segue um cronograma, que deve ser divulgado pelas prefeituras. No entanto, as mulheres não precisam esperar pela chegada de uma carreta ao município para procurar o serviço. A médica orienta que a população consulte o portal da Secretaria de Estado da Saúde, no endereço (saúde.sp.gov.br), para localizar a unidade mais próxima e verificar como agendar o procedimento.

Histórico familiar

A recomendação de realizar mamografia anualmente a partir dos 40 anos vale também para mulheres sem parentes diagnosticados com a doença. Já aquelas que apresentam casos na família precisam passar por uma avaliação individualizada para determinar o risco e a necessidade de acompanhamento em idade mais jovem.

Segundo Testa, uma das referências utilizadas na avaliação de pessoas com histórico familiar é considerar o início do acompanhamento dez anos antes da idade em que o parente recebeu o diagnóstico. A conduta, porém, depende das características de cada caso e deve ser definida com orientação médica.

A especialista ressalta que a hereditariedade não é o único fator relacionado ao desenvolvimento do tumor. O peso corporal, a prática de atividade física e o consumo de bebidas alcoólicas também influenciam o risco e são aspectos sobre os quais é possível agir.

Em determinadas situações, pode haver indicação de testes genéticos para investigar mutações associadas à doença. Por isso, conhecer o histórico de saúde da família e buscar orientação profissional são medidas importantes para estabelecer o acompanhamento adequado.

Medo do exame

Apesar da importância da prevenção, o receio de realizar a mamografia ainda é uma barreira. A médica cita um levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia segundo o qual o medo aparece como um dos principais motivos para as mulheres não fazerem o exame.

Para Testa, reconhecer essa insegurança é importante, mas ela não deve impedir a busca por atendimento. Embora possa causar desconforto, a mamografia é rápida e permite encontrar alterações antes que sejam percebidas pela própria paciente.

A identificação precoce também pode reduzir a complexidade do tratamento. Quando a doença é descoberta em fases iniciais, as possibilidades de controle são maiores e as intervenções podem ser menos agressivas.

Apoio no tratamento

A médica também chama a atenção para o impacto emocional do diagnóstico. Segundo ela, o período entre a confirmação da doença e a definição das próximas etapas costuma ser especialmente difícil, pois a paciente ainda não sabe exatamente como será o tratamento.

Nesse momento, a presença de familiares e amigos pode ajudar a enfrentar a situação. Testa ressaltou que pessoas próximas devem oferecer disponibilidade e acolhimento, respeitando as necessidades de quem está passando pelo tratamento.

Ela lembra que o diagnóstico afeta também os familiares, que podem precisar de apoio para lidar com a situação. O cuidado, entretanto, deve permanecer centrado na paciente, com a participação da equipe de saúde e da rede de apoio.

Durante a entrevista, a especialista também menciona um e-book disponível no portal da Secretaria de Estado da Saúde, com dez receitas voltadas a pessoas em tratamento contra o câncer. O material reúne orientações de hidratação e nutrição para ajudar a enfrentar esse período.