Funcionários da Caixa mantêm greve em Sorocaba

Trabalhadores reivindicam mudanças no Saúde Caixa e manutenção de direitos

Por João Frizo

Greve Banco Caixa Econômica Federal - Campolim

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal continua por tempo indeterminado em Sorocaba e região. Os trabalhadores reivindicam mudanças nas condições de custeio do Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, e a retomada das negociações sobre o acordo coletivo de trabalho.

Nesta segunda-feira (14), bancários de diferentes cidades da base do Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região (Seeb Sorocaba) participaram de uma manifestação em uma das principais agências da Caixa, no Campolim, em Sorocaba. Segundo o sindicato, a mobilização reuniu trabalhadores e integrantes da diretoria da entidade para discutir as reivindicações e acompanhar o andamento da greve.

De acordo com o presidente do sindicato, Ricardo dos Santos Filho, a continuidade da greve foi aprovada em assembleia com a participação de mais de 600 bancários. Ele afirma que os trabalhadores decidiram manter a paralisação até que o banco apresente uma proposta que permita retomar as negociações.

“A Caixa não veio com uma proposta que seja convincente para o bancário no Saúde Caixa”, declara. Segundo Ricardo, a base territorial da entidade abrange 40 cidades, e as unidades da região estavam fechadas durante a mobilização.

Saúde Caixa

O segundo-secretário do sindicato, Antônio Marcos de Lima Cabrera, explica que as negociações específicas com a Caixa e o Banco do Brasil ocorrem paralelamente às tratativas gerais da categoria bancária. Segundo ele, enquanto a negociação geral envolve reivindicações comuns aos bancários, as conversas com os bancos públicos também tratam de questões próprias de cada instituição.

Um dos principais pontos em discussão é o Saúde Caixa, que atende empregados ativos, aposentados e dependentes. Cabrera estima que cerca de 250 mil pessoas sejam abrangidas pelo plano. Para o sindicalista, a discussão sobre o custeio é relevante para os aposentados, que também dependem da assistência médica.

Cabrera afirma que os custos médicos têm aumentado acima da evolução dos salários e aponta problemas na rede de atendimento. Segundo ele, os trabalhadores querem rever as condições de custeio do plano e consideram que a proposta apresentada pela Caixa não atendeu às expectativas da categoria.

De acordo com o representante sindical, aproximadamente 90% dos votos nas assembleias realizadas em diferentes regiões do País foram contrários à assinatura do acordo coletivo. O percentual foi informado por Cabrera.

Condições de trabalho

Funcionários dos setores de Atacado e Varejo também participaram da mobilização e relataram insatisfação com as metas comerciais e as regras de remuneração variável. Um dos empregados ouvidos afirma que a categoria esperava uma negociação mais favorável em relação ao plano de saúde. “Todo mundo depende do plano de saúde”.

Os trabalhadores também questionaram as regras de pagamento de comissões relacionadas à venda de produtos e ao cumprimento de metas. Segundo um dos relatos, mudanças no modelo de remuneração dificultaram o recebimento de valores pelos empregados.

O funcionário diz que diferenças pequenas no cumprimento de indicadores podem impedir o pagamento de premiações. Também relata pressão por resultados e questiona as formas de reconhecimento profissional adotadas pelo banco.

Os empregados dizem que a manutenção do Saúde Caixa é a principal reivindicação, mas apontam também insatisfação com a condução das negociações e com as condições de trabalho.

Retomada das negociações

A greve foi marcada por uma comunicação interna da Caixa, encaminhada em 11 de setembro, sobre medidas relacionadas aos benefícios previstos no acordo coletivo, encerrado em 31 de agosto de 2026. Segundo Cabrera, a CE VIPES nº 11183/2026 previa a possibilidade de manutenção do Saúde Caixa por mais 60 dias e a suspensão de benefícios enquanto não houvesse novo acordo.

O representante sindical diz que a comunicação provocou reação entre os empregados por tratar de benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, participação nos lucros e resultados (PLR) e assistência médica. Para Cabrera, as medidas poderiam atingir direitos que, na avaliação dos representantes dos trabalhadores, já estariam incorporados aos contratos.

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) questionou as medidas em uma notificação extrajudicial enviada à diretoria do banco em 12 de setembro. A entidade pediu a suspensão das medidas e afirmou que poderia recorrer ao Ministério Público do Trabalho e à Justiça do Trabalho caso fossem mantidas.

Em nova comunicação, encaminhada aos empregados no domingo (13), a Caixa anunciou a reabertura da mesa de negociação coletiva com as entidades representativas dos trabalhadores e a suspensão das medidas administrativas previstas na circular anterior enquanto as tratativas estiverem em andamento.

O banco também informou que adotará providências junto às confederações representativas dos empregados para permitir a prorrogação, de forma provisória e excepcional, dos benefícios nas mesmas condições praticadas antes de 31 de agosto, até a conclusão das negociações.

A Caixa ressalta que a suspensão é temporária e não representa uma definição antecipada das condições do novo acordo coletivo. Segundo Cabrera, até o momento da entrevista, ainda não havia data definida para a próxima reunião.

Negociações

Ricardo relata que a campanha salarial começa com consultas aos trabalhadores e encontros regionais, antes de chegar à etapa nacional. Segundo ele, uma pesquisa reuniu respostas por volta de 54 mil bancários, que contribuíram para a elaboração das reivindicações.

De acordo com o presidente do sindicato, as demandas foram encaminhadas à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em 24 de junho. As negociações se estenderam pelos meses seguintes e envolveram discussões sobre cláusulas sociais e econômicas.

Ricardo relata que uma das rodadas de negociação começou às 9h de 28 de agosto e terminou às 20h do dia seguinte. O sindicalista critica a condução das conversas e afirma que as reivindicações dos trabalhadores não foram atendidas de maneira satisfatória.

Greve continua

A manifestação desta segunda-feira já estava programada, segundo Cabrera. Ele diz que a mobilização continuará até que a Caixa apresente uma nova proposta. O sindicato informou que os trabalhadores poderão realizar novas ações em agências da região, conforme as decisões da categoria.

A Caixa anunciou a reabertura das negociações e a suspensão das medidas administrativas previstas na circular anterior enquanto as tratativas estiverem em andamento. Até o momento das entrevistas, porém, não havia data confirmada para a próxima reunião nem uma nova proposta apresentada aos empregados.

O Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região também divulgou uma carta de repúdio à comunicação anterior do banco. No documento, a entidade afirma que considera inaceitáveis mensagens que possam pressionar ou intimidar os trabalhadores durante as negociações coletivas e defende a manutenção do diálogo.

A reportagem encaminhou perguntas à Caixa Econômica Federal e aguarda resposta. O espaço segue aberto.