Sessão da Câmara tem cobrança sobre 13º e articulação pela presidência

Discussões sobre a situação financeira da Prefeitura e a eleição da próxima Mesa Diretora marcaram a sessão desta quinta-feira (8)

Por Vernihu Oswaldo

Portaria afirma que a antecipação do encerramento do expediente busca reduzir os riscos

Discussões sobre a situação financeira da Prefeitura e a eleição da próxima Mesa Diretora marcaram a sessão da Câmara de Sorocaba nesta quinta-feira (8). Durante os trabalhos, vereadores questionaram a capacidade do município de pagar o 13º salário dos servidores e também expuseram as articulações para a disputa pela presidência do Legislativo, cuja eleição está marcada para 15 de dezembro.

O vereador Caio Oliveira (Republicanos) confirmou que pretende disputar a presidência e afirmou que, neste momento, conta com o apoio declarado de 13 vereadores. Segundo ele, as articulações ainda estão em andamento e a composição pode sofrer alterações até a votação.

“Hoje nós temos 13 votos, temos a maioria hoje. Tenho conversado bastante com eles, temos reunido bastantes vereadores e eu creio que vai ser uma eleição bem difícil, tenho certeza disso, mas a gente coloca o nosso nome até o final na disposição”, afirmou.

Caio disse que considera a candidatura uma continuidade de sua atuação na Câmara e citou o fato de ter sido o vereador mais votado de Sorocaba na atual legislatura. Ele também afirmou que a articulação não deve ser tratada como uma disputa de apoio ao prefeito Rodrigo Manga (sem partido).

“Não vejo como uma vantagem. A gente já tinha uma conversa com os vereadores, a Câmara tem sua independência. A gente sabe que o governo, nos bastidores, acaba trabalhando para eleger o A ou o B para a presidência da Câmara, mas eu sempre coloquei o meu nome à disposição”, disse.

O vereador afirmou ainda que já houve conversas com diferentes parlamentares e que assinaturas de apoio podem mudar até a eleição. “Muitas das vezes a gente já viu histórias e assinaturas dos dois lados, isso acontece, mas eu estou muito tranquilo quanto a isso. Meu nome está à disposição e tenho esse acordo com eles, mas também não tenho amor ao poder e o que tiver que ser, vai ser”, declarou.

Izídio de Brito (PT) também se colocou como candidato à presidência, representando a bancada de esquerda do Legislativo. O petista afirmou que pretende defender maior independência da Câmara em relação ao Executivo.

“É evidente que nós temos na nossa pauta a independência da Câmara Municipal, coisa que nós não temos visto na atual Mesa Diretora, infelizmente. Nós temos uma pauta de audiências públicas, uma pauta de pautar projetos interessantes, uma pauta de não ser submisso ao Executivo e uma pauta de abrir isso para a população.”

Izídio afirmou ainda que, até o momento, havia sido procurado apenas por Caio Oliveira para uma possível composição. “Ele nos procurou, mas nós estamos mantendo a nossa candidatura. É lógico que todas as pré-candidaturas, em algum momento, devem conversar, umas procurar as outras, para tentar compor isso”, afirmou.

O vereador Luis Santos (Republicanos), atual presidente da Câmara, também deve tentar a reeleição, mas não quis dar entrevista sobre a disputa.

Questionamentos sobre o 13º

A situação financeira da Prefeitura também foi alvo de questionamentos durante a sessão. O vereador Vinicius Aith (Republicanos) apresentou requerimento cobrando esclarecimentos sobre a garantia e o planejamento para o pagamento do 13º salário dos servidores públicos municipais referente a 2026.

No documento, o parlamentar questiona a disponibilidade financeira em caixa, o valor estimado da folha de pagamento e os prazos previstos para a quitação do benefício. Aith também solicitou informações sobre arrecadação municipal, restos a pagar e eventuais riscos de atraso ou parcelamento do pagamento.

Durante a sessão, o vereador afirmou que recebeu informações de que o município poderia enfrentar dificuldades financeiras para cumprir o pagamento.

“Circula pelos bastidores políticos — e era o meu papel enquanto vereador fiscalizar isso — que o município mais uma vez está em estado de calamidade financeira. Da mesma forma, escutamos que provavelmente o município não tem a saúde financeira suficiente para pagar o 13º dos funcionários públicos. É uma especulação, mas uma especulação que veio dos próprios corredores da Prefeitura Municipal”, afirmou.

Aith também criticou a ausência do prefeito Rodrigo Manga do Paço Municipal durante o período da campanha eleitoral. “A gente vê o prefeito que não compareceu ao Paço Municipal nesses 49 dias de campanha. A cidade ficou abandonada nesses 49 dias e continua, porque ele ainda não retornou; vamos ver se ele ainda sabe o caminho da Prefeitura Municipal”, disse.

Presidente da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e Parcerias da Câmara, Cristiano Passos (Republicanos) afirmou que não recebeu informações sobre risco de atraso no pagamento do benefício.

“Em momento algum, principalmente nessa gestão Rodrigo Manga, nunca deixou de pagar o 13º, inclusive pagou com antecipação. Não veio para a gente em momento algum esse risco de não pagar”, afirmou.

Cristiano também lembrou que as discussões sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 começaram em reunião realizada nesta quarta-feira (7) e afirmou que Aith não participou do encontro. (Colaborou Caroline Mendes)