Nova ETA amplia abastecimento em Ibiúna e integra pacote de investimentos em saneamento

Secretária destaca que os investimentos fazem parte do novo contrato firmado com a Sabesp, que ampliou os recursos destinados ao saneamento

Por João Frizo

Na foto, da esquerda para a direita: o diretor presidente da diretoria executiva da FUA, Carlos Hingst Corrá; a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende; e o diretor editorial da FUA, Rubens Cury Basso

Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (30), a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, destacou os investimentos do Governo de São Paulo em saneamento, preservação dos recursos hídricos e infraestrutura ambiental. Durante a conversa, ela ressaltou a inauguração da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) de Ibiúna, que amplia a capacidade de abastecimento do município, e apresentou ações voltadas à segurança hídrica e ao uso de novas tecnologias, como a produção de biometano.

A secretária esteve na região para participar da entrega da nova ETA de Ibiúna, empreendimento que reforça o sistema de abastecimento de água da cidade. Segundo ela, a estação foi projetada para atender áreas que enfrentavam dificuldades no fornecimento, principalmente por causa das características do relevo do município. "A gente vai inaugurar uma estação de tratamento de água bem importante para a cidade. Vai atingir lugares que antes não tinham água, lugares mais altos. Em Ibiúna tem todo um desafio de relevo", afirma. A unidade tem capacidade para tratar 50 litros de água por segundo e deve beneficiar mais de 76 mil moradores.

Natália destacou que os investimentos fazem parte do novo contrato firmado com a Sabesp, que ampliou os recursos destinados ao saneamento. Segundo ela, o planejamento prevê R$ 856 milhões em investimentos em Ibiúna até 2029.

Ela comparou os valores aplicados antes e depois do novo modelo de concessão. De acordo com ela, o investimento médio anual por habitante passou de R$ 127 para R$ 1.357, permitindo ampliar obras tanto de abastecimento de água quanto de coleta e tratamento de esgoto. "Precisava fazer mais investimentos, tanto em água quanto em esgoto. A gente consegue dar mais qualidade de vida, dar mais estabilidade no abastecimento e também fazer o tratamento de esgoto", diz.

Ela acrescentou que a expansão da infraestrutura de saneamento também contribui para reduzir a poluição dos cursos d'água. Segundo a secretária, somente no último ano cerca de quatro milhões de pessoas passaram a contar com coleta e tratamento de esgoto no Estado, reduzindo em 22% a carga orgânica lançada no Rio Tietê.

Planejamento

Durante a entrevista, Natália Resende afirmou que as ações da secretaria têm buscado integrar obras de infraestrutura, preservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas. Segundo ela, o Estado analisa todas as bacias hidrográficas paulistas para definir prioridades de intervenção.

Ela explicou que o planejamento considera os efeitos dos eventos climáticos extremos, que vêm provocando tanto períodos prolongados de seca quanto episódios de chuvas intensas em diferentes regiões. "Hoje, muitas vezes, as nossas cidades passam por uma escassez e, ao mesmo tempo, têm enchente. Então, a gente tem que olhar tudo de forma integrada", afirma.

Ela informou que essas ações fazem parte da Estratégia Climática do Estado de São Paulo, com planejamento até 2050. Entre as medidas previstas estão a proteção e a recuperação de mananciais, a restauração de áreas degradadas e o fortalecimento da segurança hídrica.

Segundo Natália, a meta inicial era restaurar 37,5 mil hectares até o fim de 2026, mas o Estado já se aproxima de 45 mil hectares recuperados por meio de diferentes iniciativas ambientais.

A secretária também citou investimentos em obras estruturantes voltadas ao abastecimento de água, como o projeto da barragem do Piraí, desenvolvido em parceria com o consórcio que reúne Itu, Salto e Indaiatuba. De acordo com ela, o empreendimento deverá ampliar a segurança hídrica para mais de 700 mil pessoas, além de prever ações de restauração ecológica e implantação de um parque linear ao longo do Rio Jundiaí.

Despoluição dos rios

Outro tema abordado foi o programa 'Integra Tietê', criado para coordenar ações de recuperação ao longo dos 1.136 quilômetros do Rio Tietê.

Segundo a secretária, o Estado realiza o desassoreamento dos rios e faz a destinação adequada dos resíduos retirados. Ela explicou que a maior parte desse material não é contaminada e pode ser encaminhada para processos de reaproveitamento dentro da chamada economia circular.

Natália afirmou que aproximadamente seis milhões de metros cúbicos de sedimentos e resíduos já foram retirados dos rios Tietê e Pinheiros, incluindo pneus, carcaças de veículos e outros materiais descartados irregularmente.

Biometano

Também, houve um destaque no avanço da produção de biometano no Estado de São Paulo, apontando a fonte como uma das principais apostas para ampliar a matriz energética paulista de forma sustentável.

Ela explicou que o combustível é produzido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, especialmente do setor sucroenergético e dos aterros sanitários. Inicialmente, esses resíduos geram o biogás, utilizado para abastecer as próprias unidades de processamento. Após um processo de refinamento, transforma-se em biometano, que pode ser injetado na rede de distribuição de gás ou utilizado como combustível para veículos pesados.

Segundo Natália, estudos realizados pelo Estado apontam potencial para produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. Desse total, cerca de 84% poderão ser provenientes do setor sucroenergético e os outros 16% dos resíduos sólidos urbanos. "A gente tem um potencial aqui no Estado de São Paulo de chegar a 6,4 milhões de metros cúbicos por dia. Isso significa abastecer metade da indústria de São Paulo por meio do biometano", afirma.

Como exemplo, ela citou Presidente Prudente, primeira cidade brasileira a receber biometano produzido a partir do bagaço e da vinhaça da cana-de-açúcar para abastecer residências e estabelecimentos comerciais.

Para a secretária, o aproveitamento energético dos resíduos representa um dos exemplos de economia circular em desenvolvimento no Estado, reduzindo a destinação de resíduos a aterros sanitários e ampliando a oferta de energia renovável para a indústria e o transporte.

Visita

Antes de cumprir agenda em Ibiúna, a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, visitou a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), mantenedora do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Politécnico. Ela foi recebida pelo diretor-presidente da Diretoria Executiva; Carlos Hingst Corrá, e pelo diretor editorial; Rubens Cury Basso. Durante o encontro, foram tratados temas relacionados aos investimentos em infraestrutura, saneamento e preservação ambiental no Estado.

A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://www.youtube.com/watch?v=NJQItyawZuk