Exército amplia participação de mulheres no serviço militar
Primeiras militares do serviço voluntário iniciaram atividades em março; integração em Sorocaba ainda depende de estudos
Trinta e dois anos após a entrada da primeira turma feminina no Quadro Complementar de Oficiais (QCO), o Exército Brasileiro iniciou uma nova etapa da participação das mulheres nas Forças Armadas com a incorporação das primeiras soldados por meio do serviço militar voluntário. A Base do Interior de Sorocaba acompanha esse processo e poderá integrar a expansão futuramente, embora ainda sem prazo definido.
Em março deste ano, as primeiras mulheres incorporadas por meio do serviço militar voluntário iniciaram suas atividades. O Exército ofereceu 1.010 vagas, enquanto a Marinha disponibilizou 155 e a Aeronáutica, 300. Na primeira oportunidade de alistamento voluntário feminino, 33.721 mulheres se inscreveram para participar do processo seletivo.
O comandante da Base de Apoio Regional de Sorocaba , coronel de artilharia Filipe Gomes, afirmou que existe uma previsão em médio prazo para que mulheres passem a servir na unidade, mas ressaltou que o processo ainda depende de estudos de viabilidade. "O mais importante é que iniciou, e a ideia é manter e ampliar. O ritmo dessa expansão depende de orçamento, adaptações e das necessidades do Exército", afirmou.
Apesar do alto interesse das candidatas e do início das atividades na capital paulista, sede do Comando da 2ª Região Militar, a expansão para o interior exige planejamento. O principal desafio, segundo o Exército, é a adequação da infraestrutura das Organizações Militares (OM), além da disponibilidade de recursos para as adaptações necessárias.
Para receber as novas soldados, os quartéis precisam passar por mudanças estruturais, como a construção ou adaptação de alojamentos e banheiros exclusivos, além da preparação das equipes responsáveis pela instrução. O modelo adotado pelo Exército prevê atividades conjuntas entre homens e mulheres, mas com acompanhamento de sargentos ou oficiais femininas durante o período de formação, facilitando a integração das novas militares e oferecendo suporte quando necessário.
O coronel alerta que "o alistamento é igual ao dos homens. A diferença é que, para as mulheres, ele é voluntário." Interessadas em servir podem procurar uma Junta Militar e se alistar, mesmo em locais onde ainda não há a incorporação. A Junta Militar de Sorocaba fica na rua Comendador Hermelino Matarazzo, 43, na Vila Santa Rita.
Espaço e liderança
A presença feminina no Exército não é recente. Desde 1992, mulheres ingressam no Quadro Complementar de Oficiais (QCO), destinado a profissionais de nível superior em áreas específicas de interesse da Força Terrestre. O ingresso como soldados, no entanto, representa uma nova etapa da ampliação dessa participação.
As especialidades abertas a ambos os sexos variam conforme o edital anual da Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx).
A major Carla Renata Rodrigues Machado, oficial da área de Direito que atua na Base de Apoio Regional de Sorocaba e ingressou na Força em 2010 após aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no concurso da instituição, afirma que o plano de carreira não estabelece diferenciação entre homens e mulheres nas promoções.
"A limitação é do quadro escolhido e não pelo fato de ser mulher. Se o profissional pertence a uma especialidade que chega a um determinado posto, ele vai concorrer e tem as mesmas chances de alcançar aquela posição", explicou.
Desde 2018, as mulheres também passaram a ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), com a entrada da primeira turma feminina da linha de ensino militar bélico. Atualmente, as oficiais formadas na academia podem optar pelas áreas de comunicações, material bélico e intendência.
Para a major, a integração feminina deixou de ser uma perspectiva para se tornar parte da rotina da instituição. "Desde o meu curso de formação já havia muitas mulheres, e em todas as organizações militares em que venho trabalhando sempre notei uma forte presença feminina, inclusive de militares temporárias", afirmou.
A evolução da participação feminina ganhou um novo marco recentemente, quando o Exército promoveu Cláudia Lima Gusmão Cacho, para o posto de oficial-general na área da Saúde.