Pesquisa da UFSCar Sorocaba sobre evolução dos cactos brasileiros recebe dois prêmios nacionais
Estudo desenvolvido no Campus Sorocaba foi destaque no Congresso Brasileiro de Biologia Evolutiva e recebeu dois prêmios
Uma pesquisa de iniciação científica desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Campus Sorocaba, conquistou reconhecimento nacional ao receber duas premiações durante o II Congresso Brasileiro de Biologia Evolutiva (SBBE 2026), realizado entre os dias 15 e 17 de julho, em Belo Horizonte (MG).
O trabalho foi eleito a melhor apresentação oral na sessão de Sistemática Evolutiva e também recebeu o reconhecimento como a segunda melhor apresentação do congresso, considerando todas as áreas temáticas.
A pesquisa foi desenvolvida pela estudante Mi Sviatek Ribeiro Rocha, do curso de bacharelado em Ciências Biológicas, no Laboratório de Diversidade Genética e Evolução (LAGEVol), sob orientação do professor Fernando de Faria Franco, do Departamento de Biologia (DBIO-So), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O objetivo do estudo é investigar as relações evolutivas entre essas espécies. A pesquisa utiliza técnicas de sequenciamento genético de nova geração e uma abordagem filogenômica, envolvendo um painel com centenas de genes, o que permite reconstruir com maior precisão a história evolutiva dos cactos estudados. O trabalho analisa, em especial, as relações entre Cereus mirabella, Cereus albicaulis e Cereus alexbragae, espécies cuja classificação ainda é motivo de debate entre especialistas.
Além de testar se essas plantas representam espécies evolutivamente distintas, a pesquisa procura identificar possíveis linhagens intraespecíficas, contribuindo para uma compreensão mais precisa da diversificação dos cactos brasileiros. Os resultados poderão subsidiar estudos evolutivos futuros e oferecer informações importantes para estratégias de conservação da biodiversidade.
Segundo os pesquisadores responsáveis, a correta delimitação de espécies é fundamental não apenas para compreender os processos evolutivos, mas também para orientar políticas de conservação, especialmente em grupos que passaram por processos rápidos de diversificação e cujas diferenças não podem ser identificadas apenas pela morfologia.
O reconhecimento obtido no II Congresso Brasileiro de Biologia Evolutiva evidencia a qualidade das pesquisas desenvolvidas no LAGEVol e reforça o papel da UFSCar na formação de novos pesquisadores e na produção de conhecimento científico de excelência nas áreas de evolução, sistemática e conservação da biodiversidade.