Cadeiras vazias e presença geram revisão na Câmara

Casa informa que não houve faltas injustificadas nas últimas 10 sessões, mas admite que sistema atual não possui ferramentas específicas para acompanhar participação remota

Por Caroline Mendes

Registros oficiais apontam participação mesmo com lugares vazios no plenário

Caroline Mendes

Apesar das cadeiras vazias que podem ser observadas durante as sessões da Câmara Municipal de Sorocaba, o registro oficial de presença aponta um cenário diferente. Segundo a Casa, nas últimas 10 sessões ordinárias houve apenas uma ausência justificada por motivo de saúde e nenhuma falta injustificada. No período, a participação nas sessões foi, em média, de 20 vereadores presenciais e cinco remotos. A Câmara afirma que o acesso virtual é contabilizado pelo sistema de presença do painel eletrônico da Casa.

A possibilidade de participação on-line foi incluída no Regimento Interno durante a pandemia de Covid-19 e permanece em vigor. Segundo o Legislativo, a resolução que inseriu a medida não estabeleceu limites para sua utilização. Os critérios foram posteriormente definidos por ato da Mesa Diretora no início deste ano.

O atual sistema, porém, não conta com ferramentas específicas para medir a participação dos vereadores que acompanham as sessões remotamente. De acordo com a Casa, o acesso virtual é integrado ao sistema de contagem do painel eletrônico.

Na prática, o registro de presença não permite verificar, por exemplo, por quanto tempo um vereador permaneceu conectado ou se acompanhou integralmente a sessão quando participa de forma remota. A situação ganha relevância durante o período eleitoral, quando parte dos parlamentares também está envolvida nas campanhas.

Embora não haja registro oficial de faltas injustificadas, as cadeiras vazias durante as sessões levantam questionamentos sobre a diferença entre a presença registrada no sistema e a presença física no plenário.

Sistema em revisão

A Mesa Diretora determinou, em julho, estudos de viabilidade técnica para alterar o sistema de controle de participação nas sessões. Segundo a Câmara, testes vêm sendo realizados ao longo do segundo semestre. A intenção é oferecer à futura Mesa Diretora, que será eleita em dezembro, uma solução para o controle da participação dos parlamentares.

A Casa não informou, porém, quais critérios deverão ser adotados no novo sistema nem se haverá mecanismos para diferenciar com mais precisão a presença física, a participação remota e o tempo efetivamente acompanhado pelo vereador em cada sessão.

A revisão também ocorre em meio à discussão sobre a permanência das regras de participação virtual criadas durante a pandemia. Com as atividades presenciais normalizadas, a possibilidade de acompanhamento remoto continua prevista no Regimento Interno, enquanto a Casa avalia mudanças na forma de controle.