Caixa para transporte de Sandro chega ao Zoológico Quinzinho de Barros
Megaoperação durante a tarde de ontem posicionou o contêiner no recinto do elefante
O adeus ao elefante Sandro vai se aproximando. Na tarde de ontem (11), mais um passo desse processo foi cumprido: a chegada da caixa de metal que será usada no transporte do animal até o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Para posicionar a caixa, foi necessária uma ação conjunta das equipes do santuário e do zoológico, com apoio da Guarda Civil Municipal.
Um trecho da rua Fernando Luís Grohman foi interditado para o posicionamento do guincho e dos caminhões com as estruturas necessárias para a base da caixa. A caixa chegou ao local por volta das 16h, enquanto o caminhão responsável pelo transporte foi estacionado na avenida Carlos Sonetti. A estrutura foi içada pelo guincho, passou por cima do muro do zoológico e foi posicionada no recinto do elefante.
O veterinário André Luiz Mota da Costa, que trabalha no Quinzinho de Barros há mais de 10 anos, afirmou, emocionado, que a saúde de Sandro é perfeita, com exceção de um problema nos dentes, considerado normal pela idade avançada do animal. A estimativa é de que Sandro tenha cerca de 55 anos, sendo 45 deles vividos no zoológico de Sorocaba.
O veterinário demonstrou preocupação com a realidade que Sandro vai enfrentar no santuário. "A nossa preocupação maior é lá, é um lugar com o qual ele nunca teve contato. Frutos espinhosos, jararacas, a gente não sabe o que vai acontecer." As jararacas e os frutos espinhosos são naturais do cerrado brasileiro e, como a área em que Sandro vai viver é muito grande, o controle é praticamente impossível, de acordo com André.
Ele também detalhou a rotina atual de Sandro. O animal é alimentado com frutas e legumes picados. Até o capim é triturado para facilitar a alimentação. Atividades físicas também são importantes para o elefante. "A gente estimula que ele caminhe, porque é importante para manter o fortalecimento muscular dele."
Após o posicionamento da caixa no recinto, Sandro passará por um período de adaptação estimado em uma semana. A estrutura será colocada em uma das saídas do recinto onde o elefante vive, e ele terá acesso livre para entrar. Os tratadores colocarão alimentos dentro da caixa para estimular Sandro a explorar a estrutura.
"Ele fica em torno de quatro dias, mais ou menos, cinco dias ali de livre demanda. Ele entra a hora que ele quiser, ele faz o que ele quiser com a caixa, sente o cheiro, toca a caixa, se sente seguro lá dentro", afirma Daniel Moura, biólogo e diretor do SEB.
O transporte só será iniciado quando Sandro estiver na caixa e não demonstrar resistência ao fechamento da porta.
A caixa será climatizada, especialmente para acostumar Sandro às altas temperaturas que irá enfrentar na chegada ao Centro-Oeste. A viagem deve durar pelo menos dois dias e meio, com diversas paradas programadas durante o trajeto.
Daniel explica: "É uma caixa que a gente utiliza aqui no Brasil há 12 anos. E esse mesmo modelo já fez mais de 40 transferências nos Estados Unidos."
A caixa pesa aproximadamente 10 toneladas, tem cinco metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura. Além da climatização, conta com sistema de monitoramento por câmeras. Dentro da estrutura, o animal pode apenas se movimentar para frente e para trás. Daniel explica que, caso tentasse se virar ou deitar, poderia afetar o equilíbrio da caixa no caminhão e causar um acidente.
O piso da caixa é liso para facilitar a limpeza durante a viagem. Na chegada ao SEB, Sandro será levado a uma área do Centro Veterinário, onde haverá diversos estímulos, como terra, água e comida, para que deixe a caixa. O processo não será apressado: Sandro decidirá quando sair da estrutura.
Após a primeira adaptação, Sandro será liberado para uma área maior, onde deve passar os últimos anos de vida. Daniel garantiu que, nos primeiros dias, o elefante receberá uma alimentação igual à oferecida atualmente. Depois, o SEB deverá avaliar a condição dentária de Sandro para definir se oferecerá alimentação natural ou picada.
Atualmente, seis elefantes fêmeas vivem no local, todas da espécie asiática: Maia, Rana, Mara, Bambi, Guillermina e Baby, que chegou ao santuário este ano.
Sandro é o único elefante asiático macho do Brasil. No país, há apenas mais um elefante macho, o africano Chocolate, que está no Zoológico de Brasília. Em 2020, Sandro perdeu sua companheira, a elefanta Haisa, que viveu com ele por 25 anos no zoológico Quinzinho de Barros.
A prefeitura afirmou que apresentou recursos e pediu a suspensão da ordem judicial para que o elefante Sandro permaneça em Sorocaba. O município aguarda a decisão da Justiça, que deve ocorrer nos próximos dias.