Vereador defende permanência de Sandro

Alexandre da Horta pede que Justiça avalie laudo de bem-estar do elefante; população protesta em frente ao zoológico

Por João Frizo

Manifestantes comparecem ao zoo munidos de faixas e cartazes

O vereador Alexandre da Horta (Solidariedade), defendeu a permanência do elefante Sandro no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros e criticou o procedimento adotado para a transferência do animal. Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (14), o parlamentar questionou o posicionamento da caixa de transporte no recinto.

Para Alexandre, o equipamento deveria ficar afastado da saída, permitindo que o animal se aproximasse espontaneamente. "A única saída dele é passar pela caixa, então isso me estranha", afirma. Ele disse que pretende questionar a Secretaria do Meio Ambiente sobre o procedimento e se a disposição da caixa está prevista no plano de trabalho.

O vereador considera a transferência arriscada, levando em conta a idade do animal e os cuidados diários de que, segundo ele, Sandro necessita — como alimentação triturada, uso de colírios, problemas nas pernas e episódios recorrentes de cólica. "O elefante não tem como se locomover naquela caixa", alerta.

Alexandre pede que o Ministério Público e a Justiça considerem um laudo da Polícia Técnico-Científica, anexado pela prefeitura ao processo, que, segundo ele, aponta alto índice de bem-estar do animal no zoológico.

Por outro lado, questionado sobre o cumprimento de determinações judiciais relacionadas ao recinto, o vereador reconheceu que a administração municipal não realizou as adequações previstas. "A prefeitura não cumpriu", diz, acrescentando, no entanto, que pretende destinar emendas parlamentares para as mudanças necessárias, com o objetivo de manter o elefante na cidade.

Protesto no zoológico

A entrevista do vereador ocorre no mesmo fim de semana em que famílias, moradores e defensores da causa animal participaram de uma manifestação em frente ao recinto de Sandro, na manhã de domingo (13). Com cartazes e pedidos pela permanência do animal na cidade, os participantes realizaram o ato "Fica Sandro".

A mobilização acontece durante a preparação para a transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. O processo começou na quinta-feira (10), com a chegada da caixa de transporte a Sorocaba. A estrutura — de aproximadamente dez toneladas, cinco metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, com sistema de monitoramento de temperatura e janelas para ventilação — foi posicionada na área externa do zoológico na noite de sexta-feira (11), após um trabalho de nivelamento do solo que durou mais de seis horas.

A Prefeitura de Sorocaba afirmou que apresentou recursos e pediu a suspensão da ordem judicial para que o elefante permaneça em Sorocaba. O município aguarda decisão da Justiça, esperada para os próximos dias.

Durante o protesto, o biólogo Caio Fernandes, um dos responsáveis pelo movimento, disse que os próximos passos são a coleta de assinaturas em defesa da permanência do elefante. "Estamos tentando colher assinaturas, porque existe a possibilidade de a sociedade civil poder se organizar pedindo para que o Sandro não vá. Mas para isso acontecer, a gente precisa de um número expressivo de assinaturas", comenta.

Caio Fernandes citou ainda um laudo da perícia da instituição criminalística que, conforme ele, aponta que Sandro não sofre maus-tratos e apresenta alto grau de bem-estar. "Esse laudo não foi anexado no processo", complementa.

Wagner Avila, diretor de silvestres e exóticos da Federação Brasileira de Avestradores de Animais, também defendeu a permanência do animal. "Nós temos um laudo, o último laudo emitido, feito por quatro veterinários e um biólogo dizendo que o Sandro goza de alto grau de bem-estar e que ele corre o risco num transporte de três dias", afirma.

Ao final do ato, os participantes soltaram balões com sementes de ipê e tintas coloridas, em uma ação simbólica pela permanência de Sandro no zoológico. Para Giovana, uma das participantes, o gesto representa a defesa do animal. "A gente fez uma homenagem a ele. Estamos defendendo essa causa porque a gente estudou bastante o caso e acreditamos que o melhor para a vida dele é a permanência aqui na nossa cidade", conclui. (Com colaboração de Gabrielle Camargo Pustiglione)