Manifestantes relatam repressão violenta da GCM

Prefeitura afirma que agentes foram hostilizados e que a dispersão ocorreu para liberar a via

Por Vernihu Oswaldo

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A noite após a apuração do segundo turno das eleições presidenciais foi marcada por manifestações em vários pontos de Sorocaba, tanto de apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).

Uma das maiores concentrações ocorreu na rua Mascarenhas Camelo, no Santa Rosália, onde centenas de pessoas comemoraram a vitória de Lula. A rua permaneceu aberta ao trânsito, sem presença de policiais ou da Guarda Civil Municipal (GCM), e os próprios participantes abriam passagem para os carros.

A festa seguiu de forma pacífica durante a noite. Segundo testemunhas, por volta de 0h30, quando os bares fechavam e restavam poucas pessoas na rua, agentes da GCM, da Romu e da Urbes bloquearam a via e passaram a dispersar quem ainda estava no local. Vídeos gravados por frequentadores mostram agentes com cassetetes e armas em punho.

"Eles chegaram nessa forma de abordagem para dispersar todos que estavam ali, de forma muito repressiva, empurrando, batendo e perseguindo as pessoas", afirmou uma das pessoas presentes.

A frequentadora Paula R. A. contou que os guardas bateram com cassetetes em garrafas de vidro, produzindo um barulho alto, e que viu pessoas sendo coagidas e agredidas. "Tem o relato de uma mulher que levou um tapa na cara por motivo nenhum. Não tinha ninguém fazendo nada, as pessoas já estavam indo embora", disse.

Outra testemunha, que pediu para não ser identificada, afirmou que esperava uma amiga do outro lado da rua quando um agente mandou que deixasse o local. Ao explicar que aguardava alguém, ela diz ter levado golpes de cassetete no cotovelo, nos braços e nas costas e ter sido chamada de "escória". Segundo ela, um homem que tentava sair de moto também foi derrubado e agredido no chão, enquanto pedia desculpas e dizia que já estava indo embora.brigando, só estávamos comemorando uma vitória pacificamente".

O local é um tradicional ponto de encontro da cidade, com bares nas imediações e movimento nas calçadas em vários dias da semana. Segundo frequentadores, abordagens repressivas são comuns, inclusive com uso de spray de pimenta. Paula afirma já ter presenciado diversas ações da GCM na rua, "sempre de forma intimidadora". Comerciantes e outros frequentadores preferiram não se manifestar, por medo de represálias.

O que diz a GCM

A Secretaria de Segurança Urbana (Sesu) afirmou que a ação não teve conotação política e buscou manter a ordem pública. Segundo a pasta, a GCM foi acionada por volta de 1h20 para apoiar agentes da Secretaria de Mobilidade (Semob) em uma ocorrência com um veículo parado em frente a uma garagem, e pessoas aglomeradas na via atrapalhavam o trabalho dos agentes de trânsito.

Ainda segundo a Sesu, os guardas foram xingados e tiveram copos arremessados contra a viatura. Após a chegada de reforços, as equipes seguiram para a rua Mascarenhas Camelo, que estaria bloqueada, dispersaram as pessoas para liberar a via e permaneceram no local em policiamento preventivo.