Sorocaba protege marcas de sua história em 51 bens tombados

Imóveis, monumentos, locomotivas e espaços ligados à religião, à indústria e à vida urbana integram o patrimônio preservado da cidade

Por Vernihu Oswaldo

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O termo “tombar” tem uma origem que remete à preservação da memória. Embora muitas vezes seja associado ao ato de derrubar, no jargão do patrimônio histórico significa justamente o contrário: proteger e preservar.

A palavra surgiu em Portugal, na Torre do Tombo, arquivo real onde eram guardados documentos, leis e registros importantes do reino. Os documentos eram anotados e catalogados em livros oficiais, chamados de “tomos” ou “tombo”. O termo chegou ao Brasil e passou a fazer parte da linguagem utilizada na proteção do patrimônio.

No país, o conceito foi oficializado pelo Decreto-Lei nº 25, de 1937, que criou os chamados “Livros do Tombo” para registrar e proteger bens de valor histórico, artístico e cultural.

Atualmente, Sorocaba possui 51 bens tombados. A relação reúne imóveis históricos, monumentos, estátuas e objetos que representam períodos e atividades importantes para a formação da cidade. É o caso das locomotivas nº 58 e nº 10, que ajudam a preservar a memória do passado ferroviário sorocabano.

A relação de bens protegidos inclui diferentes pontos da cidade. Alguns aguardam processos de tombamento, enquanto outros permanecem pouco conhecidos ou demandam ações de conservação.

Na prática, o tombamento é um processo técnico e burocrático, que pode envolver laudos, análises arquitetônicas, estudos sobre materiais e pareceres de conselhos de defesa do patrimônio. Por trás dos procedimentos, porém, está uma questão essencial: preservar referências que ajudam a contar a história de uma comunidade.

Para o ex-prefeito Paulo Mendes, a preservação está diretamente relacionada à identidade de uma população. “Um povo que não cultua a sua memória histórica é um povo que não tem identidade, que perde a sua identidade”, afirma.

A lista

Os 51 bens tombados estão distribuídos em diferentes categorias. Os patrimônios protegidos estão relacionados, principalmente, a períodos importantes da história de Sorocaba e a manifestações religiosas, mas o conjunto também contempla aspectos da arquitetura, da indústria, da ferrovia, da educação e da vida social.

O inventário percorre o passado ferroviário e industrial da cidade. Entre os bens protegidos estão as locomotivas nº 58 e nº 10, as Oficinas da Estrada de Ferro Sorocabana e antigas estruturas industriais, como as instalações da Cianê e as fábricas Santa Maria e Santa Rosália.

A presença da religião também é representativa. A Catedral Metropolitana, o Mosteiro de São Bento, o Santuário de Aparecidinha, a Capela de João de Camargo, a Capela da Inhaíba e a Capela de Santiago fazem parte da relação de bens protegidos.

O patrimônio tombado também alcança a arquitetura civil, a educação e espaços relacionados ao cotidiano da população. Entre eles estão construções como os palacetes Scarpa e São Miguel, a Casa Grande de Brigadeiro Tobias e o Mirante Ondina.

Colégios, mercados, clubes e espaços ligados à mobilidade urbana também integram esse conjunto. É o caso do Colégio Antônio Padilha, do Mercado Municipal, do Sorocaba Clube, do antigo Cine Eldorado e do Abrigo de Bondes, na Praça Nove de Julho.

Mais do que preservar construções, objetos ou estruturas, o tombamento mantém referências de diferentes períodos da história de Sorocaba. Cada bem protegido representa uma parte da trajetória da cidade e ajuda a manter viva a memória de quem construiu e transformou o município ao longo do tempo.