Comandante do CPI-7 apresenta resultados e aponta desafios da segurança na região
Durante encontro com empresários do LIDE Sorocaba, coronel Ricardo Salomão destacou redução dos índices criminais, o uso da tecnologia no policiamento e a integração entre poder público, sociedade e iniciativa privada
Os índices de criminalidade seguem em queda na área de atuação do Comando de Policiamento do Interior 7 (CPI-7), mas o principal desafio das forças de segurança é manter essa tendência. A avaliação é do comandante do CPI-7, coronel Ricardo Salomão, durante palestra promovida pelo LIDE Sorocaba na manhã desta terça-feira (28), em Votorantim. O encontro reuniu empresários para discutir os impactos da segurança pública no desenvolvimento econômico da região.
Segundo o coronel, o trabalho da Polícia Militar tem alcançado resultados positivos, mas a redução dos indicadores exige aperfeiçoamento constante das estratégias de policiamento. "O grande desafio é, no mínimo, manter como está e melhorar. Nada é tão bom que não possa ser melhorado. Nossos índices são bons e estamos em um parâmetro bastante interessante", afirmou.
Durante a apresentação, Salomão mostrou dados do primeiro semestre deste ano na área do CPI-7, que reúne 78 municípios. Foram apreendidas cerca de 170 armas de fogo, recuperados 763 veículos, presas aproximadamente 2,5 mil pessoas e retiradas de circulação quase três toneladas de drogas.
O comandante também destacou os resultados da Operação Impacto Integrada, realizada recentemente na região. A ação resultou em quase 5 mil pessoas abordadas, 530 quilos de drogas apreendidos, 116 prisões, 171 flagrantes, 45 procurados capturados e 19 veículos recuperados.
Tecnologia e capacidade de resposta
Para Salomão, a tecnologia tornou-se uma das principais aliadas da segurança pública. O uso de drones, sistemas de inteligência, câmeras operacionais e ferramentas de análise tem permitido direcionar melhor o policiamento e reduzir o tempo de resposta às ocorrências. "Temos usado sistemas para fazer análises, direcionar o policiamento, drones e ferramentas com inteligência artificial, tudo para trazer mais celeridade ao atendimento e uma melhor resposta."
O comandante também incentivou empresários e moradores a integrarem câmeras particulares ao programa Muralha Paulista, que conecta equipamentos de monitoramento às forças de segurança. "Todos nós podemos colocar nossas câmeras das casas, empresas e comércios no Muralha Paulista. É uma forma de aumentar os olhos da segurança e ajudar nesse trabalho."
Segundo ele, a estratégia amplia a capacidade de monitoramento e auxilia na identificação de veículos furtados, suspeitos e ocorrências em tempo real.
Segurança além do policiamento
Na avaliação do comandante, a redução da criminalidade depende de um conjunto de fatores que vai além da atuação policial. Durante a palestra, ele citou ações de revitalização urbana, melhoria da iluminação pública, limpeza de terrenos e fortalecimento da chamada "ocupação positiva" dos espaços públicos como medidas que ajudam a prevenir crimes.
Salomão também alertou para novas modalidades utilizadas pelo crime organizado. Entre elas, citou o furto de energia para abastecer equipamentos destinados à mineração de criptomoedas, utilizados para lavagem de dinheiro.
Economia e segurança
O presidente do LIDE Sorocaba, Flávio Amary, afirmou que a entidade decidiu levar o tema aos empresários por entender que segurança pública influencia diretamente o ambiente de negócios. "A segurança tem correlação direta com a economia. Quando a segurança está melhor, a economia vai melhor. Uma região mais segura traz mais movimento para bares, restaurantes, cultura, turismo, empresas e geração de empregos."
Segundo Amary, o encontro também serviu para aproximar o setor produtivo das forças de segurança e identificar formas de colaboração entre empresários e a Polícia Militar.
Segurança privada
O diretor comercial do Grupo Samuray, Stephan August, destacou que a procura por serviços de segurança privada continua crescendo, impulsionada principalmente pelo avanço das tecnologias. "Hoje é possível oferecer o mesmo nível de proteção com menor efetivo, graças à tecnologia", afirmou.
Segundo ele, a segurança privada atua de forma preventiva e complementa o trabalho das forças policiais. "A segurança pública e a segurança privada remam para o mesmo lado. A segurança privada trabalha para evitar que a ocorrência aconteça e, quando necessário, aciona imediatamente a Polícia Militar."
Além do combate à criminalidade, o comandante apresentou programas sociais desenvolvidos pela Polícia Militar, como iniciativas voltadas à prevenção às drogas, atendimento a jovens e projetos de equoterapia para pessoas com deficiência e transtorno do espectro autista, reforçando que a atuação da corporação também busca fortalecer os vínculos com a comunidade.