Falta de medicamentos e fórmulas nutricionais preocupa famílias
Familiares relatam atrasos e interrupções no fornecimento de produtos pela rede estadual
Familiares de pacientes que dependem de medicamentos e fórmulas nutricionais fornecidos pela rede estadual relatam atrasos e falta dos produtos na Farmácia de Alto Custo localizada no Conjunto Hospitalar de Sorocaba. As reclamações foram registradas na manhã de ontem (19), quando mães e responsáveis estiveram no local para retirar os itens.
Fernanda Barbosa, mãe de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conta que o filho necessita de 30 latas por mês da fórmula nutricional especial Neoadvance. Segundo ela, o fornecimento tem apresentado interrupções frequentes, obrigando a família a buscar alternativas por conta própria.
Ela afirma ainda que já recebeu outras fórmulas que provocaram reações alérgicas na criança, o que levou à interrupção do uso e à necessidade de comprar o produto por conta própria. Segundo Fernanda, cada lata do suplemento pode custar mais de R$ 300.
Além de cuidar do filho, Fernanda oferece suporte a outras mães atípicas por meio do Projeto Isac, auxiliando na orientação e na busca por medicamentos e outros recursos necessários ao tratamento. Ela também relata a falta de medicamentos de alto custo, como canabidiol, Aristab, Aripiprazol e Seretide, entre outros utilizados por pacientes. Segundo ela, a situação gera preocupação entre as famílias e aumenta a necessidade de buscar recursos para garantir a continuidade dos tratamentos.
Rosangela Montagnini Vieira afirma que há mais de quatro meses comparece à Farmácia de Alto Custo para retirar o medicamento solicitado para a filha de oito anos, diagnosticada com TEA. De acordo com ela, o produto não é disponibilizado, e a família não recebe informações claras sobre a previsão de regularização do fornecimento.
Marisa Caruso também relatou dificuldades. A filha, de quatro anos, faz uso de Neocate e, segundo a mãe, o produto não foi disponibilizado na data prevista para retirada. Ela esteve na farmácia no dia 14 de agosto e recebeu como justificativa que o produto ainda não havia chegado.
Ana Beatriz da Silva Martins, mãe de uma menina de oito anos, também afirma enfrentar atrasos superiores a quatro meses no fornecimento de medicamentos de uso contínuo. Segundo ela, a falta dos produtos interfere na continuidade do tratamento e obriga a família a recorrer à compra particular.
De acordo com Ana Beatriz, os gastos chegam a aproximadamente R$ 700 a mais por mês para garantir os medicamentos necessários à filha. Diante dos custos, a família também precisa recorrer ao apoio de instituições para manter o tratamento.
Estado afirma que remanejou produtos
O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Sorocaba informou que os medicamentos e as dietas fornecidos por demanda judicial foram remanejados para garantir o atendimento aos pacientes com processos ativos para retirada. Segundo o órgão, a Farmácia de Medicamentos Especializados (FME) está em contato com as famílias para orientá-las sobre a retirada dos produtos.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou ainda que a compra de medicamentos, inclusive os destinados a demandas administrativas e judiciais, depende da realização de processo licitatório, conforme a legislação federal. Segundo a pasta, os trâmites de compras públicas são obrigatórios e dependem de diversos fatores para serem concluídos, entre eles a ocorrência de pregões desertos.
A Secretaria também ressaltou que o fornecimento por demanda judicial depende de autorização da Justiça. (Da Redação)