Fim da escala 6x1 pode melhorar qualidade de vida, mas traz desafios econômicos
Renato Vaz Garcia avalia que a redução da jornada sem ganhos de produtividade pode elevar custos das empresas, pressionar preços e afetar o poder de compra
A redução da jornada de trabalho sem ganhos de produtividade pode aumentar os custos das empresas, pressionar os preços e comprometer o poder de compra dos trabalhadores. A avaliação é do professor e mestre em Economia Renato Vaz Garcia, que participou do Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã desta segunda-feira (19), para discutir os possíveis impactos do fim da escala 6x1.
Durante a entrevista, Garcia reconhece que a mudança pode trazer benefícios aos trabalhadores, como mais tempo para a família e possíveis melhorias na qualidade do sono e na saúde mental. No entanto, afirma que os efeitos sobre a economia são difíceis de prever, devido à falta de estudos que permitam estimar os resultados nas condições brasileiras.
Segundo o economista, a redução da jornada costuma ser discutida em países que já registraram ganhos de produtividade, permitindo que parte dos resultados seja convertida em salários maiores ou menos horas de trabalho. No Brasil, a produtividade permanece estagnada há mais de duas décadas, o que, na opinião dele, dificulta a absorção dos custos de uma mudança desse tipo. “Quando você faz isso antes de ter ganho de produtividade, aí já é quase que um tiro no escuro”.
Para o professor, a discussão precisa considerar como as empresas poderão se adaptar e quais medidas podem evitar efeitos negativos sobre a atividade econômica.
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Período de adaptação
O prazo de 60 dias são para os ajustes iniciais nas empresas e uma redução da jornada, de 44 para 42 horas semanais e, depois, para 40 horas.
Ele considera o período curto para reorganizar escalas, negociar condições de trabalho e realizar mudanças administrativas. Como comparação, volta a citar o modelo chileno, cuja implementação foi planejada para ocorrer em cinco anos.
O economista defende que a adaptação considere as diferenças entre setores e portes de empresas. Também diz sobre a necessidade de avaliar medidas relacionadas ao sistema tributário, às despesas públicas e aos incentivos empresariais.
Para ele, a redução da jornada precisa ser analisada não apenas pelos benefícios imediatos aos trabalhadores, mas também pelos possíveis efeitos sobre os custos de produção, a inflação, o emprego e a renda.