Polícia apreende R$ 280 mil e US$ 89 mil em endereço ligado a Milton Leite em Sorocaba

Ex-presidente da Câmara de São Paulo é alvo da Operação Vectura Corrupta, que investiga suposta infiltração do PCC no transporte coletivo

Por Caroline Mendes

Milton Leite não foi localizado inicialmente para cumprimento do mandado de prisão.

A Polícia Civil apreendeu cerca de R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, na manhã desta sexta-feira (18), durante uma ação da Operação Vectura Corrupta em um endereço ligado ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, em Sorocaba. A pessoa procurada não foi localizada no imóvel.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), policiais da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes cumpriram um mandado de prisão no local. A ação contou com o apoio da Polícia Militar.

A Vectura Corrupta foi deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A operação investiga núcleos de uma organização criminosa ligados à lavagem de dinheiro e à infiltração política.

Até o momento, 10 pessoas foram detidas. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Durante as diligências, também foram apreendidas 60 armas de fogo, 20 carregadores e diversas munições, segundo a SSP.

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Investigação

Milton Leite é um dos alvos da operação e teve a prisão temporária decretada pela Justiça. A investigação também apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), assinada pelo desembargador Sérgio Ribas em 4 de setembro, afirma que a investigação aponta, em tese, que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital estariam sob controle do PCC. O documento cita diálogos, documentos e informações financeiras reunidos durante a apuração.

Entre os alvos da operação estão ainda o ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans) Levi dos Santos Oliveira, o candidato a deputado estadual Danilo Marco Morgado Silva, empresários e advogados.

No caso de Milton Leite, a decisão do TJ-SP afirma que o ex-vereador é citado nas investigações como supostamente responsável pela operação de algumas empresas apontadas como controladas pelo PCC.

O documento também registra declarações de policiais militares prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, nas quais o ex-vereador é apontado como suposto dono de fato da empresa Transwolff.

A investigação também cita a empresa Otrantur, que atua no transporte coletivo da Baixada Santista, e uma suposta participação conjunta de investigados em 4% das ações da companhia.

A reportagem do Cruzeiro do Sul tentou contato com Milton Leite por telefone e por mensagem para obter um posicionamento sobre a operação e a apreensão realizada em Sorocaba, mas não conseguiu falar com ele até o fechamento desta matéria.

Núcleo político

Outro eixo da investigação envolve possível financiamento e articulação política. A decisão judicial menciona conversas relacionadas às campanhas eleitorais de Danilo Marco Morgado Silva, candidato à Prefeitura de Praia Grande em 2024 e atualmente candidato a deputado estadual, e de José Ronaldo Alves de Sales.

Segundo o documento, as mensagens indicariam discussões sobre apoio político e aportes financeiros que seriam atribuídos à organização criminosa.

As suspeitas ainda estão em fase de investigação. Na decisão, o desembargador ressalta que a análise foi realizada em caráter sumário e que as medidas cautelares não representam antecipação de juízo sobre a responsabilidade penal dos investigados.

Operações anteriores

A Vectura Corrupta é apontada pelas autoridades como desdobramento da Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. A investigação também retoma suspeitas relacionadas ao transporte coletivo já apuradas pelo MPSP na Operação Fim da Linha, realizada em 2024.

Milton Leite não foi localizado inicialmente para o cumprimento do mandado de prisão. Segundo informações divulgadas sobre a operação, ele afirmou estar em viagem, negou estar foragido e disse que pretende se apresentar às autoridades.