Crescimento de Sorocaba exige planejamento para preservar qualidade de vida, afirma diretor do Secovi-SP
Júlio Casas defende atuação conjunta entre entidades e poder público para acompanhar a expansão urbana e garantir infraestrutura adequada à população
O crescimento acelerado de Sorocaba, impulsionado pela chegada de novos investimentos e pelo aumento da população, exige planejamento urbano, infraestrutura e mobilidade. A avaliação é do diretor regional do Secovi-SP, Júlio Casas, que participou de uma reunião com representantes do SindusCon-SP e da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (Aeas) para discutir ações voltadas ao desenvolvimento da cidade. Em entrevista ao Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (27), ele afirmou que Sorocaba vive um dos momentos mais importantes de sua história recente e precisa aproveitar esse cenário para crescer de forma organizada.
Segundo Casas, a cidade consolidou-se como um dos principais polos de desenvolvimento do interior paulista graças à localização estratégica, à infraestrutura logística e à atração de novos empreendimentos industriais. Nos últimos três anos, Sorocaba recebeu aproximadamente 39 mil novos moradores e a expectativa é de continuidade desse crescimento com projetos como a expansão da Toyota e a implantação do Cacau Park. "Nós vamos ter que, organizadamente, planejar melhor a cidade para um desenvolvimento sustentado, com mobilidade e com as condições de infraestrutura ideais."
Para o diretor, o crescimento beneficia toda a cadeia econômica e amplia a demanda por moradias, mas exige planejamento para evitar impactos negativos sobre a cidade. "O mercado imobiliário acompanha isso com muita satisfação, porque significa desenvolvimento para toda a cadeia econômica."
Planejamento urbano
Na avaliação de Júlio Casas, o crescimento da cidade não pode ocorrer apenas em função da demanda por novos empreendimentos. O planejamento deve contemplar mobilidade, infraestrutura, preservação ambiental, legislação e ocupação ordenada do território.
Com esse objetivo, Secovi-SP, SindusCon-SP e Aeas iniciaram uma agenda conjunta para discutir os desafios da construção civil e oferecer apoio técnico ao poder público. A proposta reúne engenheiros, arquitetos, incorporadores, construtoras e demais profissionais do setor para contribuir com a formulação de políticas públicas voltadas ao crescimento urbano.
O diretor destacou ainda que o Secovi-SP participou das discussões do Plano Diretor apresentando sugestões relacionadas ao urbanismo, à mobilidade e aos impactos das decisões urbanísticas sobre o mercado imobiliário. "Não adianta simplesmente sair construindo. Tem que verificar todos esses itens, porque senão a gente vai criar um caos nas cidades."
Durante a entrevista, Casas ressaltou que o desenvolvimento não ocorre apenas em Sorocaba. Municípios como Itu, Porto Feliz, Boituva, Araçoiaba da Serra e Salto de Pirapora também vêm recebendo investimentos industriais e imobiliários, fortalecendo a Região Metropolitana.
Segundo ele, esse movimento amplia a geração de empregos e reforça Sorocaba como cidade-polo, concentrando hospitais, universidades, escolas, comércio e serviços para moradores de toda a região.
A duplicação da rodovia Raposo Tavares (SP-270) e a infraestrutura da rodovia Castello Branco (SP-280) também contribuíram para aproximar Sorocaba da capital paulista, aumentando o interesse de pessoas que trabalham em São Paulo, mas optam por morar no interior. "A pessoa encontra aqui estrutura de hospitais, escolas, restaurantes e serviços semelhantes aos da capital, mas com uma qualidade de vida maior."
Mercado imobiliário
Outro tema abordado foi a mudança no perfil dos empreendimentos. Segundo Júlio Casas, Sorocaba começa a registrar lançamentos de apartamentos entre 25 e 30 metros quadrados, destinados principalmente a jovens, pessoas que vivem sozinhas e investidores interessados em locações.
Ele explicou que essa tendência acompanha mudanças no perfil das famílias, como o adiamento do casamento, a redução do número de moradores por residência e a procura por imóveis de fácil manutenção. "Ninguém produz alguma coisa para depois descobrir se vende. Primeiro é feito um estudo de mercado para entender a demanda. Depois são desenvolvidos os produtos para atender essa necessidade."
Os indicadores do Secovi-SP mostram que Sorocaba lançou 5.632 unidades habitacionais em 2025 e comercializou aproximadamente 6.200 imóveis no mesmo período. Além dos lançamentos, parte do estoque existente foi absorvida, reduzindo a oferta para entre quatro e seis meses, índice considerado baixo para uma cidade em expansão. "Se parássemos de produzir hoje, em poucos meses não haveria mais imóveis em lançamento para comercialização. Isso mostra a força do mercado e o potencial de crescimento da cidade."
Segundo Casas, o segmento econômico concentra o maior volume de vendas, enquanto os empreendimentos de médio e alto padrão mantêm ritmo diferente de comercialização. Ele destacou ainda que a expansão imobiliária ocorre em todas as regiões do município. Enquanto a Zona Sul reúne imóveis de maior padrão em razão do valor dos terrenos, outras áreas concentram empreendimentos econômicos.
O fortalecimento dos bairros, com comércio, escolas, supermercados e serviços próprios, também reduziu a necessidade de deslocamentos ao Centro. Além disso, Sorocaba ampliou o índice de verticalização nos últimos anos, reflexo da expansão urbana registrada na última década.
Para o diretor regional do Secovi-SP, manter esse ritmo dependerá da integração entre iniciativa privada, entidades técnicas e poder público. "O planejamento acontece com base em estudos de mercado e na análise das necessidades da população. É isso que permitirá que Sorocaba continue crescendo sem abrir mão da qualidade de vida."
A entrevista completa você pode acessar pelo LINK: https://qrln.org/2mSFg