Cruzeiro do Sul faz parte da rotina de casal assinante há 56 anos
Entre notícias e lembranças, páginas também registram momentos marcantes da família e mudanças vividas pela cidade
As produções especiais em comemoração às 30 mil edições estão espalhadas pela mesa da cozinha. Em uma pasta antiga, guardam-se várias matérias que a matriarca da família considerou importantes. E a edição do dia, sempre à mão.
Assim é o hábito da família de Geraldino Emanuel dos Santos, de 86 anos, e Ivone Gonçalves dos Santos, de 79 anos. Aposentados, o casal mantém a assinatura do jornal Cruzeiro do Sul desde 1970 — em novembro deste ano, completam 56 anos como assinantes. "Meu celular é o jornal", afirma dona Ivone.
Todos os dias, Geraldino vai até o quintal e busca o exemplar do dia. As páginas são lidas pelo casal logo no café da manhã. A exceção é a segunda-feira, dia em que o jornal não circula — e isso faz falta ao casal. "Na segunda-feira eu vou fazer outra coisa, porque não tem jornal pra ler", conta Ivone.
Tesouro Sorocabano
Natural da Bahia, Geraldino passou por alguns estados a trabalho como marceneiro, mas foi em Sorocaba que encontrou e construiu seu maior tesouro. Com os olhos brilhando, conta que foi na cidade que encontrou sua esposa amada e juntos construíram a família: três filhas, um genro, dois netos, uma bisneta e o pai da bisneta. "O que eu mais gosto daqui é a minha família. Minhas filhas, meus netos, minha bisnetinha, tudo o que eu faço é pensando neles", afirma Geraldino.
Quando comprou o terreno em que hoje fica a casa da família, lembra que os terrenos ao redor eram cheios de mato, não havia iluminação e as pessoas usavam o local como campo de futebol. O jornal passou a estar presente junto com a mudança, trazendo informação. "Começamos a assinar o Cruzeiro quando mudamos pra cá", conta Geraldino.
As filhas cresceram acompanhando o Cruzeirinho. "Cruzeirinho para mim é um marco", conta Geraldino. Já adulta, a professora de educação física Silmara Cristina dos Santos, de 56 anos, uma das filhas do casal, já apareceu no jornal algumas vezes por projetos que desenvolve na escola. Ela conta que o jornal está sempre presente, tanto na informação quanto nas atividades com as crianças.
Quando questionados sobre por que ainda mantêm a assinatura do jornal, o casal afirma: "Não tem motivo pra parar. Sempre tem alguma notícia diferente".
Memórias
Nas páginas do jornal, os leitores podem acompanhar as mais diversas notícias do dia a dia, mas, sem perceber, as páginas abrigam também a mudança, a evolução e a construção da história.
As notícias que mais marcaram a memória de Geraldino foram as atualizações publicadas no jornal sobre a construção da Prefeitura de Sorocaba no Alto da Boa Vista — que, segundo ele, foi uma decisão visionária, de muito sucesso, hoje refletida na configuração que a cidade conhece atualmente.
Além de fatos, histórias e registros, as páginas do jornal guardam também a confiança dos leitores que o acompanham fielmente, todos os dias. Esta é mais uma história por trás dos milhares de edições.