Além de piscinões, Sorocaba precisa adotar conceito de cidade esponja

Arquiteto defende jardins de chuva, mais áreas permeáveis e arborização; Prefeitura lista obras de drenagem e novas intervenções

Por Caroline Mendes

Prevenção a enchentes

Grandes obras de drenagem são importantes, mas não suficientes para solucionar os problemas de alagamentos em Sorocaba. A avaliação do arquiteto e professor da Uniso Tiago da Guia é a adoção do conceito de "cidade esponja".

A proposta busca aumentar a capacidade da cidade de absorver e retardar a água da chuva, reduzindo a velocidade com que ela chega às galerias, córregos e rios.

Entre as medidas defendidas pelo professor estão jardins de chuva, arborização, ampliação das áreas permeáveis e mudanças nas calçadas. "Não temos investimento em jardins de chuva em Sorocaba e o conceito de cidade esponja é exatamente para que a gente possa trocar calçadas totalmente impermeáveis por calçadas acessíveis, plenas, com essa possibilidade de jardins de chuva", afirma.

Segundo ele, os jardins de chuva também podem contribuir para reduzir ilhas de calor e melhorar a qualidade dos espaços públicos.

Responsabilidade
dos imóveis

Da Guia afirma que o controle das enchentes não deve depender apenas das obras públicas. A manutenção de áreas permeáveis nos terrenos particulares também seria importante para diminuir o volume de água encaminhado ao sistema de drenagem.

"O plano diretor prevê áreas permeáveis. Todas as pessoas têm que contribuir com a permeabilidade do solo. Quem impermeabiliza 100% do seu terreno contribui para o alagamento também", afirma.

O arquiteto defende maior fiscalização do cumprimento dessas regras e soluções distribuídas pelos bairros.

Acupuntura urbana

Outra proposta apresentada pelo especialista é a chamada acupuntura urbana, baseada em pequenas intervenções distribuídas pela cidade.

Em vez de concentrar recursos apenas em grandes obras, como novos piscinões, a ideia é criar uma rede de parques, áreas verdes, jardins de chuva e espaços de retenção de água.

"São várias intervenções ao longo da cidade, em que eu vou mitigar, vou reduzir esse impacto, essa dor, esse problema", explica.

O professor também relaciona drenagem e mobilidade. Segundo ele, melhorar transporte coletivo, caminhabilidade e acessibilidade pode reduzir a necessidade de abertura de novas vias e, consequentemente, a impermeabilização.

Obras em andamento

O Saae informou que mantém um conjunto de obras e ações de drenagem em diferentes regiões. Entre as intervenções previstas está a canalização de 1,2 quilômetro do córrego Piratininga, com financiamento da Caixa Econômica Federal. O edital de licitação já foi publicado e, segundo a Prefeitura, as obras devem começar em breve.

No Parque das Águas/Jardim Abaeté, o Saae está concluindo a implantação de novas bocas de lobo de alta capacidade para ampliar a captação das águas superficiais.

Também estão previstos projetos para elevação da pista da Avenida XV de Agosto, construção de um Reservatório de Detenção de Cheias no Jardim Sandra e novas intervenções na Vila Lucy.

No RDC Maria do Carmo, foram realizadas obras de elevação do dique de contenção e instalação de uma válvula do tipo flap. O sistema de microdrenagem também passou por adequações. O Saae afirma que cerca de 5.300 bocas de lobo são limpas por ano, com aproximadamente 8 mil metros cúbicos de material retirados anualmente. (C.M.)