Empresas da região veem Paraguai como alternativa para internacionalização
Custos, tributação, logística e busca por novos mercados estão entre os fatores apontados por especialistas e empresários
O Paraguai tem sido avaliado por empresas brasileiras como uma alternativa para reduzir custos, ampliar mercados e diversificar operações. O tema foi discutido nesta sexta-feira (21), durante o evento “Paraguai: A nova fronteira de negócios”, promovido pela Apter Consultoria no Ciesp Sorocaba. Entre os participantes estavam representantes de empresas que já atuam no país e especialistas em internacionalização.
Um dos cases apresentados foi o do Grupo Wyda Embalagens, fundado em Sorocaba em 1992. A empresa iniciou a expansão internacional com uma unidade na África do Sul, em 2017, chegou ao Paraguai em 2019 e, em 2024, abriu uma fábrica nos Estados Unidos. Segundo a própria empresa, atualmente o grupo possui operações no Brasil, Paraguai, África do Sul e Estados Unidos.
Para Roberto Carvalho, diretor executivo do Grupo Wyda, a operação paraguaia faz parte de uma estratégia de internacionalização e não de uma substituição da atividade mantida no Brasil. Segundo ele, a empresa busca presença em diferentes mercados e considera o Paraguai um projeto de médio e longo prazo. “Paraguai para a gente foi uma surpresa positiva. Superou nossas expectativas”, afirma.
Carvalho disse que o grupo atualmente está presente em mais de 30 países por meio de suas operações e exportações. Além do Paraguai, a empresa avalia mercados como Europa e Oriente Médio, mas concentra esforços nas unidades já instaladas e na ampliação das exportações realizadas a partir do Brasil.
Custos e logística
Sócio da Consultoria M360, Óscar Mersán de Gásperi aponta a busca por competitividade como um dos principais fatores que levam empresas brasileiras a avaliar o Paraguai. Entre os aspectos considerados, cita custos de produção, carga tributária, energia, matérias-primas e mão de obra.
Segundo ele, entre os setores com maior presença no regime de maquila estão autopeças, têxtil, confecção, plásticos e alimentos. Mersán de Gásperi também destaca a participação brasileira no programa, que, conforme dados apresentados e atribuídos à Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai (Cebras-PY), representa cerca de 70% das empresas estrangeiras instaladas sob o regime.
Outro fator citado pelo especialista é a logística. O aumento dos custos de frete e as mudanças nas cadeias internacionais de fornecimento têm levado empresas a buscar operações mais próximas dos mercados consumidores. Nesse cenário, uma unidade no Paraguai pode complementar a estrutura mantida no Brasil.
Estratégia
Sócio-diretor da Apter Consultoria, Márcio Martins afirma que ainda existe uma barreira cultural entre empresários brasileiros para pensar em internacionalização. Segundo ele, fatores como inflação, custo de capital e mudanças no cenário internacional também estimulam a busca por diversificação.
Martins destaca que internacionalizar não significa necessariamente transferir toda a produção para outro país. Uma empresa pode manter sua operação no Brasil e criar um braço no Paraguai, de acordo com as características do negócio.
Para Sorocaba, ele vê oportunidades principalmente em setores que já possuem forte presença industrial na região, como automotivo e plástico. Ao mesmo tempo, ressalta que a decisão exige análise técnica. “Tem técnica, não tem milagre”, afirma. Segundo Martins, estudar a possibilidade de operar no Paraguai pode fazer sentido para determinadas empresas, mas a implementação depende da realidade e dos objetivos de cada negócio.
O movimento, portanto, é apresentado pelos participantes como uma estratégia de diversificação e expansão, e não necessariamente como uma transferência das empresas brasileiras para o país vizinho. Para a Wyda, que mantém sua origem e operação em Sorocaba, o Paraguai é uma das etapas de uma estratégia internacional iniciada há quase uma década.