Casos de Sarampo seguem concentrados na Grande SP e Estado reforça vacinação
SES-SP confirma 23 casos em 2026; Sorocaba registra 95,73% de cobertura para a primeira dose da vacina
O avanço dos casos de sarampo na Grande São Paulo mantém o sinal de alerta para as autoridades de saúde, mas, até o momento, a circulação da doença continua concentrada em três municípios paulistas. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou que 23 casos foram confirmados em 2026: 20 em moradores da capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Não há, segundo a pasta, registros confirmados em outras regiões do Estado.
A situação também levou à ampliação das ações de vacinação em São Paulo. Enquanto os três municípios que concentram os casos adotaram uma estratégia de vacinação indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos, os demais municípios paulistas estão realizando ações de atualização da caderneta, busca ativa e aplicação de doses em atraso.
Grande São Paulo
A principal informação para os municípios do interior é que, até o momento, não houve confirmação de casos de sarampo fora da área onde a cadeia de transmissão foi identificada.
De acordo com a SES-SP, os 23 casos deste ano estão distribuídos entre São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos. A pasta também informou que, desde 3 de agosto, todos os municípios do Estado estão realizando ações de vacinação, com verificação da situação vacinal da população, busca ativa e atualização de doses atrasadas conforme a idade e as recomendações vigentes.
A vacinação indiscriminada não foi estendida a todo o território paulista. Ela é destinada atualmente aos moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, municípios onde foi identificada a cadeia de transmissão. Nesses locais, pessoas de 6 meses a 59 anos devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber a vacina, independentemente do histórico vacinal, desde que não apresentem contraindicações e sejam respeitados os intervalos recomendados entre vacinas de vírus vivos atenuados.
Para os demais municípios, a orientação da pasta é: manter a vacinação de rotina e aproveitar a campanha de multivacinação para identificar pessoas com doses atrasadas.
Sorocaba
Em Sorocaba, a prefeitura informou que a cidade registra 95,73% de cobertura para a primeira dose da vacina contra sarampo e 81,34% para a segunda.
A primeira dose, portanto, já ultrapassa a meta de 95% estabelecida pelas autoridades de saúde. O principal ponto de atenção está na segunda dose, que permanece abaixo desse percentual.
A cidade não registra caso confirmado de sarampo desde 2020. Naquele ano, foram sete infecções. Desde então, a prefeitura informou ter descartado oito casos suspeitos em 2024 e outros três em 2025. Em 2026 não houve registro de caso suspeito no município.
A vacina tríplice viral continua disponível na rede municipal de saúde, e a orientação é que os moradores verifiquem a situação da caderneta nas unidades de saúde, especialmente crianças e adolescentes.
Vacinação
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa por meio de partículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas.
A transmissão pode ocorrer desde seis dias antes até quatro dias depois do aparecimento das manchas vermelhas características da doença. Por isso, a identificação rápida de casos e a manutenção de altas coberturas vacinais são medidas importantes para impedir que uma cadeia de transmissão se espalhe para outras cidades.
O Brasil voltou a receber, em 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo. Isso não significa que o país esteja livre de casos. O Ministério da Saúde destaca que infecções isoladas ou importadas podem ocorrer e reforça a necessidade de manter elevadas as coberturas vacinais para evitar o restabelecimento da transmissão.
Sintomas
Os principais sinais do sarampo são febre alta, geralmente acima de 38,5°C, acompanhada de manchas vermelhas pelo corpo. Também podem aparecer tosse seca, coriza, conjuntivite e mal-estar intenso.
As manchas costumam surgir entre três e cinco dias depois do início dos sintomas e aparecem inicialmente no rosto e atrás das orelhas. Em seguida, podem se espalhar pelo restante do corpo. A permanência da febre depois do surgimento das manchas é considerada um sinal de alerta e pode indicar maior gravidade, especialmente em crianças menores de 5 anos.
A doença pode provocar complicações, principalmente em crianças pequenas. Entre elas estão pneumonia, infecção média aguda e encefalite. A pneumonia é apontada pelo Ministério da Saúde como uma das principais causas de morte relacionada ao sarampo em crianças pequenas.
Diante de sintomas compatíveis, a recomendação é procurar um serviço de saúde e informar ao profissional sobre possíveis viagens ou contato com pessoas que tenham apresentado a doença.
Quem deve tomar a vacina
Na rotina do Programa Nacional de Imunizações, a vacina contra o sarampo é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos, de acordo com a idade e o histórico de vacinação.
O esquema de rotina começa aos 12 meses, com a primeira dose, e segue aos 15 meses, com a segunda. Adolescentes e adultos que não tenham sido vacinados ou não consigam comprovar o esquema devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de iniciar ou completar a vacinação.
Para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, pode ser indicada a chamada dose zero em situações específicas de risco epidemiológico, como áreas com circulação do vírus. Essa dose é uma proteção adicional e não substitui as duas doses previstas no calendário de rotina a partir dos 12 meses.
No caso dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a estratégia é mais ampla neste momento: a vacinação foi recomendada para pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, como medida para conter a cadeia de transmissão identificada nessas localidades.
Carteira de vacinação
A falta da caderneta não deve ser motivo para deixar de procurar uma unidade de saúde. O histórico disponível deve ser analisado pelos profissionais para verificar quais doses são necessárias.
Para adultos que não sabem se foram vacinados, a orientação é procurar o serviço de saúde e verificar a situação vacinal. O Ministério da Saúde também reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra o sarampo.
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Existe também a vacina tetraviral, que acrescenta a proteção contra a varicela. A definição sobre qual imunizante será utilizado depende da idade, do histórico vacinal e da situação epidemiológica.
Cuidados
Como o sarampo é transmitido pelo ar e apresenta alta capacidade de contágio, a vacinação é a principal barreira contra a doença. Pessoas com suspeita ou confirmação de sarampo devem evitar o trabalho ou a escola por pelo menos quatro dias a partir do aparecimento das manchas, além de reduzir o contato com pessoas mais vulneráveis, como crianças pequenas e gestantes.
Medidas como cobrir a boca ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos e evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios também ajudam a reduzir a transmissão. Em caso de suspeita, é importante procurar atendimento e informar previamente a possibilidade de sarampo para que sejam adotadas as medidas de isolamento necessárias no serviço de saúde.