Marina Silva defende adaptação das cidades e análise técnica de obras
Em entrevista à Cruzeiro FM, candidata ao Senado também fala sobre desmatamento, segurança, educação, tarifas dos Estados Unidos e mudanças no Judiciário
A deputada federal e candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (REDE) defendeu a ampliação de medidas de adaptação das cidades às mudanças climáticas e afirma que obras de infraestrutura precisam considerar os impactos sociais, econômicos e ambientais. Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (15), ela também aborda o combate ao desmatamento, propostas para a campanha eleitoral, os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e mudanças no funcionamento do Judiciário.
Ao comentar os efeitos de eventos climáticos extremos, Marina afirma que as políticas públicas precisam atuar tanto na redução das emissões de gases de efeito estufa quanto na preparação dos municípios para situações de risco. Entre as medidas citadas estão obras de drenagem, recuperação de matas ciliares e encostas, sistemas de alerta e definição de rotas de fuga.
Segundo a candidata, dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que 177 municípios paulistas estão na linha de frente dos riscos climáticos, com mais de 1 milhão de pessoas nessa condição. Ela também menciona perdas na agricultura superiores a R$ 180 bilhões, número que atribuiu aos impactos das mudanças climáticas.
Para a deputada, a adaptação deve fazer parte do planejamento urbano e das decisões sobre investimentos públicos. Ela cita programas federais voltados à drenagem e à preparação das cidades, como o PAC Drenagem e o Adapta Cidades, e defendeu que as medidas sejam planejadas conforme as características e vulnerabilidades de cada local.
Marginal Direita
Questionada sobre a Marginal Direita, em Sorocaba, Marina não apresenta uma avaliação específica do projeto. Ela ressalta que a mobilidade é uma necessidade, mas informa que obras devem ser analisadas por equipes técnicas e considerar diferentes tipos de impacto. “A mobilidade é importante, mas a gente tem que evitar os impactos ambientais também”, declara.
A candidata afirma que o licenciamento ambiental é atribuição estadual e defendeu que a análise de empreendimentos não se limite à discussão sobre permitir ou impedir uma obra. “Não é só dizer o que não pode, é o como pode”.
A deputada acrescenta que a escolha do caminho para a execução de uma obra deve considerar os efeitos sobre a população, a economia e o meio ambiente.
Desmatamento
Ao falar sobre sua atuação à frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina apresenta números de redução do desmatamento e informa que a retomada de políticas de fiscalização e controle foi uma das prioridades do governo federal. Os dados citados por ela incluem queda da área desmatada na Amazônia, de mais de 11 mil quilômetros quadrados para 2,8 mil quilômetros quadrados, além de reduções em outros biomas.
A candidata também menciona diminuições nos registros de incêndios em diferentes regiões do País. Os percentuais apresentados durante a entrevista foram de 75% na Amazônia, 90% no Pantanal e 35% no Brasil. Marina atribuiu os resultados à retomada de ações de fiscalização e à reorganização de políticas ambientais.
Ela cita ainda o aumento de recursos destinados ao Fundo Clima e investimentos em iniciativas de financiamento sustentável. Segundo ela, o volume médio do fundo passou de R$ 400 milhões para R$ 27 bilhões, e o programa Ecoinvest reúne mais de R$ 140 bilhões. Os valores foram apresentados por ela durante a entrevista.
A deputada também comenta a estrutura de fiscalização ambiental e afirma que o número de fiscais do Ibama foi ampliado durante sua gestão. A candidata relaciona a atuação do órgão à capacidade de monitorar áreas ameaçadas e de responsabilizar quem pratica crimes ambientais.
Propostas de campanha
Sobre a campanha ao Senado, Marina diz que pretende apresentar propostas em áreas como segurança pública, educação, saúde e agricultura familiar. Na segurança, defende a integração entre as forças policiais por meio de um gabinete institucional.
Na educação, cita a ampliação do ensino em tempo integral, a aprendizagem na idade adequada e a autonomia dos professores. Ela também menciona a necessidade de fortalecer a agricultura familiar e de melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.
A candidata afirma que as propostas devem ser discutidas durante o período eleitoral e relacionadas às necessidades da população paulista.
Tarifas
Marina também foi questionada sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ela informa que as medidas afetam as exportações e defendeu a busca de soluções por meio da diplomacia.
A candidata disse que pretende atuar em defesa dos interesses do País e ressalta a importância de preservar a soberania brasileira nas negociações internacionais.
Mudanças
Na entrevista, defendeu uma reforma estruturante do Judiciário e ressalta que o debate sobre o funcionamento das instituições deve ocorrer dentro dos parâmetros constitucionais. Ao comentar a situação do ministro Alexandre de Moraes, ela defendeu que ele se afaste para apresentar sua defesa e afirma ver indícios que justificariam a abertura de um processo de impeachment, desde que respeitados os procedimentos legais.
Marina também se manifesta favorável à discussão sobre a adoção de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal. Ela menciona o prazo de 15 anos como uma possibilidade a ser debatida e se posiciona contra o aumento da idade mínima para ingresso na Corte, de 35 para 50 anos.
A candidata defendeu ainda que eventuais mudanças nas regras de indicação dos ministros sejam discutidas sem comprometer a independência do tribunal. Também diz que investigações devem ocorrer sem seletividade.
Governo Lula
A deputada explica que deixou o Ministério do Meio Ambiente em 2008 após divergências relacionadas à política de combate ao desmatamento. Segundo ela, havia pressão para revogar medidas adotadas pela pasta.
A candidata afirma que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 diante do que considerava uma ameaça à democracia. Depois da eleição, retornou ao Ministério do Meio Ambiente com a tarefa, segundo ela, de reconstruir políticas ambientais.