Coreso enfrenta crise no número de cooperados
Entidade opera com metade dos trabalhadores necessários após queda no valor dos recicláveis
A Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) enfrenta dificuldades para manter a coleta seletiva no município devido à redução no número de cooperados e à queda na produção. Segundo a presidente da entidade, Claire Pasqualini, a equipe caiu de cerca de 55 trabalhadores, considerados necessários para uma operação adequada, para 26 atualmente.
De acordo com ela, a principal causa foi a forte queda no preço dos materiais recicláveis no início do ano, que levou muitos cooperados a buscar outras fontes de renda. "Foi um cenário catastrófico, porque despencou, não baixou. Perdemos muitos cooperados", afirmou.
Mesmo com a recuperação dos valores nos últimos meses, a cooperativa não conseguiu recuperar a mão de obra. Com menos trabalhadores, a capacidade de triagem e coleta foi prejudicada. "Hoje, com a equipe que eu tenho, não consigo uma produção adequada para pagar uma retirada. É um ciclo que a gente não está conseguindo quebrar", disse.
A redução afetou a coleta seletiva. Segundo Claire, até novembro do ano passado, a Coreso atendia os bairros uma vez por semana. Atualmente, a falta de trabalhadores reduziu o serviço para uma tentativa de coleta mensal em cada bairro. "A gente continua fazendo a coleta seletiva, mas não na mesma proporção", afirmou.
Na triagem, a equipe caiu de 16 ou 18 pessoas para sete ou oito trabalhadores. A situação também dificulta a divulgação de um cronograma fixo, já que a cooperativa depende da quantidade de cooperados disponíveis diariamente. "Às vezes, programamos uma coleta e no outro dia não temos cooperados suficientes", explicou.
Pedido de apoio
A Coreso afirma que busca apoio da prefeitura por meio da contratação do serviço realizado pela cooperativa, e não de auxílio financeiro. Segundo Claire, um contrato com remuneração fixa poderia dar estabilidade à operação.
Ela afirma que a cooperativa tem dificuldade para competir com empresas que oferecem salário fixo e benefícios. "Eu não consigo competir com uma empresa que paga salário mínimo, oferece convênio médico, cesta básica e vale-transporte", disse.
A presidente também questiona os custos mantidos pela entidade, que chegam a R$ 30 mil a R$ 40 mil por mês, incluindo manutenção do galpão, energia, água, IPTU e outras taxas. "Hoje a manutenção sai do rateio dos cooperados", declarou.
Estrutura
Em nota, a Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema) informou que o município fornece infraestrutura para a coleta seletiva, com equipamentos, barracões e caminhões com motorista.
Sobre as despesas do espaço, a prefeitura afirmou que água e energia são de responsabilidade da Coreso, conforme previsto na legislação de cessão dos imóveis.
A administração municipal disse que a coleta seletiva continua sendo realizada e que fará um diagnóstico junto às cooperativas para avaliar a situação e buscar alternativas.
O Executivo informou ainda que Sorocaba participa do programa Integra Resíduos, do Governo do Estado, voltado à modernização da gestão de resíduos sólidos. Segundo a administração, a iniciativa prevê a inclusão dos catadores e gestores municipais já participaram de capacitações.
Para Claire, porém, ainda há dúvidas sobre a participação das cooperativas nos novos modelos de gestão. "A gente ouve falar dessa proposta há anos, mas ninguém chamou para explicar qual seria o papel das cooperativas", afirmou.