Terapia ganha espaço e vaialém dos momentos de crise
Especialista destaca que ampliar o atendimento psicológico ajuda a prevenir transtornos e promove bem-estar
Em meio à rotina acelerada, às cobranças constantes, à hiperconectividade e às incertezas do cotidiano, cuidar da saúde mental deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a fazer parte das conversas sobre qualidade de vida. Ansiedade, estresse, esgotamento emocional e dificuldades nos relacionamentos têm levado cada vez mais pessoas a reconhecer a importância de buscar ajuda profissional. Nesse cenário, a terapia ganha força não apenas como um recurso para momentos de crise, mas como um caminho para o autoconhecimento, o equilíbrio emocional e o desenvolvimento pessoal.
No entanto, apesar da maior conscientização sobre o tema, o acesso ao atendimento psicológico ainda representa um desafio para boa parte da população. O custo das sessões faz com que muitas pessoas adiem ou abandonem o tratamento, permitindo que questões emocionais se agravem ao longo do tempo.
A psicoterapeuta Elisete Calegari explica que foi justamente essa realidade que a motivou a criar um modelo de atendimento terapêutico de baixo custo. Segundo ela, a necessidade ficou evidente tanto no consultório quanto em projetos sociais dos quais participa.
"A saúde mental não pode ser tratada como um privilégio de poucos. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar da saúde física", afirma. A proposta, segundo a especialista, é permitir que mais pessoas tenham acesso à terapia e possam fortalecer aspectos da vida pessoal, familiar, social e profissional.
Na avaliação de Elisete, um dos principais problemas enfrentados por quem não consegue pagar pelos valores praticados no mercado é que a busca por ajuda costuma acontecer apenas quando o sofrimento emocional já está intenso. Casos de ansiedade, depressão, luto, dependência emocional, estresse e conflitos familiares tendem a se agravar sem acompanhamento adequado.
"Muitas pessoas também sentem culpa por investir em si mesmas ou acreditam que precisam suportar tudo sozinhas. Quando o acesso é limitado, o sofrimento acaba se prolongando e interfere nos relacionamentos, no trabalho e na qualidade de vida", observa.
A psicoterapeuta destaca que os benefícios da terapia vão além da resolução de problemas imediatos. Entre os resultados mais frequentes, ela aponta o fortalecimento da autoestima, o desenvolvimento do autoconhecimento, a melhora na gestão das emoções e a construção de relações mais saudáveis.
"A terapia não elimina os desafios da vida, mas oferece ferramentas para enfrentá-los de maneira mais equilibrada e consciente", ressalta.
Segundo Elisete, a procura pelo atendimento é bastante diversificada. Jovens, adultos, idosos, estudantes, empresários, profissionais de diferentes áreas e donas de casa fazem parte do público atendido, demonstrando que o sofrimento emocional não está ligado à idade, profissão ou condição social.
Para ela, essa diversidade evidencia a necessidade de ampliar o acesso aos serviços de saúde mental e reforça a importância de combater o preconceito em torno da terapia.
"Iniciativas de atendimento acessível são fundamentais para tornar a saúde mental um direito, e não um privilégio. Quanto mais falamos sobre o tema e facilitamos o acesso ao tratamento, mais mostramos que buscar ajuda é um ato de coragem, responsabilidade e autocuidado".
Além de contribuir para o bem-estar individual, a especialista acredita que investir na saúde mental também reflete em famílias mais saudáveis, relações mais equilibradas, ambientes de trabalho mais produtivos e em uma sociedade mais consciente sobre a importância do cuidado emocional. "A terapia, deve ser vista como uma ferramenta permanente de desenvolvimento humano e promoção da qualidade de vida, e não apenas como uma alternativa diante de momentos de crise", conclui.