Mercado imobiliário de Sorocaba tem queda nas vendas, mas mantém alta em 2026

Pesquisa do Creci-SP aponta recuo de 50,70% nas negociações de imóveis usados em agosto; no acumulado do ano, vendas ainda avançam 73,67%

Por João Frizo

Unidades residenciais usadas tiveram queda nas vendas e locações; por outro lado, mercado de novos empreendimentos cresce

O mercado imobiliário de Sorocaba e região registrou queda de 50,70% nas vendas de imóveis residenciais usados em agosto, na comparação com julho, segundo levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP). O resultado interrompe a sequência de altas registrada no primeiro semestre, mas não altera o desempenho acumulado de 2026: de janeiro a agosto, as vendas apresentam crescimento de 73,67%. Nos últimos 12 meses, a alta chega a 99,37%.

Nas locações, o movimento também foi de retração. O número de novos contratos caiu 16,79% em agosto, na comparação com o mês anterior. Ainda assim, o acumulado do ano apresenta crescimento de 30,53%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses registra alta de 42,50%.

Para o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, dois fatores ajudam a explicar a queda nas vendas registrada em agosto: a taxa de juros e o período eleitoral. Segundo ele, a indefinição sobre os rumos da política econômica aumenta a cautela de consumidores diante de compromissos financeiros de longo prazo. “Esta queda evidentemente tem dois motivos aí muito fortes. Primeiro deles é a taxa de juro muito elevada, que persiste em permanecer alta. E em segundo lugar, o processo eleitoral”, afirma.

Oscilações

O resultado de agosto ocorre depois de um recuo de 25,48% nas vendas registrado em julho, também na comparação com o mês anterior. Na ocasião, o acumulado de janeiro a julho ainda apontava crescimento de 124,37%. Antes da sequência de quedas, o mercado havia apresentado altas de 59,06% em fevereiro, 52,64% em março, 61,97% em abril, 13,14% em maio e 7,42% em junho.

A trajetória mostra oscilações ao longo do ano. Em janeiro, as vendas haviam caído 44,38% em relação a dezembro de 2025. A partir de fevereiro, o comportamento mudou e o setor registrou seis meses consecutivos de resultados positivos antes das retrações de julho e agosto.

Para Viana, a redução observada nos dois últimos meses não representa, isoladamente, uma mudança no cenário regional. “Tradicionalmente é um mercado muito forte e que tem dado uma sustentação muito grande, um desenvolvimento que não para”, afirma. Segundo ele, mesmo com a queda mais recente, o resultado acumulado de 2026 e dos últimos 12 meses permanece positivo.

Crédito

As condições de financiamento aparecem entre os fatores que interferem diretamente na capacidade de compra. Na avaliação do presidente do Creci-SP, os juros elevados dificultam o acesso ao crédito porque reduzem a parcela da renda familiar disponível para assumir um financiamento. “O que dificulta na taxa de juro elevada é a questão da renda familiar, que dificilmente chega a cobrir o mínimo exigido pelos bancos para que a pessoa possa ter o seu crédito aprovado”, diz.

Viana também aponta a insegurança sobre o cenário econômico como um obstáculo para quem pretende assumir um contrato de longo prazo. “Nós temos de dificuldade é a questão da confiança no futuro da política econômica do país. E isso traz uma insegurança muito forte para aqueles que pretendem assumir um contrato de longo prazo, como é o financiamento imobiliário”, afirma.

A importância do crédito também apareceu no levantamento de julho, quando 57,1% das compras foram realizadas por meio de financiamento da Caixa Econômica Federal. As aquisições à vista responderam por 21,4%, enquanto outros bancos participaram de 10,7% das negociações.

Imóveis novos

O desempenho dos imóveis usados ocorre em paralelo à expansão da construção civil e dos lançamentos observada ao longo do ano. Em abril deste ano, a reportagem do Cruzeiro do Sul mostrou que a construção civil de Sorocaba havia criado 1.623 vagas formais em fevereiro, segundo dados apresentados pelo setor. Na mesma ocasião, representantes do segmento relacionaram a verticalização ao crescimento urbano, à ocupação do território e à procura por imóveis em diferentes regiões da cidade.

Em junho, levantamento do Secovi-SP mostrou que 1.557 unidades residenciais foram comercializadas na Região Metropolitana de Sorocaba no primeiro trimestre. Desse total, 978 estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida. A região também contabilizou 1.028 lançamentos no período, sendo aproximadamente metade vinculada ao programa habitacional.

Para Viana, a produção de novos empreendimentos é importante para a movimentação do mercado, mas não substitui os imóveis já existentes. “Por mais que a capacidade de produção esteja avançada, ainda assim o setor produtivo não consegue construir para atender a total necessidade. Aí que entra o imóvel usado, que acaba sendo 85, quase 90% do mercado imobiliário”, afirma.

Ele também aponta a disponibilidade de trabalhadores como um dos obstáculos para a ampliação da oferta. “A mão de obra tem sido um dos principais obstáculos na produção de novas unidades".

Locações

A queda de 16,79% nas locações em agosto também merece uma leitura diferente da simples redução no número de contratos. Segundo Viana, uma quantidade menor de novos contratos pode indicar que menos inquilinos precisaram deixar os imóveis onde já moravam após a renovação dos contratos. “A alocação é um outro problema sério, um problema praticamente insolúvel. Mas o índice, quando cai nas locações, a notícia é boa”, afirma.

De acordo com o presidente do Creci-SP, quando o proprietário mantém o valor do aluguel em uma faixa que pode ser suportada pelo atual morador, o inquilino não precisa procurar outra residência. Caso contrário, a mudança pode gerar mais de uma nova negociação no mercado, já que o imóvel desocupado pode ser alugado novamente enquanto o antigo morador busca outra opção.

O movimento ocorre depois de meses de crescimento nas locações. Em julho, os novos contratos haviam avançado 6,55% em relação a junho. No acumulado até aquele mês, a alta era de 47,32%.

Perspectiva

Apesar das retrações recentes, Viana mantém uma expectativa positiva para os próximos meses. Na avaliação dele, a combinação entre emprego, crédito e juros pode favorecer novas negociações. “A expectativa é muito boa, até porque os níveis de emprego continuam aumentando. A expectativa de queda na taxa de juro é muito grande”, afirma.

Ele também cita o Minha Casa, Minha Vida como um dos fatores que podem contribuir para a movimentação do setor. Segundo Viana, as condições oferecidas pelo programa ampliam o acesso ao financiamento imobiliário em um momento de juros elevados.