Profissionais de enfermagem sofrem violência física e verbal
Levantamento do Coren-SP registra mais de 30 casos na cidade em 12 meses
A cidade de Sorocaba registrou mais de 30 casos de violência contra enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem em um período de 12 meses. Os dados são de um levantamento realizado entre os dias 20 e 24 de julho de 2026, com 4.402 profissionais pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).
De acordo com os registros, em Sorocaba foram 34 casos de violência verbal, 33 de violência psicológica, seis de violência física, três de violência de gênero, dois de violência sexual e dois de violência moral. O levantamento não soma os números, pois uma mesma ocorrência pode envolver mais de um tipo de agressão ou violência.
De acordo com o Coren-SP, ao todo, Sorocaba conta com 11.959 profissionais de enfermagem entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. De acordo com uma enfermeira, que preferiu não se identificar, em unidades de pronto-atendimento os casos de violência são frequentes.
"Somos vítimas de agressões verbais por parte de acompanhantes que, de forma agressiva e desrespeitosa, afirmam que deixamos pacientes largados, que não temos humanidade, que debochamos dos pacientes e que a equipe permanece sentada enquanto pacientes passam mal, ameaçando acionar a polícia contra a equipe. Também somos atacados devido à demora do atendimento feito pelos médicos, e esse também é um dos maiores motivos de agressões", relata.
Ainda segundo a profissional, muitas situações ocorrem pelo grande número de pacientes. "Isso ocorre principalmente devido à alta demanda de pacientes para pouca estrutura fornecida. E como somos a linha de frente, eles acabam descontando na enfermagem", conta.
A profissional relata já ter recebido ameaças de agressão e até de morte. "Ao longo da minha carreira já sofri várias agressões verbais, sendo uma delas com ameaça de morte para toda equipe. Também fui ameaçada de que o acompanhante iria me esperar na saída do meu plantão para me agredir no estacionamento."
As situações geram frustração e insegurança dentro do ambiente de trabalho. "Nos sentimos desrespeitadas, humilhadas e ameaçadas no nosso ambiente de trabalho".
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São Paulo
Na capital paulista, sete em cada 10 profissionais de enfermagem de São Paulo já sofreram algum tipo de violência. A sondagem do Coren-SP apontou que 72,6% dos profissionais já foram vítimas de agressões, destes 41,3% passaram por episódios mais de uma vez e 15,5% afirmam que os casos são frequentes.
O que fazer?
Em situações de agressão física ou sexual é necessário registrar o Boletim de Ocorrência (BO) com o maior número de dados do agressor e testemunhas, passar pelo exame de corpo de delito e relatar à chefia imediata e direção da instituição o ocorrido.
Em casos de ameaça, agressão verbal ou psicológica também é indicada a abertura do boletim de ocorrência e a notificação da direção, chefia e instituição de saúde.