Sorocaba perde 939 empregos em julho, e serviços concentram retração

Município teve segundo mês consecutivo de saldo negativo; indústria abriu 274 vagas no período

Por João Frizo

Construção fechou 109 vagas de trabalho em julho

Sorocaba fechou julho com saldo negativo de 939 empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foram 11.718 admissões e 12.657 desligamentos no município ao longo do mês. É o segundo resultado negativo consecutivo: em junho, Sorocaba havia perdido 213 postos de trabalho. Até então, o mercado de trabalho vinha apresentando desempenho positivo. Em maio, foram criadas 1.238 vagas.

A mudança chama atenção pela velocidade da inversão. Entre o resultado positivo de maio e o saldo negativo registrado em julho, houve uma diferença de 2.177 postos de trabalho. Apesar disso, os dados não indicam que as empresas tenham deixado de contratar. O número de admissões permaneceu elevado, mas não foi suficiente para compensar os desligamentos registrados no período.

A retração também não ocorreu de maneira uniforme entre os setores da economia. O principal impacto veio dos serviços, que tiveram saldo negativo de 1.132 empregos em julho, com 5.688 admissões e 6.820 desligamentos. A construção civil também terminou o mês no vermelho, com perda de 109 postos. Na outra ponta, a indústria abriu 274 vagas, enquanto o comércio teve saldo positivo de 28 empregos. A agropecuária ficou estável.

Para o economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Renato Vaz, os números apontam para uma relativa desaceleração da economia desde o segundo trimestre deste ano. Segundo ele, o nível elevado da taxa de juros, combinado às incertezas em relação ao cenário macroeconômico atual e às perspectivas para o próximo ano, tende a tornar as empresas mais cautelosas nas decisões de contratação e investimento. "As admissões continuam ocorrendo, mas em ritmo insuficiente para compensar os desligamentos em alguns setores", afirma.

Serviços

O desempenho dos serviços explica a maior parte do resultado negativo de Sorocaba. O setor reúne atividades como saúde, educação, comunicação, atividades imobiliárias e financeiras. Segundo Vaz, parte dessas áreas pode responder mais rapidamente às mudanças nas expectativas econômicas e na demanda, além de apresentar maior rotatividade da mão de obra em determinados segmentos.

O resultado, porém, não significa necessariamente uma redução generalizada dos empregos em todas as atividades de serviços. Para o economista, os próximos meses serão importantes para verificar se a sequência de resultados negativos representa apenas uma oscilação ou o início de um movimento mais prolongado de desaceleração.

A conjuntura econômica pode contribuir para esse comportamento. Com o crédito mais caro em razão dos juros elevados, investimentos e planos de expansão podem ser avaliados com maior cautela. As incertezas sobre as condições econômicas futuras também podem levar empresários a adiar decisões de contratação.

Indústria

Enquanto os serviços concentraram as perdas, a indústria terminou julho com saldo positivo de 274 empregos, resultado de 2.042 admissões e 1.768 desligamentos.

Segundo Vaz, além das características específicas da indústria local, o setor tende a apresentar vínculos mais longos e, em diversas atividades, maiores custos associados à substituição e ao treinamento de mão de obra especializada. Isso pode contribuir para uma maior retenção dos trabalhadores.

O resultado mostra que a retração do mercado de trabalho não atingiu todos os segmentos da economia sorocabana da mesma forma. A indústria, mesmo diante de um cenário de maior cautela, continuou ampliando o número de postos no mês.

Cenário regional

O desempenho de Sorocaba também se diferencia do registrado em outros municípios da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Em julho, Itu abriu 67 empregos, enquanto Araçoiaba da Serra teve saldo positivo de 122 vagas. Votorantim perdeu sete postos e Itapetininga registrou saldo positivo de apenas uma vaga.

Os números mostram que o comportamento do mercado de trabalho não foi uniforme na região. Enquanto Sorocaba apresentou retração expressiva, outros municípios tiveram estabilidade ou geração de empregos.

Para Vaz, entretanto, a comparação precisa levar em conta o tamanho e a estrutura econômica de cada cidade. No caso de Itapetininga, por exemplo, a base de dados menor dificulta conclusões mais amplas a partir de uma variação mensal.

Ainda assim, o economista avalia que o cenário mais desafiador não é exclusivo de Sorocaba. "Boa parte dos municípios da região já vem apresentando desaceleração nas contratações, o que pode se consolidar nos próximos meses", afirma.