Valor da produção de caqui cresce 38,5% na região

Agricultores enfrentam custos altos, perdas na colheita e dificuldade para ampliar as vendas

Por Cruzeiro do Sul

Produção regional abastece principalmente o mercado interno, com parte da colheita destinada à exportação

A produção de caqui movimenta o agronegócio na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), que se firmou como um dos principais polos produtores da fruta no Estado de São Paulo. Entre 2024 e 2025, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do caqui cresceu 38,5%, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. Entre os principais municípios produtores estão Piedade, Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo.

Apesar do crescimento registrado no valor da produção, o principal destino do caqui cultivado na região continua sendo o mercado nacional. Há também exportação de uma parcela menor da produção.

Na propriedade do produtor Tamon Alan Morioka, em Pilar do Sul, praticamente toda a produção segue para o mercado interno, principalmente para a Ceasa. Uma pequena parcela é destinada à exportação por meio da cooperativa APPC. O Canadá é um dos países que recebem a fruta.

O primeiro pomar de caqui da propriedade foi plantado em 1997 e continua produzindo até hoje. Atualmente, são dez hectares destinados à atividade. Segundo o produtor, a quantidade colhida costuma ser estável, com variações principalmente de acordo com as condições climáticas. Entretanto, a comercialização tem se tornado mais difícil.

"A produção do caqui é bem estável, depende do clima. Agora, a procura pelo produto vem diminuindo, sendo a cada ano mais difícil de realizar vendas", afirma.

Ele acredita que a procura pelo caqui tenha diminuído por conta da economia, já que, com os preços altos, os consumidores tendem a priorizar o essencial. O agricultor também aponta que o aumento da oferta pode dificultar a comercialização. "Talvez a procura pelo produto não tenha diminuído, mas a oferta que aumentou. Temos caquis vindo de outros países e outros estados que competem com os nossos."

Desafios

Entre os principais desafios para a produção de caqui na região estão a mão de obra e a busca por mercados que ofereçam melhores condições de comercialização. A colheita e os cuidados com os frutos demandam trabalho manual.

Uma das etapas importantes é o chamado raleio, processo de remoção manual de frutos malformados de uma plantação, garantindo que os demais se desenvolvam adequadamente. De acordo com o produtor, a atividade exige tempo e mão de obra.

"O caqui precisa de um raleio muito criterioso para que não ocorra o aborto dos frutos, e isso demanda tempo e mão de obra. Sem o raleio, os frutos ficam pequenos, o que consequentemente dificulta a comercialização", explica.

O produtor acrescenta que os custos aumentaram, enquanto o valor recebido pela fruta não acompanhou o mesmo ritmo. Atualmente, o caqui representa menos de 10% da renda da propriedade. Dependendo do desempenho da safra e das vendas, segundo ele, a atividade pode terminar praticamente sem retorno financeiro.

Cuidados e perdas

Além dos desafios na comercialização, a fruta exige cuidados desde o campo até a chegada à mesa. Apesar da aparência resistente, o caqui é sensível a impactos durante a colheita. Qualquer batida pode fazer com que a região atingida amoleça. Por isso, os frutos precisam ser colocados cuidadosamente nas caixas.

A variedade Fuyu, cultivada na propriedade, também teve perdas causadas pelo amolecimento da fruta. De acordo com o agricultor, o problema pode estar relacionado às características da própria variedade e ao desequilíbrio nutricional das plantas. Os frutos que apresentam esse problema e não podem ser comercializados acabam descartados.

O aproveitamento da fruta também ocorre de forma artesanal. Existem produções de geleias, doces, compotas, sucos e outros derivados, mas esse não é o principal destino da produção regional. Na propriedade, o caqui ainda não é utilizado na fabricação de derivados, embora haja planejamento para iniciar esse tipo de aproveitamento.

Outra alternativa para frutos que permanecem em boas condições de consumo, mas não foram comercializados, é a doação à Feira Solidária, iniciativa do Fundo de Assistência Social de Pilar do Sul. Lá, os alimentos são destinados a famílias em situação de vulnerabilidade. Entre os itens distribuídos estão verduras, legumes e cestas básicas.

Clima

As condições climáticas também interferem diretamente na produção. Na propriedade, o calor registrado durante o verão provocou queimaduras em parte dos frutos. Porém, o maior impacto veio do excesso de umidade causado pelas chuvas recentes, o que favoreceu o aparecimento de doenças capazes de prejudicar a produção.

A colheita do caqui ocorre principalmente no primeiro semestre do ano, entre fevereiro e abril. O período coincide com a colheita de outras frutas cultivadas no local, como uva e avocado, o que aumenta a demanda por trabalhadores.

Para o produtor, uma das vantagens da produção regional está na proximidade entre as propriedades e os centros de distribuição. A pequena distância permite que a fruta chegue mais rápido ao mercado, aumentando o período em que permanece em boas condições para venda e consumo.

Ele destaca ainda que existem diferenças importantes entre as variedades comercializadas. Enquanto o Rama Forte costuma ser consumido mais maduro e macio, o Fuyu é consumido ainda duro ou firme. Na avaliação do produtor, parte dos consumidores desconhece essas diferenças e acaba escolhendo principalmente pelo preço. (Luiza Lopes de Oliveira - programa de estágio)