Da referência às críticas, situação do Quinzinho de Barros preocupa

Ministério Público investiga condições do zoológico e aguarda perícia para decidir se animais podem permanecer no local

Por Vernihu Oswaldo

Banco quebrado expõe a falta de manutenção do espaço público

O zoológico municipal Quinzinho de Barros é um dos passeios preferidos dos sorocabanos, presente no imaginário de diversas gerações, e é reconhecido como um local agradável para caminhadas e passeios em família. Contudo, diversos problemas são observados por quem frequenta o espaço.

O contato com os animais e com a história do município atrai milhares de pessoas, principalmente aos fins de semana. E com a transferência do elefante Sandro, os problemas têm chamado mais atenção.

O zoo de Sorocaba já foi considerado um dos principais do país, com uma equipe de veterinários que realizou procedimentos complexos em animais. Em 2007, por exemplo, o tigre Tigrão e a leoa Ale passaram por tratamentos odontológicos — Ale recebeu até tratamento de canal. A ursa Biba, em 2005, passou por sessões de acupuntura para reduzir dores nas costas.

Visitantes comumente apontam problemas estruturais e se preocupam até com a saúde dos animais. Bianca Vitória, de 20 anos, frequentadora do zoológico, comparou a sua experiência atual com a de anos anteriores. Segundo ela, o local era mais bem cuidado e apropriado para visitação, mas hoje demonstra sinais de abandono. Ela também se disse preocupada com a onça-pintada Vitória, que, em sua percepção, aparenta estar menos ativa do que antes.

O biólogo Hélio Rubens defende o papel dos zoológicos. "Os zoológicos são instituições extremamente importantes, pois fazem parte do processo de conservação genética de todo o patrimônio animal que nós temos no planeta. Proibir o zoológico ou dizer que ele é uma instituição ruim não é o melhor caminho."

Zoológicos brasileiros participam de programas nacionais de conservação ex situ voltados a espécies ameaçadas. Em uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab), foram estabelecidas ações para 25 espécies da fauna brasileira, como a arara-azul-de-lear, a ararinha-azul, o mico-leão-preto, o muriqui-do-sul, a jacutinga e o tamanduá-bandeira. As ações envolvem manejo cooperativo, reprodução e manutenção da diversidade genética.

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Manutenção

Além dos recintos de alguns animais, o Quinzinho precisa de melhorias também na estrutura para os visitantes. Diversos bancos espalhados pelo parque estão quebrados, alguns completamente inutilizáveis. Placas informativas e de orientação também apresentam irregularidades, o que dificulta a locomoção de quem visita o local. Há ainda calçadas danificadas, com elevações, além de acessos e caminhos interditados.

A lanchonete do parque está fechada há vários meses. Os visitantes podem entrar com comidas e bebidas, mas são poucas as mesas disponíveis, e muitos acabam fazendo piqueniques.

Investigação estrutural e financeira

As queixas sobre a infraestrutura e a gestão do parque tornaram-se alvo de uma investigação formal do Ministério Público de Sorocaba, instaurada em 22 de setembro de 2026. O inquérito civil apura supostas irregularidades nas condições estruturais, operacionais e administrativas do zoológico. Entre os focos da apuração técnica estão possíveis inadequações em muros, fossos, grades, coberturas, drenagem e instalações elétricas.

A promotoria também investiga questões administrativas e financeiras, como a ausência de uma empresa responsável pela bilheteria e pelo controle de acesso ao parque, além dos gastos e da finalidade pública da instalação de um telão no antigo recinto do elefante Sandro. O inquérito busca esclarecer ainda se um eventual processo de concessão do espaço tem sido usado pela prefeitura como justificativa para adiar obrigações atuais de manutenção e conservação.

A Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema) informa que estabeleceu um plano para reforma de recintos do zoo e aguarda a melhoria das condições do tempo para dar início aos trabalhos. Paralelamente, projetos de arquitetura e engenharia estão sendo providenciados para subsidiar tecnicamente as intervenções de revitalização observando as normas e diretrizes do Ibama, bem como as instalações destinadas aos visitantes. Com relação à lanchonete, a Sema diz que está avaliando as alternativas administrativas e jurídicas para viabilizar a retomada do serviço. "O Zoo de Sorocaba conta com corpo técnico especializado, responsável pelo acompanhamento clínico e sanitário, o manejo da fauna, a conservação das espécies e as ações técnicas relacionadas à manutenção do plantel. A onça-pintada Vitória está em bom estado de saúde", complementa a nota. Quanto à concessão, a pasta alega que "estão em andamento estudos para avaliar a viabilidade jurídica e financeira de alternativas de gestão do zoológico".

59 zoológicos autorizados em SP

O Estado de São Paulo tem 59 empreendimentos autorizados na categoria Jardim Zoológico, distribuídos por 45 municípios. A categoria inclui também aquários, borboletários e insetários com visitação pública. Juntos, esses espaços mantêm um plantel declarado de 20.438 animais, entre aves, répteis, anfíbios, mamíferos, peixes e invertebrados, segundo dados do Sistema de Gestão de Fauna Silvestre (Gefau).

Com a transferência da gestão da fauna para os órgãos estaduais de meio ambiente, o Ibama não possui atualmente um levantamento nacional completo dos zoológicos. Nos estados que utilizam o Sistema Nacional de Gestão de Fauna Silvestre (Sisfauna), há 97 zoológicos registrados, com 51.250 animais mantidos em zoológicos e aquários.