Primavera mudarotina dos pets

A coluna Meu Pet é publicada todas as quartas-feiras no Cruzeiro do Sul, com informações e orientações sobre o universo dos animais de estimação

Por Camila Santos

PETS PRIMAVERA

A chegada da primavera costuma mudar a rotina de cães e gatos. Com temperaturas mais altas e dias mais longos, aumentam os passeios e o tempo em áreas externas, assim como o contato com poeira, pólen, gramados, vento e umidade.

Esses fatores não significam que a estação provoque alergias ou irritações por si só, mas exigem atenção dos tutores a possíveis alterações na pele, nos olhos e nas orelhas. Segundo o médico-veterinário Kauê Ribeiro, da Vetnil, coceira frequente, vermelhidão, secreções, mau odor, lesões e falhas na pelagem são sinais que devem ser avaliados por um profissional.

"A primavera pode modificar tanto o ambiente quanto os hábitos da família e do pet. Durante a estação, com o aumento da temperatura e da floração das plantas, há maior concentração de alérgenos no ar, como o pólen, que podem desencadear ou agravar processos alérgicos em pets sensíveis. Além disso, climas mais quentes e úmidos podem favorecer a proliferação de ectoparasitas", explica Ribeiro.

O aumento da circulação por parques, praças e outros espaços externos também amplia o contato com diferentes elementos. Por isso, a prevenção envolve higiene, proteção contra ectoparasitas e observação do animal.

Pele e pelagem

Depois dos passeios, é importante conferir patas, dobras da pele e pelagem. Folhas, terra e fragmentos de plantas podem ficar presos ao corpo. A inspeção também ajuda a identificar vermelhidão, ressecamento, feridas, queda de pelo e ectoparasitas.

Quando necessária, a limpeza deve ser feita com produtos próprios para cães e gatos. A frequência dos banhos deve considerar as características da pele, da pelagem e da rotina de cada animal, de preferência com orientação veterinária. Banhos em excesso e produtos destinados a humanos podem prejudicar a proteção natural da pele. A secagem completa também é importante, principalmente nas dobras e entre os dedos.

"Coçar-se repetidamente, lamber as patas de forma insistente, apresentar falhas na pelagem ou demonstrar incômodo ao toque são sinais que justificam uma investigação", orienta Ribeiro.

Olhos e orelhas

Vento e poeira podem favorecer o acúmulo de sujeira e secreções ao redor dos olhos. Quando necessário, a região pode ser higienizada com gaze limpa e produto específico, sempre com movimentos suaves.

Vermelhidão, lacrimejamento excessivo, secreção, dificuldade para abrir os olhos e tentativas constantes de coçar a região exigem avaliação veterinária. Como alterações oculares podem ter diferentes causas, a automedicação deve ser evitada.

As orelhas também pedem atenção, principalmente após banhos, brincadeiras com água ou passeios em dias chuvosos. O cuidado é ainda mais importante em animais com orelhas pendulares, maior produção de cerúmen ou histórico de otite e dermatite atópica.

A limpeza deve ser feita com solução apropriada, sem introduzir hastes flexíveis ou outros objetos no canal auditivo. A frequência da higienização varia de acordo com cada animal e deve seguir orientação profissional.

"Se houver dor, secreção, mau odor persistente, coceira ou o hábito de sacudir repetidamente a cabeça, o mais indicado é buscar orientação profissional", reforça Ribeiro.

Manter a prevenção contra ectoparasitas em dia e observar alterações persistentes ajuda a identificar precocemente possíveis problemas.