CPI-7 encerra Semana Brigadeiro Tobias com entrega de colar comemorativo

Solenidade homenageou personalidades civis e militares e destacou a trajetória de Rafael Tobias de Aguiar e sua relação com a história da Polícia Militar paulista

Por João Frizo

Delegado José Humberto Urban Filho (à dir.) esteve no evento acompanhado do coronel Antônio Valdir Gonçalves

A Semana de Comemorações Brigadeiro Tobias foi encerrada nesta sexta-feira (9), com a Solenidade de Outorga do Colar Evocativo ao Sesquicentenário da Revolução Liberal de 1842, na sede do Comando de Policiamento do Interior 7 (CPI-7), em Sorocaba. A cerimônia homenageou personalidades civis e militares e resgatou a trajetória de Rafael Tobias de Aguiar, nascido no município e considerado patrono da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

O comandante do CPI-7, coronel PM Ricardo Lopes de Souza Salomão, destaca a importância da data para a preservação da memória do brigadeiro e dos princípios associados à história da corporação. Segundo ele, a solenidade encerra uma semana de atividades dedicadas à trajetória de Brigadeiro Tobias e ao legado deixado por ele. “Podemos dizer, de uma certa forma, não apenas figurada, mas que a Polícia Militar nasceu em Sorocaba”, declara o coronel. Ele relaciona a origem da instituição à iniciativa, em 1831, quando foi organizada uma estrutura de segurança que deu origem à atual Polícia Militar paulista.

Salomão também ressalta os valores que, em sua avaliação, permanecem ligados à formação dos policiais militares. Entre eles, citou honra, caráter, firmeza de propósito, coragem e lealdade.

O comandante explica que a entrega do colar não se limita ao reconhecimento de vínculos pessoais ou institucionais. De acordo com ele, a honraria é destinada a pessoas civis e militares que compartilham esses princípios e desenvolvem ações em benefício da sociedade e da Polícia Militar. “Então, não são honrarias dadas e são honrarias merecidas por cada pessoa que aqui perfilou e hoje recebeu a sua comenda”, afirma.

Resgate histórico

O presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS), Adilson Cezar, também destaca a relação entre a condecoração e os acontecimentos da Revolução Liberal de 1842. Ele explica que participou da concepção da honraria em 1992 e que recebeu o colar naquele ano.

A comenda, segundo Cezar, passou a ser concedida a representantes civis e militares em reconhecimento à atuação e à contribuição para a sociedade. Para ele, a cerimônia representa uma oportunidade de preservar a memória histórica de Sorocaba e de Brigadeiro Tobias.

Ao abordar o significado dos ideais liberais associados ao movimento, o presidente do IHGGS ressaltou a importância da liberdade vinculada ao respeito às normas e às instituições. “Defendemos a liberdade, mas não qualquer liberdade, a liberdade dentro da lei, da ordem, da disciplina e do respeito”, declara.

O presidente também menciona os chamados canhões da Maioridade, instalados na região central de Sorocaba, e sua relação com os acontecimentos de 1842. Naquele período, a cidade teve papel importante no movimento liderado por Tobias de Aguiar, que se opôs ao governo imperial e acabou derrotado pelas forças comandadas pelo então barão de Caxias.

Representação da FUA

O delegado da Polícia Civil, José Humberto Urban Filho, participou da solenidade representando a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), mantenedora do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Poli.

Urban já possui o Colar Evocativo ao Sesquicentenário da Revolução Liberal de 1842 e compareceu à cerimônia usando a honraria em respeito aos demais homenageados e à solenidade.

Rafael Tobias de Aguiar

Nascido em Sorocaba em 4 de outubro de 1794, Rafael Tobias de Aguiar teve atuação política no Estado de São Paulo e participou de acontecimentos importantes do período imperial. Em 1831, durante sua gestão à frente da Presidência da Província de São Paulo, foi organizada uma companhia de homens e uma seção de cavalaria que contribuíram para a formação da estrutura que deu origem à atual Polícia Militar paulista.

Em 1842, Tobias de Aguiar liderou a Revolução Liberal em São Paulo. Com a derrota do movimento, foi preso e levado ao Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1844, quando recebeu anistia. Morreu em 7 de outubro de 1857, a bordo do vapor Piratininga, na Baía de Guanabara.