BOS atende crianças gratuitamente em campanha

De Olho nos Olhinhos teve 160 crianças da rede SUS em consultas com oftalmologistas; foco foi em retinoblastoma

Por Gabrielle Camargo Pustiglione

Além da investigação de possíveis sinais relacionados ao retinoblastoma, campanha também proporciona a identificação de outras alterações oftalmológicas

O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) participou no último sábado (26), da campanha De Olho nos Olhinhos, iniciativa criada pelos jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin, que tem como objetivo conscientizar pais e responsáveis sobre a importância da identificação dos sinais do retinoblastoma e do diagnóstico precoce.

Considerado o câncer intraocular mais comum da infância, o retinoblastoma é uma doença rara, mas que exige atenção aos primeiros sinais. A identificação precoce e o acompanhamento oftalmológico são fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento e preservar a saúde ocular das crianças.

Durante a ação, cerca de 160 crianças da rede SUS passaram por uma avaliação oftalmológica completa, realizada pela equipe médica do BOS, em um ambiente de acolhimento, cuidado e atenção à saúde visual infantil.

Além da investigação de possíveis sinais relacionados ao retinoblastoma, a campanha também proporcionou a identificação de outras alterações oftalmológicas que podem passar despercebidas pelas famílias, como dificuldades de visão que interferem no desenvolvimento da criança. Com o diagnóstico, é possível orientar os responsáveis e iniciar o acompanhamento adequado.

Armações e lentes

As crianças que apresentaram necessidade de correção visual receberam gratuitamente armações e lentes para seus óculos. Já aquelas que tiveram alterações que necessitam de investigação ou acompanhamento especializado terão continuidade no atendimento pelos setores do próprio BOS.

Para a oftalmologista do BOS, Adriana Forseto, ações como essa são importantes para ampliar o acesso à informação e ao cuidado com a visão infantil.

A médica destaca que a iniciativa também contribuiu para reforçar a importância do exame oftalmológico na infância, não apenas para a identificação do retinoblastoma, mas também de outras doenças.

"Acho que isso é muito interessante porque ajudou também a mostrar a importância do exame oftalmológico na infância. Não apenas em relação ao retinoblastoma, mas porque conseguimos diagnosticar várias doenças que, se não forem tratadas a tempo, principalmente em uma faixa etária muito precoce, podem levar a uma deficiência visual permanente."

"Quando falamos em saúde ocular na infância, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Muitas vezes, os pais não percebem pequenas alterações na visão dos filhos, e uma avaliação oftalmológica pode identificar problemas que precisam de atenção. A campanha De Olho nos Olhinhos reforça justamente essa mensagem: observar os sinais e buscar ajuda especializada pode transformar a vida de uma criança", destaca a médica.

Atendimento oftalmológico

A dona de casa Graciana Guilherme de Tavares Rodrigues, de 44 anos, acompanhou a filha, Vitória das Graças Rodrigues Tavares, de 8 anos, durante um atendimento oftalmológico realizado no BOS.

Moradora de Cesário Lange, Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), Graciana contou que a filha já utiliza óculos há cerca de um ano e realiza acompanhamento com oftalmologista. O atendimento foi encaminhado pela unidade de saúde do município.

"Ela já usa óculos faz um ano. Já foi pelo postinho da minha cidade, Cesário Lange, que encaminhou aqui", explicou.

Segundo a mãe, o acompanhamento é importante principalmente para o desenvolvimento escolar da criança. "É muito importante, para a escola, para o acompanhamento. Que ela não tenha dificuldade na escola, para estudar, ler", afirmou.

Sobre o exame realizado, Graciana disse que o procedimento foi tranquilo e avaliou positivamente o atendimento. "Foi legal, foi tranquilo. Muito bom o atendimento", relatou.

Sobre o retinoblastoma

O principal sinal de alerta da doença é o chamado "reflexo branco" na pupila, que pode aparecer em fotos com flash ou em determinadas condições de iluminação. Outros sinais, como alterações no alinhamento dos olhos, vermelhidão persistente, dor ou mudanças no comportamento visual da criança, também devem ser avaliados por um oftalmologista.