Bebê morre após passar por atendimentos em unidades de saúde de Sorocaba

Isaac Filipe apresentou febre, lesões na pele, vômitos e alterações no quadro respiratório; Polícia Civil requisitou exames necroscópico e toxicológico ao IML

Por Caroline Mendes

Isaac Filipe apresentou febre, lesões na pele, vômitos e alterações no quadro respiratório

A morte de Isaac Filipe Aguiar de Assis Verissimo, de 10 meses, morador do Parque São Bento, em Sorocaba, é investigada pela Polícia Civil como morte suspeita. O bebê morreu na manhã de sábado (18), após passar por atendimentos em unidades de saúde do município nos dias anteriores. A mãe da criança registrou um boletim de ocorrência no Plantão Policial de Sorocaba, no mesmo dia.

Segundo o documento, Isaac começou a apresentar febre no domingo anterior à morte e permaneceu com o quadro durante a segunda e a terça-feira. A mãe relatou à polícia que o bebê havia sido atendido anteriormente, em junho, quando teria recebido diagnóstico de bronquiolite e, posteriormente, sido informada sobre a possibilidade de um quadro de asma.

Na quinta-feira (16), diante da persistência dos sintomas, a mãe levou o filho ao PA da zona oeste. Conforme o relato registrado no BO, foram observadas diversas lesões cutâneas, descritas como “bolinhas” espalhadas pelo corpo, mas não teria sido estabelecido um diagnóstico conclusivo para o quadro.

Na sexta-feira (17), ainda segundo o boletim, a mãe levou novamente Isaac ao Pronto-Socorro Nogueira Padilha em razão da persistência do mal-estar. O documento registra que foi realizada uma inalação, mas que, segundo a declarante, não teria sido informado um diagnóstico preciso para a febre e as lesões na pele.

Já na madrugada de sábado (18), por volta das 3h10, a mãe levou o bebê à UPA General Carneiro. De acordo com o relato registrado no BO, Isaac apresentava um quadro respiratório associado a episódios de vômito e foi liberado após o atendimento.

Ainda dentro da unidade de saúde, logo após a liberação, a mãe, acompanhada da avó materna da criança, teria percebido uma piora no estado clínico do bebê. Segundo o relato, os lábios de Isaac passaram a apresentar coloração arroxeada. A família pediu ajuda à equipe médica, que voltou a atender a criança.

Conforme informado à Polícia Civil pelo médico responsável pelo atendimento, Isaac apresentava vômitos e evoluiu para hipoatividade, rebaixamento do nível de consciência e, posteriormente, parada cardiorrespiratória. Apesar das manobras de reanimação, o bebê morreu por volta das 6h34.

Família pede justiça

A tia de Isaac, Thais Pereira, afirmou que a família está abalada com a morte do bebê e busca respostas sobre o que aconteceu nos dias que antecederam o óbito.

Segundo Thais, a família questiona especialmente a sequência de atendimentos e a ausência de um diagnóstico para os sintomas apresentados pelo bebê. Ela também afirma que não teriam sido realizados exames durante um dos atendimentos e que Isaac recebeu uma medicação intravenosa antes de sofrer a parada cardiorrespiratória.

A família ainda não soube informar o nome do medicamento administrado. Segundo a tia, essa informação deverá ser verificada no prontuário médico, assim como os demais procedimentos realizados durante os atendimentos.

Morte suspeita

Diante do relato apresentado pela mãe, especialmente em relação à ausência de um diagnóstico conclusivo nos atendimentos anteriores e à possibilidade de eventual falha na assistência médica, a autoridade policial determinou o registro da ocorrência como morte suspeita.

A Polícia Civil requisitou a realização de exames necroscópico e toxicológico pelo Instituto Médico Legal (IML) para apurar a causa determinante da morte e esclarecer as circunstâncias do caso.

O boletim de ocorrência registra a possibilidade de eventual negligência na assistência médica, mas a existência ou não de falha no atendimento ainda será apurada. Os exames e demais elementos da investigação deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte.

Causa da morte

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SES) lamentou o ocorrido e afirmou que está à disposição dos familiares para todo esclarecimento necessário.

Após solicitar informações às unidades de urgência responsáveis pelos atendimentos, a SES informou que foi comunicada de que os protocolos médicos foram respeitados. Segundo a pasta, durante o tratamento, não teriam sido apresentados sinais vitais de risco nas pré-consultas de triagem e durante a consulta médica.

A Secretaria informou ainda que aguarda a definição da causa do óbito pelo Sistema de Verificação de Óbito (SVO). O Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), gestora responsável pela unidade, já tomou as medidas cabíveis em relação ao profissional, conforme a nota.

A SES afirmou que aguarda mais informações para a continuidade das tratativas e fiscalizações que lhe cabem e que permanece à disposição das demais autoridades.

Casos recentes

A morte de Isaac ocorre após outros dois casos recentes envolvendo crianças e adolescentes que passaram por unidades de saúde de Sorocaba e tiveram os atendimentos questionados por familiares.

Em junho, uma menina de 8 anos morreu na UPH da Zona Leste enquanto aguardava uma vaga de UTI pediátrica. Segundo a Santa Casa de Sorocaba, responsável pela gestão da unidade, a criança chegou em estado gravíssimo, com severa desidratação causada por um quadro intenso de diarreia. A instituição informou que foi solicitada uma transferência emergencial, mas não havia vaga disponível na rede referenciada. A regulação dos leitos é de responsabilidade do Governo do Estado. 

Ainda em junho, um adolescente de 14 anos morreu após passar por três unidades de saúde de Sorocaba. A família afirmou que ele aguardou cerca de 18 horas por uma transferência e questionou o atendimento recebido. A Prefeitura e a direção da UPA Éden afirmaram que os protocolos assistenciais foram adotados e que aguardavam o laudo do SVO para esclarecer a causa da morte.

Nos três casos, as circunstâncias dos óbitos e a eventual existência de falhas nos atendimentos dependem das apurações e dos documentos médicos correspondentes. No caso de Isaac, a Polícia Civil aguarda os exames do IML para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do ocorrido.